Thirteen

LIVRO | Perfeitamente Normal

O Natal está a chegar e, para quem gosta de contribuir para o crescimento da biblioteca particular dos mais pequeninos da família, deixo uma sugestão vencedora: "Perfeitamente Normal" de Tom Percival - um livro mágico sobre diferença e aceitação.

Indicado para qualquer idade, "Perfeitamente Normal" conta-nos a história de Norman, um menino perfeitamente normal até ao dia em que lhe cresce um par de asas. Perante esta característica (que o torna diferente de todos os outros meninos), Norman sente que precisa de se esconder, veste um grande casaco, perfeito para o mais chuvoso dia de inverno, e usa-o até para tomar banho e dormir... até que, um dia, decide abraçar aquilo que o torna único, despe a peça de roupa que o limita e voa pelo céu para abraçar um final amoroso e surpreendente.

Uma história maravilhosa, com lugar cativo no meu saco de voluntariado da Nuvem Vitória, que não podia deixar de recomendar pela mensagem poderosa que transmite. Acompanhadas por ilustrações bonitas e uma capa que faz o livro laranja-fluorescente sobressair em qualquer estante, estas são as palavras que vão querer partilhar com os mais pequeninos da família.

Decidi, finalmente, comprar um copo menstrual e optei pelo Ziggy Cup. Alguém já usou?

TELEVISÃO | Emily in Paris

"Emily in Paris" conta-nos a história de Emily, que trabalha numa agência de comunicação em Chicago e é enviada para Paris com o objetivo de levar a "perspetiva americana" para a agência parisiense. Sem falar francês e sem família ou amigos em França, Emily vai documentando a sua estadia na Cidade do Amor através do Instagram, tentando mostrar aos seus novos chefes, colegas e clientes, em simultâneo, que é importante estar nas redes sociais e utilizar os canais digitais para comunicar, mesmo quando trabalhamos com marcas de luxo que privilegiam a exclusividade e o mistério.

"Emily in Paris" tem apenas uma temporada (para já) e, ao longo de dez episódios, leva-nos por temas pertinentes como o feminismo, a cultura do cancelamento, a nudez na publicidade, o papel dos influenciadores digitais, a necessidade de criar conteúdo diferenciador, os relacionamentos à distância, o impacto das redes sociais na sociedade, as compras por impulso e a necessidade de pertença. Por retratar os franceses de uma forma muito particular, a série tem sido um pouco controversa, mas isso tem motivado, também, muito burburinho (exatamente o que uma série precisa quando acaba de ser lançada).

Apesar de muito irrealista (sobretudo relativamente à vida profissional da protagonista), "Emily in Paris" é uma série leve e divertida. Sou suspeita, pois a história une duas das áreas que me cativam (comunicação e moda), mas parece-me que a segunda temporada será uma aposta promissora. Ainda que "Emily in Paris" nos passe a ideia de que é fácil promover uma marca (e isso faz-me alguma confusão, admito), é a série perfeita para o fim-de-semana, muito na onda de "Sex and The City". E dá para não sonhar com o guarda-roupa da Emily e da Camille?! Mesmo que tudo o resto tivesse falhado, a série valia a pena pelos coordenados destas duas e pelo (bonito) Chef Gabriel.

Acabei de descobrir isto e já só quero experimentar. 

POLÍTICA | Dias de Luto pelos Animais de Estimação

Esta semana, Cristina Rodrigues, deputada e antiga representante parlamentar do PAN, entregou um projeto-lei que propõe o alargamento dos dias de luto por familiares e a introdução de um dia de luto por animais de companhia de agregados familiares. 

Ambas as propostas fazem sentido para mim - não é comum ultrapassar o falecimento de uma avó em dois dias (a maioria das pessoas usa dias de férias para se recompor) e perder um animal de companhia pode ser tão doloroso como perder um familiar -, mas parece-me precoce aprovar uma lei assim na fase em que nos encontramos.

Isto porque, por ser muito difícil criar uma lei que seja suficientemente objetiva e universal quando falamos de relações afetivas, a lei portuguesa não prevê dias de luto pelo falecimento de familiares como tios, namorados, sobrinhos ou primos em primeiro grau (para já, apenas o falecimento de avós, pais, irmãos, filhos e sogros são considerados) e estaremos a lidar com a mesma dificuldade na eventualidade de avançarmos com uma lei que prevê dias de luto pelos animais de estimação. 

Quando uma pessoa morre, existe uma declaração de óbito que o comprova, mas não podemos confiar na ética para salvaguardar questões como esta. Muitas pessoas não se sentiriam bem a inventar a morte de um familiar (até porque essas declarações são mais difíceis de forjar e uma pessoa tem nome e número de cidadão) mas não veriam problema em inventar o falecimento de um animal de companhia, até porque não estamos só a falar de cães e gatos - animais de companhia podem ser coelhos, periquitos ou tartarugas e as pessoas podem, efetivamente, ficar de luto por qualquer espécie. Não está aqui em causa o sofrimento de cada um ou o grau de proximidade que existe, mas sim o facto de ser demasiado subjetivo para poder ser transformado numa lei clara e universal.

Uma vez que o registo dos animais não é obrigatório em todas as espécies e nem todos os animais de companhia são entregues numa clínica veterinária para cremação (o que significa que não há declaração de óbito para apresentar como justificação), seria justo criar uma lei apenas aplicada a animais maiores como cães, gatos ou cavalos? Seria correto validar o sofrimento de uns e ignorar o de outros, só porque aquele animal pertence a outra espécie? E até que ponto seria justo garantir dias de luto por um animal de estimação, mas não os garantir por um namorado?

Os animais fazem parte da família, óbvio que sim, mas parece-me que ainda há um longo caminho a percorrer antes desta ser uma realidade em Portugal. Na impossibilidade de criar, de uma só vez, legislação para todas as situações suprarreferidas (e de o fazer de forma a que não haja margem para dúvidas) não acredito que os dias de luto pelos animais de companhia sejam uma realidade para já. Espero estar enganada.