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BLOGOSFERA | Escrever Mais, Publicar Mais

No Verão surgem sempre imensos blogues novos, que aparecem com imensas ideias e potencial mas que rapidamente ficam esquecidos nas rotinas escolares ou profissionais. As férias são propícias a publicações mais regulares, o que é válido e compreensível, mas o resto do ano não tem de ser sinónimo do seu fim ou de uma pausa forçada. Aceitam algumas dicas que utilizo para contrariar essa tendência e manter a blogosfera igualmente ativa a partir de Setembro?

Estabelecer um horário para o blogue | É válido escrever apenas de vez em quando, mas se desejam manter o blogue atualizado e com publicações frequentes, uma boa dica é encará-lo com maior seriedade e incluí-lo nas tarefas semanais. Reservando algum tempo por semana para o blogue, a probabilidade de não adiarem a escrita dos artigos é maior. Apesar de conseguir escrever algumas coisas durante a semana, é ao domingo de manhã, habitualmente, que escrevo as publicações da semana e que organizo os temas que pretendo abordar.

Apontar ideias | Não, não se vão lembrar daquela mega ideia que tiveram antes de adormecer - precisam de a apontar. Seja nas notas do telemóvel, na agenda ou até nos rascunhos da plataforma que utilizamos, apontar ideias salva-nos quando queremos escrever mas não sabemos ao certo sobre o quê. Nem sempre estamos inspirados, e nem sempre as ideias aparecem quando realmente precisamos delas (especialmente se temos um momento específico para escrever), pelo que não desperdiçar possíveis títulos para artigos é essencial.

Criar um calendário editorial | Apesar de não cumprir com rigor as datas que estipulo, cada dia da minha agenda corresponde a um artigo no blogue (de segunda a sexta-feira). Isto significa que consigo aliar a minha vontade de escrita aos temas que pretendo abordar e garantir que não saem demasiadas publicações seguidas da mesma categoria. O calendário editorial permite-nos estabelecer a frequência de publicações, não cair na monotonia e adequar o conteúdo aos acontecimentos que vivemos e à época do ano em que estamos, não desperdiçando ideias que poderiam funcionar melhor noutra semana ou mês.

BARCELONA, ESPANHA | Park Güell

O primeiro dia em Barcelona deixou-nos absolutamente exaustas, mas o segundo começou bem cedo. Queríamos muito visitar o Park Güell, pelo que decidimos fazê-lo logo de manhã, para evitarmos as confusões e o calor exagerado que se esperava (até porque às 08h00 já estavam 30ºC).

O Park Güell fica numa zona afastada da cidade, pelo que o melhor será apanhar o autocarro. Se comprarem o bilhete para a atração com antecedência, poderão usufruir do Bus Güell, mas se optarem por fazer a compra na bilheteira e se forem portadores do Barcelona Card, poderão utilizar o autocarro público. 

O Park Güell foi mandado construir para o principal mecenas de Gaudí, Eusebi Güell, que pretendia criar uma espécie de condomínio fechado de luxo para a aristocracia de Barcelona. No entanto, o público-alvo não achou piada à ideia, considerando que o parque ficaria demasiado distante do centro da cidade. Aos poucos, o parque foi deixado ao abandono, acabando por se transformar naquilo que conhecemos hoje e que em 1984 foi classificado como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Com uma extensão de mais de 17 hectares, o Park Güell está dividido em duas partes: a Zona Monumental e a zona do parque propriamente dito, com muita vegetação e caminhos onde os espanhóis fazem desporto e passeiam em família. O acesso ao parque é gratuito, mas para visitar a zona monumental é necessário bilhete (tem um custo de 10€ e não há descontos associados para estudantes).

Coberto de mosaicos, colunas que relembram árvores, formas geométricas e animais, o Park Güell é, provavelmente, a obra mais conhecida de Gaudí, que se inspirou na Natureza para dar vida a uma arquitetura inédita até então. Aproveitando o desnível de 60 metros, Gaudí criou um caminho de elevação espiritual e esperava, no topo, construir uma capela. E ainda que o ponto central do parque seja a praça que está rodeada por um banco de 110 metros (descubram o 13 que Gaudí colocou num dos mosaicos!), o Park Güell inclui outros espaços que merecem ser visitados, mais não seja para observar a arquitetura de cada imóvel idealizado pelo artista.

O Park Güell apresenta-se como único, mágico e peculiar e uma visita a Barcelona não está completa sem uma visita. Acredito que em períodos de férias escolares as filas sejam realmente desanimadoras (o parque permite a entrada de 400 pessoas a cada meia hora), mas não posso deixar de recomendar a visita aos fãs de arte e a quem se fascina com a criatividade de Gaudí. Um passeio pelo parque, para além da zona monumental, é igualmente interessante. Se puderem, visitem de manhãzinha ou ao anoitecer - preferimos não arriscar e ter em consideração a distância para outros pontos da cidade, mas ver aqui o pôr-do-sol deve ser extraordinário!

BLOGOSFERA | O Kit de Primeiros-Socorros da Inês

Há pessoas que têm a capacidade de nos roubar um sorriso nos momentos mais difíceis e eu, felizmente, tenho tido a sorte de me cruzar com algumas delas ao longo da vida. De uma forma ou de outra, essas pessoas têm as palavras certas e os gestos ideais para me dirigir e fazem-no de uma forma tão natural que não há como não me sentir grata. A Inês é uma dessas pessoas.

Numa semana complicada, recebi um envelope inesperado: um Kit de Primeiros-Socorros. Veio de Torres Vedras, foi a Inês que o enviou, e esse gesto transformou por completo a minha semana. Numa altura negra, em que as minhas lentes filtram o que é bom e me mostram apenas o lado mais negativo, eu fui gentilmente recordada de uma coisa muito importante: não estou sozinha. De coração partido, ansiosa, cansada ou triste, eu estou rodeada por pessoas que gostam muito de mim e que, independentemente da distância, se preocupam comigo.

Não vou partilhar as palavras que acompanharam os pacotinhos de chá e os chocolates, mas posso dizer-vos que a Inês fez a melhor abordagem ao último tema do desafio 1+3. E para além da sua escrita maravilhosa e dos seus conselhos sempre certeiros, a Inês presenteou-me com miminhos que não podem ser avaliados pelo facto de caberem num simples envelope. Prometi um texto mais elaborado, mas mesmo uns dias depois só me ocorre dizer "obrigada". 

A prova de que não precisamos de conversar com os nossos amigos todos os dias para que a ligação não se perca está aqui mesmo. E chegou da forma mais simples, num simples envelope castanho que não deixava adivinhar o que trazia e que representa tudo o que há de bom no mundo: uma amizade inocente entre duas miúdas, o coração gigante da Inês e a força que dividimos uma com a outra sempre que nos roubam o tapete e precisamos do triplo da energia para nos levantarmos.

BARCELONA, ESPANHA | Palau de la Música Catalana

Se tivesse que eleger o meu local favorito desta segunda viagem a Barcelona, escolheria o Palácio da Música Catalã (Palau de la Música Catalana), pelo que esta é uma publicação muito especial.

Este é um edifício imponente, com uma decoração belíssima e cheia de significado, projetado por Lluís Domènech i Montaner - um grande representante do modernismo na Catalunha - e construído entre 1905 e 1908. O Palácio da Música Catalã é o único edifício de espetáculos declarado como Património Material da UNESCO (desde 1997) e a sua sala principal é absolutamente magnífica, não só pela acústica ou pela organização do espaço, mas também por todos os elementos que aqui foram estrategicamente incorporados. Os vitrais, os mosaicos coloridos, as estátuas, os nomes de artistas de todo o mundo, a clarabóia, os cristais... não há como descrever a paz que se sente neste edifício. 

A visita ao Palácio da Música Catalã pode ser feita livremente, mas tendo em conta o nível de pormenor do edifício e a história que lhe está associada, recomendo que optem pela visita guiada. Esta tem um custo de 20€ para adultos (11€ mediante a apresentação do cartão de estudante) e uma duração aproximada de 55 minutos. É possível realizar a visita em catalão, italiano, francês, inglês ou castelhano (estão afixados os horários das visitas mediante os idiomas). 

Numa primeira fase, somos convidados a ver um vídeo sobre o Palácio. Ficamos a conhecer o historial do espaço, sede do "Orfeó Català", e conhecemos a perspetiva de vários artistas de renome que tiveram a oportunidade de pisar o seu palco. Esta é uma introdução simpática e interessante, nada aborrecida ou demasiado técnica. A seguir, começa a visita propriamente dita. Subimos a escadaria dupla até ao primeiro piso e um misto de emoções apodera-se de nós. Há tanto para observar! Um corrimão trabalhado em pedra, um teto ornamentado, uma quantidade extraordinária de materiais ricos e uma decoração formal, repleta de simbolismo, levam-nos até ao primeiro andar, onde temos duas salas: 1) a sala de espera, com um lustre moderno, portas de vidro, uma varanda com colunas coloridas com mosaicos e 2) a fantástica sala de espetáculos.

A visita guiada é extremamente interessante pelas explicações acerca dos elementos decorativos. Nada foi colocado aqui por acaso. No palco, por exemplo, o grupo de dezoito musas em mosaico e em relevo representam as diferentes músicas do mundo, sendo que cada uma tem um instrumento musical que a representa. E ainda que a sala principal seja, realmente, o foco de toda a visita, é extraordinário explorar os restantes espaços e compreender que nada ficou esquecido, que nada foi menos planeado. Fantástico.

INSTAGRAM | @catarinafpb

A questão da sustentabilidade está na ordem do dia e a Catarina - @catarinafpb - promove diariamente um estilo de vida com menos desperdício provando-nos, em cada publicação, que é possível diminuir a nossa pegada ecológica através de gestos simples no nosso quotidiano. 

A partilha da Catarina vai muito além da reciclagem ou da reutilização (até porque esse gesto já devia ser um dado adquirido em todas as casas) e as questões por ela analisadas são extremamente diversas. No entanto, o que me faz seguir a Catarina há tanto tempo é a sua dedicação, a sua capacidade de debate e a abordagem profunda que ela faz sempre que apresenta um novo tema. Mais do que oferecer dicas válidas, a Catarina vai ao fundo da questão, procura evidências científicas e estuda cada tema de forma a compreender os dois lados da moeda e a apresentar opiniões bem fundamentadas acompanhadas por soluções vencedoras.

O foco do Instagram da Catarina - @catarinafpb - não são as fotografias bonitas, ainda que o sejam também, mas sim a mensagem que lhes está associada. A escolha de um protetor solar, a recusa de talheres de plástico, os espaços que adotam práticas eco-friendly, os litros de água necessários para produzir um determinado produto e as alternativas sustentáveis aos produtos que utilizamos diariamente são apenas algumas das questões abordadas pela Catarina, sempre de uma forma consciente e com a noção de que nem todas as soluções são aplicáveis a todas as pessoas, famílias ou casas. Se ainda não seguem - como assim?! - este é o momento.