Thirteen

FAMÍLIA | 1 Ano

Há um ano, estava na fila para visitar o Mosteiro dos Jerónimos quando o telefone da minha irmã tocou e a notícia que temíamos chegou: o nosso tio não tinha resistido e tinha falecido nessa manhã. Um ano passou e eu ainda não quis ir ao Mosteiro dos Jerónimos. Ainda choro muito quando penso nele, quando sonho com ele (e acontece tantas vezes!), quando me recordo desse dia. Ainda não vesti de novo o macacão preto que estava a usar quando a notícia chegou. Ainda não vi nenhum jogo da nossa equipa, o SC Braga. Ainda não sei, exatamente, como lidar com a frustração de não ter podido fazer mais por ele. Ainda não sei lidar com a dor de saber que aquele abraço não vai voltar a acontecer.

Quando recebemos a notícia, entrámos no Alfa Pendular rumo a Braga com um nó na garganta e as lágrimas a cair incessantemente. Hoje, a dor é a mesma e as lágrimas só não caem dessa forma neste preciso momento porque, com o tempo, aprendemos a controlar a vontade de exteriorizar um sentimento tão negro. Ele tinha tanto para viver!

Um ano passou e eu, que trabalho perto do local onde ele foi enterrado, digo-lhe sempre bom dia. Não acredito na vida depois da morte, é verdade, mas sei que ele tinha uma boa ligação com a religião. E se ele acreditava que iria cuidar de nós depois de perder a batalha contra o cancro, então eu digo-lhe bom dia, todos os dias, com a certeza de que ele iria gostar do gesto. Agarro-me às palavras que me dirigiu no nosso último abraço e à certeza de que a doença já não o incomoda.

2 comentários:

  1. Nunca sei muito bem o que dizer nestas situações, sei que a perda de alguém tão importante para nós dói demais, por isso, deixo-te apenas um beijinho e força <3

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  2. Que gesto tão bonito, dizeres bom dia a ele todos os dias, mesmo não acreditando na vida após a morte. Muita força Carolina <3.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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