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VIDA PROFISSIONAL | Estamos aqui para fazer amigos?

Por muito que adoremos o nosso trabalho e a nossa equipa (e eu adoro, de coração!), acredito que não estamos numa empresa para fazer amigos e que todos os colegas que passam a fazer parte da nossa vida para além dos momentos laborais são apenas o bónus que o nosso trabalho nos traz. Ser educado, promotor de um ambiente feliz, respeitador e um bom colega de equipa é diferente de querer partilhar a nossa vida pessoal com as pessoas que trabalham ao nosso lado. E isso não é errado.

Em Portugal, existe muito o hábito de almoçar com os colegas de trabalho, de interromper uma tarefa para um café, de combinar jantares de negócios em vez de reuniões em horário de expediente... e eu detesto isso. As pausas são importantes - falho muito neste aspeto, reconheço! - e mudar de ambiente também faz todo o sentido quando o momento se proporciona mas fazer disso rotina não é opção para mim. Cada vez mais tenho dificuldade em separar a vida profissional da vida pessoal e este conceito tão enraizado na nossa cultura só vem prolongar essa contrariedade - a meio do dia, eu preciso de silêncio, de ter alguns minutos para vos escrever, para refletir, para ficar mais tranquila.

Sempre olhei para a minha vida profissional de uma forma muito específica e séria e esta minha posição não se trata de ser anti-social ou ansiosa; trata-se de querer viver mais do que aquilo que trabalho e de ser o mais produtiva possível no meu horário laboral.

Sou muitas vezes mal interpretada quando o digo - e sou muitas vezes vista como arrogante por dizê-lo, bem sei - mas não tenho um emprego para fazer amigos. Eu trabalho para aprender, para pagar contas, para contribuir para uma sociedade da qual faço parte e para ver o nosso projeto a crescer. Mesmo tendo alguns amigos fantásticos que vieram do contexto empresarial - e estou extremamente grata por isso -, esse não é - nem nunca foi - o meu principal objetivo. Os amigos são o bónus que o trabalho nos traz mas não podem ser a razão de uma tarefa mal feita, do medo de mudar de emprego ou da necessidade de continuar em funções que nos deixam infelizes e deprimidos. Amigos e carreiras são coisas distintas e devem ser separadas.

7 comentários:

  1. Finalmente alguém escreve num texto tudo aquilo que eu penso sobre amigos e trabalho! Obrigada Carolina! (e um dia destes vou partilhar este texto para todos terem oportunidade de o ler)

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  2. Está tudo dito! Lembro-me de um dia estar a estudar com três colegas, no meu último ano de Licenciatura. Já não sei porquê, mas falou-se dos amigos que se fazem na Universidade e eu disse que não tinha feito amigos na Universidade. Um desses colegas ficou muito escandalizado e ofendido e perguntou se eu não o considerava um amigo. E eu disse que não. Disse que era um ótimo colega, mas não era meu amigo. Ele não sabia nada da minha vida pessoal, não sabia os dias em que estava bem ou em que estava mal, não me conhecia a não ser no sentido "profissional", logo não era meu amigo. Sempre pensei assim. Tento ser a melhor colega que consigo e agradeço sempre quando os meus colegas também são bons para mim. Mas daí a sermos amigos, ainda vai alguma distância.

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    1. Confesso que na Faculdade tinha uma postura diferente. Fiz o meu curso sem atrasos e etc mas aproveitei MUITO as saídas, as tradições e os momentos de convívio. Fiz grandes amigos na Faculdade - não muitos mas muito bons :)

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    2. Eu não, porque tinha de conciliar a universidade, o trabalho e ainda as viagens entre Guimarães e Braga que, de certa forma, acabavam por limitar um pouco o tempo que eu ficava na universidade. Como, ainda por cima, praticamente ou tinhamos aulas de manhã ou tinhamos à tarde, quase não havia oportunidade de conviver. Acho que agora no mestrado estou muito mais com os meus colegas, e são só dois dias de aulas por semana (aliás, neste último semestre é apenas um dia!), do que durante toda a licenciatura. Acho que depende sempre de muita coisa, e do próprio grupo de pessoas com quem temos a "sorte" de estar.

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  3. Achaste muito dona da razão, não? Se tu não sabes fazer a distrinça necessária, então não deves mesmo ter como amigos colegas de trabalho. Agora não venhas dizer que é assim que tem de ser, que isso é só ridículo.

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  4. Sou exatamente como tu. Tenho alguns amigos que fiz em trabalhos anteriores e estou muito grata por nos termos encontrado e a nossa relação se ter tornado tão especial, mas regra geral no trabalho gosto de ser produtiva e para bem da minha sanidade mental, quando saio do trabalho preciso de desligar e pensar noutras coisas e noutras pessoas, senão começo a ficar muito ansiosa. Vi até mais do que um caso em que amizades no trabalho azedaram - porque trabalhamos sempre com alguma pressão e é preciso tomar decisões difíceis que nem sempre agradam a todos - e foi um inferno para as pessoas envolvidas conseguirem ser racionais e aparecerem todos os dias para trabalhar naquele mau ambiente.

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  5. Eu vejo isso precisamente da mesma forma. Não tens de sair de algum lado com 20 mil amigos às costas.
    Entrei no meu trabalho numa "turma" de estágio. Logo apanhei imensa gente da minha idade e foi muito fácil fazer amizades. Mas sei muitos são simplesmente amizades de contexto. Não vão durar para a vida. Agora que já estou integrada em projecto e com uma equipa almoços e saídas acabo por preferir sair com as pessoas que entraram comigo. Preciso dessa folga ou o projecto vem comigo para casa. Para alem de que estar sempre com as mesmas pessoas quase 24h por dia só cria problemas. E é muito mais complicado tomar certas decisões difíceis.

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