Thirteen

Esta é uma das capas de Julho da Vogue Portugal. Sim, alguém achou que isto era uma boa ideia.

QUOTIDIANO | Junho 2020

Junho foi... estranho. Longo e estranho. Se por um lado permitiu alguns reencontros e o regresso ao trabalho presencial, que nos fazia tanta falta, por outro também foi sinónimo de dias tristes, noites mal dormidas e muitas leituras para fugir à realidade. 2020 não tem sido fácil para ninguém e eu não sou a exceção.

Celebrando aniversários da forma possível, no jardim e com as devidas distâncias, podendo fazer algumas visitas às minhas pessoas e, finalmente, tomando o pequeno-almoço numa esplanada, Junho mostrou que é possível recuperar alguns hábitos que ficaram suspensos nos últimos meses. O mês do início do verão trouxe-me churrascos, umas novas Josefinas nos pés, a primeira ida às compras, algumas horas dentro de água e a primeira selfie da Margarida, que cresce a olhos vistos e que vai ser bem gordinha (ou assim parece, pelo menos).

Junho trouxe-me o sol, o regresso à terapia e às consultas, os passeios mais tranquilos e a vontade de colocar em prática umas ideias que fechei na gaveta há uns anos. Sei que, em junho, consegui fazer a diferença no dia de algumas pessoas que me são queridas e é isso que guardo no coração, sabendo que ainda há um longo caminho a percorrer e uns meses difíceis para enfrentar.

LIVRO | Um de Nós Mente

Depois de ter lido o primeiro livro de Karen M. McManus fui explorar as críticas e opiniões de outros leitores. Percebi que não há um veredicto consensual sobre "Um de Nós Mente": alguns adoraram, outros detestaram, outros acharam que era uma boa leitura de praia, outros não sentiram qualquer empatia com as personagens e consideraram esta leitura uma perda de tempo. 

"Um de Nós Mente" é um livro direcionado para um público jovem e não pretende ser um grande clássico da literatura, o que faz com que seja, ao mesmo tempo, um livro que divide leitores, mas eu gostei. Não sei se vou comprar (e ler) a sequela, mas não me senti defraudada e dei-lhe quatro estrelas no Goodreads (podem acompanhar AQUI as minhas leituras).

"Um de Nós Mente" conta a história de Brownyn, Addy, Cooper e Nate, que não têm quaisquer ligações entre si até se verem numa sala de castigo. Nessa mesma sala, Simon, um rapaz com muitos inimigos, é assassinado e, consequentemente, os quatro passam a ser suspeitos do seu homicídio. "Um de Nós Mente" retrata a busca pelo culpado e as histórias dos quatro suspeitos (incluindo os seus dramas de adolescentes, problemas familiares, hábitos e rotinas). 

Confesso que "Um de Nós Mente" foi uma boa surpresa. Cativou-me pela dose de mistério e pela evolução das personagens e apesar de ser um livro juvenil, pareceu-me interessante para diferentes faixas etárias. Não o considero um thriller, ainda que esse seja um dos géneros que o classifica nas livrarias, mas tem a dose certa de segredos e isso fez com que o lesse apenas em duas ou três noites. 

Se estivermos atentos às pistas, conseguimos facilmente perceber o que aconteceu, mas isso não rouba mérito à autora. Pessoalmente, achei muito interessante o desenvolvimento de cada personagem e as reflexões que somos convidados a fazer enquanto leitores. Em "Um de Nós Mente" há mais do que a investigação de um homicídio - que acaba por nem ser o ponto principal da história - e muitas temáticas pertinentes, como as relações abusivas, a homossexualidade e a necessidade de pertença, são abordadas de forma realista. 

Às vezes esquecemo-nos, enquanto sociedade, que os miúdos podem ser bastante cruéis entre si e que o Ensino Secundário - ou a escola, no geral - não é fácil para todos. "Um de Nós Mente" é mais uma forma de mostrar que há muita coisa que um sorriso esconde e que a pressão que a sociedade exerce em cada um de nós pode ter consequências brutais.

LIVRO | Sadie

Devorei este livro em apenas dois dias, graças ao caráter misterioso e à dose de realidade que nos parece tão próxima. Tudo o que posso dizer, sem revelar mais do que o que seria aceitável para quem ainda não conhece "Sadie" é que 1) conta a história de uma rapariga que procura o homem que assassinou a sua irmã mais nova e 2) tem um final difícil de aceitar, mas muito realista.

A história de Sadie é trabalhada de uma forma extraordinária e a narrativa não descreve, apenas, a sua busca por justiça. Com 19 anos e uma infância - se é que se pode chamar infância ao que viveu - muito difícil, Sadie é gaga e solitária, e quando a sua irmã é assassinada, ela deseja matar o homem que a levou (mesmo que seja a última coisa que faça). 

O livro inclui pequenas pistas ao longo de todos os capítulos e tudo faz sentido para que as compreendamos melhor à medida que a história avança, mas "Sadie" também nos cativa por incluir duas perspetivas diferentes: a de Sadie, enquanto está desaparecida, e a das pessoas que a procuram (o que inclui um jornalista que cria um podcast sobre a investigação). "Sadie" é mais do que a própria Sadie e é por isso que o livro é tão cativante. 

Todos os capítulos têm o título "Sadie" ou "As Raparigas" e um tipo de letra especial, dependendo da perspetiva que apresentam, e isso torna a leitura muito fluída e fácil de acompanhar. "Sadie" é uma leitura que nos deixa incomodados, que nos faz pensar sobre o que nos rodeia e as realidades que não estão assim tão longe de nós, mas que não conseguimos largar até sabermos o que aconteceu realmente.

Detetei algumas gralhas na versão portuguesa de "Sadie" - e não imaginam como isso me incomoda enquanto leitora! -, mas é um livro que recomendo e que poderá ser uma excelente companhia de verão para quem gosta de narrativas misteriosas. Escolhi-o pela capa, sem saber sobre o que se tratava, mas está aprovadíssimo!


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