Thirteen

CINEMA | Not Alone [2016]

"Not Alone" é um documentário da Netflix que aborda o tema da depressão e do suicídio de uma forma muito real e crua. Jacqueline Monetta perdeu a sua melhor amiga e quis compreender os motivos que levam jovens com vidas aparentemente felizes a cair no buraco negro. O que sentem? Quais as razões? Quais os sinais que devemos ter em conta? Como superam cada dia?

Nos Estados Unidos da América, local onde foi realizado este documentário, cerca de cinco mil adolescentes suicidam-se todos os anos. Vamos continuar a ignorar o "elefante na sala"?

Este foi um documentário duro de ver (apesar de ter apenas cinquenta minutos). O facto de estarmos a assistir a uma conversa, sem floreados, sem máscaras, sem distorções de voz… torna tudo muito mais real. E se por um lado nos traz algum medo - será que estamos realmente atentos aos nossos amigos e ao que se passa à nossa volta? - por outro também nos confere algum aconchego; ouvir estes relatos na primeira pessoa mostra-nos mesmo que não estamos sozinhos, que é possível viver com depressão, lidar com a dor de não saber o que sentimos e, ainda assim, superar as fases mais negras com que nos deparamos. "Not Alone" é um documentário quase cruel, mas que nos dá algum alento para superar aquilo que ainda está para vir - a mensagem é mesmo essa: não estamos sozinhos.

PORTO, PORTUGAL | Palácio das Cardosas

O meu trabalho dá-me a oportunidade de conhecer verdadeiros tesouros do nosso país e o Palácio das Cardosas, em plena Avenida dos Aliados, foi um dos espaços que mais me surpreendeu numa das minhas aventuras profissionais. Já conhecia a entrada e a zona da receção - e já tinha ficado fascinada com o chão em mármore branco, o candelabro imponente, as flores frescas e a luz natural invejável que tão bem fica nas fotografias - mas depois de conhecer o espaço de uma forma mais profunda, não podia deixar de o sugerir para a vossa próxima visita à Cidade Invicta; para além da localização ser realmente privilegiada, não dá para negar o requinte e o conforto de cada divisão. 

Palácio das Cardosas chama-se assim por ter sido comprado por Manuel Cardoso dos Santos, um burguês que deixou os seus bens às três filhas, conhecidas como “as Cardosas”. Pouco tempo depois desta herança, o Palácio começou a ser conhecido popularmente como “Palácio das Cardosas” e, quando o InterContinental decidiu transformá-lo num hotel em 2011, manteve o nome – afinal, faz parte da História da cidade e combina na perfeição com os vinhos servidos no restaurante e no bar, com os produtos Castelbel que encontramos nos quartos e com a hospitalidade tipicamente portuguesa e (se me permitem) nortenha e portuense.

Palácio das Cardosas é um hotel maravilhoso em plena baixa portuense, a um passo de todos os locais emblemáticos da cidade e com uma forma de receber que não encontramos em mais lado nenhum. O Dia dos Namorados está aí à porta - que tal uma escapadinha até ao Norte do país?

PRAGA, REPÚBLICA CHECA | Anežky Klášter

O Anežky Klášter - que é como quem diz, em português, Convento de Santa Inês de Boémia - foi fundado algures na década de 1230 e demorou cinquenta anos a ser construído. Localizado na parte velha da cidade checa, este edifício gótico é um dos mais antigos em Praga e reúne um acervo muito rico no que diz respeito à Arte Sacra.

A visita está, assim, dividida em duas partes: 1) a visita ao Convento propriamente dito e 2) a visita à galeria, onde encontramos uma exposição de Arte Sacra (que não podemos fotografar mas que significam muito para todos os religiosa não só por serem peças bastante complexas mas também pelo ano em que foram criadas). Dois momentos que nos permite ver perfeitamente a contradição da Igreja hoje em dia - a riqueza demonstrada através dos objetos e os valores de pobreza defendidos pela Bíblia. 

Inês de Praga quis ser freira para ter acesso a uma educação que não teria fora do Convento e ajudou muita gente durante toda a sua vida - na verdade, é surpreendente como nunca contraiu qualquer doença grave mesmo cuidando pessoalmente dos doentes que iam aparecendo. Hoje, o espaço que esta mulher fundou (feito em pedra e com uma arquitetura simples mas fascinante) inclui uma zona com aquecimento, chão flutuante e um sem fim de esculturas, peças de vestuário e quadros extremamente ricos. Inês está aqui sepultada, numa campa muito simples onde os visitantes (ou os próprios colaboradores do monumento) deixam flores.

Sendo um espaço icónico de Praga, a visita permite-nos conhecer um pouco mais da História da capital checa e, em simultâneo, fazer-nos refletir sobre os valores defendidos pela Igreja há muitos anos e aquilo que é realmente praticado. Uma contradição que não passa despercebida; mesmo com jardins luminosos e um espaço exterior de fazer inveja, o Convento cumpriu o seu propósito - oferecer educação, solidificar a Ordem das Clarissas e ajudar os mais necessitados.

LIVRO | A Bailarina de Auschwitz

Sabendo que iria ter uma perceção diferente de todos os testemunhos que lesse ou ouvisse depois da minha viagem à Polónia, precisei de algum tempo para me predispor a enfrentar novamente o tema do Holocausto - tive que esperar alguns meses antes de voltar a pegar em livros relacionados com a II Guerra Mundial. Visitar os campos de concentração foi um murro no estômago e, para ser sincera, não sabia ao certo como iria lidar com essa parte da História depois da viagem. "A Bailarina de Auschwitz" pôs-me à prova.

Emprestado pela minha irmã, este foi o livro que escolhi para iniciar o "Uma Dúzia de Livros". O tema de Janeiro é "Um livro escrito por uma mulher" e esta obra, escrito por Edith Eger, sobrevivente do Holocausto, pareceu-me uma boa desculpa para voltar a ler sobre esta temática. Para além de ser escrito por uma mulher, é escrito por uma sobrevivente; por uma bailarina. Senti que poderia aprender com ela nesta fase mais complicada (apesar de as nossas vidas pouco ou nada terem em comum).

Confesso que esperava um relato mais longo sobre o tempo passado nos campos da morte, pois os livros do género focam-se essencialmente nessa experiência traumatica, mas a verdade é que "A Bailarina de Auschwitz" é mais do que um testemunho do Holocausto. Edith tornou-se psicóloga depois de sobreviver às filas de seleção e usa tudo o que aprendeu enquanto prisioneira para ajudar outras pessoas. Ao longo do livro, a autora vai partilhando casos de pacientes que ajudou e explica não só como superou o seu próprio trauma mas também como as fases negativas da sua vida (em diferentes escalas) a ajudaram a aceitar-se e a ser uma pessoa positiva, apaixonada pela vida, com uma mente forte e delicada em simultâneo.

Admito que me senti um bocado otária enquanto lia a história de Edith. Tinha à minha frente o testemunho de uma pessoa extraordinária que sobreviveu aos campos de concentração, que viu o pior lado da Humanidade e da História e que mesmo assim observa tudo com um positivismo surpreendente e uma vontade de viver absolutamente destemida e carismática. Mesmo sabendo que as dores não se comparam, senti-me uma parva por passar tantos dias e tantas noites a chorar sem saber ao certo porquê. Afinal, como pode uma pessoa em pleno campo de concentração ter uma vontade enorme de viver e eu, que estou segura e que tenho uma vida tranquila, ter tantas vezes o desejo de desaparecer? É absurdo - e talvez tenha sido um livro tão marcante precisamente prlas reflexões mais profundas sobre a minha própria sorte, adicionadas ao que vi durante a minha viagem.

Também achei que, em alguns momentos, o distanciamento necessário para escrever o livro levaram Edith a romantizar a sua atitude pós-guerra, mas não posso deixar de aplaudir a sua capacidade intelectual, a sua perseverança, a sua determinação, a sua força. Edith é, sem dúvida alguma, um exemplo enquanto ser humano, enquanto mulher, enquanto profissional. E é também a prova de que nós somos aquilo que a nossa mente deixa que nós sejamos (mente essa que nós próprios controlamos).

Este é um livro que devem ler com alguma maturidade e espaço para introspeção. Recomendo sobretudo a quem está numa fase mais difícil da vida (a lutar contra uma depressão, um distúrbio alimentar, um período mais ansioso ou instável…). "A Bailarina de Auschwitz" é uma mensagem de superação e um verdadeiro abre-olhos.


Surpresa! Este será o livro que irei oferecer no próximo passatempo. Já me seguem no Instagram?

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