Thirteen

AUSCHWITZ, POLÓNIA | Auschwitz-Birkenau

Hesitei muito antes de escrever este artigo. Foi, talvez, a minha experiência mais intensa em viagem e aquela que despertou um maior número de emoções. Foi, sem dúvida alguma, o local mais sombrio que visitei e por muito que se leia sobre os campos de concentração, por muitos documentários e fotografias que vejamos, por muitos testemunhos que passem na televisão… nada nos prepara para o que vamos encontrar: os números passam a ter rosto; o frio e o calor que sentimos passam a ser comparados com aquilo que sentiríamos se estivéssemos vestidos com um pijama de tecido fino, velho, com buracos e que causa irritações na pele. O que faríamos se estivéssemos naquele lugar em plena Guerra? Será que sobreviveríamos? Somos uns sortudos.

De Cracóvia à cidade de Auschwitz são aproximadamente 45-60 minutos e durante o percurso de carro vemos um documentário sobre o Holocausto e os campos de concentração locais. O aperto no peito e o nó na garganta começam bem antes de chegarmos ao famoso portão que indica que "o trabalho liberta" (e que, curiosamente, tem um B colocado de pernas para o ar de forma propositada - o prisioneiro que o colocou, fez com que esse detalhe demonstrasse a sua revolta e a ironia daquela frase).

Mesmo antes de passarmos debaixo dessas palavras, percebemos que a nossa visita será mais ou menos marcante consoante as pessoas que estiverem no mesmo grupo e o guia turístico que nos vai acompanhar - 1) a forma como a História nos é contada faz toda a diferença e 2) o respeito que as pessoas à nossa volta têm pelo local torna cada visita mais ou menos marcante. Felizmente,  durante a minha visita, não houve selfies para reprovar ou piadas desagradáveis para repreender; um silêncio ensurdecedor envolvia o local onde estávamos e a maior parte das pessoas mantinha os olhos no chão enquanto o guia falava. No entanto, não posso deixar de admitir que a forma leviana com que uma pessoa do grupo encarou a visita me incomodou bastante - não consigo compreender como alguém consegue rir e ter conversas paralelas durante uma experiência deste nível.

Quando visitamos os campos de concentração - chamados também de campos da morte, pois Birkenau foi construído exclusivamente para exterminar milhões de pessoas - exploramos um dos lados mais negros da História. Passamos a ser capazes de atribuir rostos e nomes aos números que já conhecemos, aprendemos que cerca de três mil portugueses também morreram ali, descobrimos que, a certa altura, apenas 25% das pessoas que chegavam ao campo eram registadas (o que significa que os números são ainda mais terríveis) e reconhecemos, agora sim, que a II Guerra Mundial não aconteceu assim há tanto tempo. Entre edifícios que causam arrepios, um sol que nos faz imaginar como seria torturante trabalhar a altas temperaturas sem uma alimentação adequada (calculo que no Inverno seja ainda mais duro), objetos que foram retirados aos prisioneiros e fotografias que nos atiram para uma realidade pavorosa... é difícil ficar indiferente. Na verdade, é difícil não sentir as lágrimas nos olhos e um misto de revolta, tristeza, fúria e indignação.

Quando fazemos a visita completa, passamos pelos dois campos de concentração - Auschwitz e Birkenau - e mil e uma questões surgem no nosso pensamento. O nosso guia foi absolutamente incansável: contou-nos detalhes que normalmente não são divulgados nos documentários; notava-se que ele dominava o tema, que procurava sempre saber mais, que nunca parou de estudar e que estava ali por vocação e não por obrigação. Apesar de transparecer uma ligação emocional ao local, deu todas as instruções de forma clara, fez avisos perante as salas que causam mais impacto e dor nos visitantes, deixou-nos à vontade para nos afastarmos do grupo em momentos mais críticos, respondeu a todas as questões - e acreditem, havia muitas! -, não apressou a visita e explicou o motivo para não haver permissão para fotografar algumas salas ou objetos (os espaços onde não é permitido entrar ou fotografar guardam memórias muito duras de pacientes mais específicos; esta regra serve para proteger a privacidade das famílias e das vítimas). Acredito que a visita guiada seja mais significativa do que a visita livre - se todos os guias forem como o Jacob, vão perder muita informação se optarem pela segunda opção.

Toda a visita é bastante pesada - é mesmo preciso que tenhamos isto em consideração e que tentemos mentalizar-nos para a fazer - mas houve duas coisas que me incomodaram (ainda) mais do que as restantes: 1) as fotografias dos prisioneiros, com a respetiva legenda, fizeram-me perceber que 99% das vítimas seriam hoje mais jovens do que a minha avó e 2) a câmara de gás - confesso que ganhei coragem para entrar, mas fui a primeira a sair - as marcas nas paredes de cimento fazem-nos sentir a aflição de quem ali faleceu; senti-me absolutamente claustrofóbica naquele cubo cinzento.

Há uns anos percebi que não podia simplesmente ignorar a existência de Auschwitz-Birkenau e que teria de enfrentar o medo de visitar os Campos. No entanto, no dia da visita confirmei aquilo que já imaginava: este é um espaço que deveria ser visitado por todos, especialmente agora que parece que toda a gente se esqueceu que isto aconteceu e que a extrema direita ganha força um pouco por todo o mundo. Mais do que uma experiência sombria, esta é uma forma de sensibilizar a sociedade - ao longo da visita encontramos muitas mensagens e citações que tentam cumprir esse objetivo e que nos fazem refletir sobre a atualidade e o comportamento que privilegiamos enquanto comunidade; é impossível ignorar. Sabiam que em Auschwitz há diversas homenagens aos prisioneiros e aos que combateram o mal? Existe, por exemplo, um tributo ao homem que se voluntariou para morrer em vez de outro prisioneiro, sendo que o seu pedido foi aceite e o prisioneiro salvo sobreviveu à tortura e foi libertado.

Fiquei a saber MUITO mais sobre o que ali se passou e mesmo tendo sido uma experiência dura, intensa e de emoções muito fortes (ao ponto de não conseguir fazer mais nada no resto do dia para além de tentar dormir), sinto que foi uma visita válida e importante para o meu crescimento. As toneladas de cabelo, as roupas e sapatos de famílias inteiras (de mulheres, homens, crianças, bebés...), o número de mortos e os registos detalhados assustam? Sem dúvida. Contudo, ver tudo isto de perto é essencial para a nossa comunidade global. Não podemos deixar que o medo nos impeça de saber mais - apesar de ter sido um espaço de tortura, é também um espaço de atos corajosos, de histórias de vida extraordinárias, de sobreviventes (e as pessoas que são corajosas o suficiente para trabalhar ali - ou para viver nos arredores dos campos, em casas que foram utilizadas por verdadeiros criminosos - não nos deixam esquecer isso). A mensagem mais forte que posso partilhar é que, em Auschwitz-Birkenau, conseguimos sentir o pior e o melhor do ser humano.

AMIZADE | Continuas aqui, Bel.

Ficámos a olhar para o vazio, de televisão desligada, sentados no sofá. A notícia do falecimento de um amigo deixou-nos em choque, sem sabermos ao certo o que haveríamos de dizer ou de fazer, sem coragem para enfrentar o mundo. Estas nunca são notícias fáceis de encarar, mas é ainda mais difícil lidar com a morte quando estamos a falar de um amigo que fez parte da nossa vida académica e com quem estivemos há menos de um mês.

Ainda não chorei tudo o que tenho para chorar. Ainda não assimilei a notícia. Sei que ninguém brincaria com uma coisa destas - nem mesmo ele, que transformava tudo numa piada e que nos fazia rir com os comentários que não conseguia conter (e que, curiosamente, chegavam sempre nos momentos em que o riso precisava de ser contido!) - mas ele tinha 33 anos e uma vida pela frente, caramba!

Celebra, João Belchior. Bebe mais um copo. Pede para não apareceres nas fotografias. Ri às gargalhadas. Diz o que te apetece. Esquece os filtros. Abraça o ridículo. Guarda os valores que privilegias e que (também) me passaste. Faz mais um brinde, mesmo que tenha sido o teu coração de ouro a tramar-te. Quem tem bom coração nunca é esquecido. Obrigada por tudo, Bel. Obrigada.

THIRTEEN STUDIO | Believe

Se estão à procura do presente perfeito para oferecer (ou para vestir!) no Dia da Mulher, deixo-vos a sugestão ideal: Believe - um modelo do Thirteen Studio que pretende fazer-vos refletir sobre o que são, aquilo que querem ser, o que querem fazer e aquilo que pretendem construir ao longo do caminho. 

"She believed she could, so she did" - uma frase de R.S Gray, escritora - que representa, em simultâneo, aquilo que a nossa mãe nos diz desde sempre: "Acreditar que vai correr bem é meio caminho andado". Nada se faz sem esforço, sem trabalho, sem investimento, sem dedicação ou sem empenho, mas acreditarmos que é possível dá-nos sempre força para seguir em frente. Foi assim que nasceu o Thirteen Studio e por muito que nos custe a acreditar em nós próprias, a verdade é que precisamos de ser a nossa própria claque. 

Por tudo isto, quando decidimos que queríamos um modelo feminino com uma frase que, de alguma forma, inspirasse as mulheres que o vestissem, soubemos instantaneamente que esta seria a ideal. Bordar à mão cada uma das letras faz com que o modelo Believe seja ainda mais especial - a Ana faz o bordado manualmente ao longo de duas horas, para que vocês não sintam apenas a delicadeza de uma peça 100% algodão, mas também o carinho que depositamos em cada encomenda.

Podem encomendar no Instagram do Thirteen Studio (@thirteenstudio.pt) ou através do email da marca: hello@thirteenstudio.pt. A partir de Março, poderão também adquiri-la na loja Miss Power, no Porto.

CINEMA | Asterix e Obelix: O Segredo da Poção Mágica [2018]

O primeiro filme que vi no cinema em 2019? "Asterix e Obelix: O segredo da poção mágica". Prometi a um dos sobrinhos do Gui que o levava a ver o filme - até porque ele adora esta dupla - e cumpri a minha promessa. Em Janeiro, lá fomos os dois, com pipocas para partilhar e bilhetes para um filme de animação que me fez relembrar os dias em que ia ao cinema com o meu pai.

O objetivo da dupla, após uma queda do sábio que apanhava os ingredientes, é encontrar um druida a quem possa ser passada a receita da Poção Mágica. A ideia é que, no futuro, este druida substitua o grande Panoramix e consiga criar a poção que confere força e coragem a quem a bebe. Com alguns tropeções, um vilão invejoso e novas personagens pelo meio, Astérix e Obelix ajudam Panoramix a encontrar a pessoa ideal privilegiando os valores de amizade, coragem, humildade e respeito.

Este é um filme para ver em família, com a certeza de que os mais novos vão gostar das reviravoltas e das parvoíces típicas de Asterix e Obelix. Não é um filme para a vida, mas pode perfeitamente ser uma opção num domingo calmo, de sofá, mantas e pipocas.

THIRTEEN STUDIO | Cool Baby

A Camila nasceu no ano passado, em Junho, e esse foi um momento importante (também) para o Thirteen Studio - foi quando surgiu a ideia de criar um modelo para bebés.

Cool Baby é o modelo que dá origem à categoria que gostamos de chamar de "Mini Studio" e que aparece como uma das primeiras criações para os mais novos. Bordada à mão ao longo de duas horas, esta peça representa a descontração e o sentido prático - os bebés não têm que vestir fofos e vestidos todos os dias ainda que fiquem amorosos. Com botões na zona do ombro para dar uma ajuda aos pais e totalmente em algodão (tanto a t-shirt como as linhas utilizadas no bordado), Cool Baby representa a tranquilidade de uma vida sem problemas e a descontração de ir crescendo livremente.

Podem encomendar no Instagram do Thirteen Studio (@thirteenstudio.pt) ou através do email da marca: hello@thirteenstudio.pt.