Thirteen

O APARTAMENTO | We call it home!

Escrevo-vos esta publicação sentada no meu sofá cor-de-rosa, na minha nova sala, no meu novo apartamento. Depois de meses e meses de espera, de frustrações, de lágrimas, de discussões e de ansiedade, hoje durmo pela primeira vez no T1 e começo uma nova etapa da minha vida ao lado do Gui. Ainda faltam alguns elementos para este apartamento estar realmente pronto mas não podia estar mais orgulhosa daquilo que temos aqui - e não me refiro apenas a móveis, pratos ou livros.

Hoje a tarde vai ser dedicada às arrumações. Agora que está tudo limpinho - e que bom é! - está na hora de preencher as divisões com as nossas coisas. Entre mercearias, roupas, livros, produtos de higiene, acessórios, toalhas, loiças, fotografias e quadros, está na hora de dar personalidade ao apartamento que nos deu muitas dores de cabeça, mas que já é o melhor do mundo.

INTER RAIL | A Mochila

Pode parecer absurdo escrever toda uma publicação dedicada à mochila que me irá acompanhar na viagem do próximo mês mas a verdade é que para quem pretende viajar de mochila às costas (e não tem qualquer experiência com acampamentos e afins), esta acaba por ser uma decisão importante. Afinal, vamos carregá-la durante muitas horas e tem de ser, de verdade, uma mochila todo-terreno e acredito que devemos ter alguns critérios a escolhê-la. Para mim, são estes quatro:

Conforto | Não estou particularmente entusiasmada com as compras que preciso de fazer para o Inter Rail (falo-vos disso daqui a uns tempos) mas a mochila era algo que queria mesmo ser eu a comprar, pois só eu poderia sentir se seria ideal para mim quando a experimentasse. Ter alças almofadadas, por exemplo, era um requisito obrigatório. 

Estrutura | Algumas mochilas de caminhada/campismo não nos dão suporte suficiente e mal as colocamos nos ombros sabemos que, com o peso, serão difíceis de carregar durante algum tempo. A estrutura da mochila, assim como o número de bolsos, os materiais utilizados, as correias abdominais, a ventilação e a forma como a zona das costas está construída são muito importantes. Na verdade, é esta estrutura que vai definir se a mochila é boa e confortável o suficiente para um Inter Rail ou uma longa caminhada.

Capacidade | Vamos viajar durante quinze dias, aproximadamente, e apesar de ficarmos instalados em apartamentos nas cidades que escolhemos visitar, temos que levar tudo o que nos irá fazer falta. Já sou profissional a fazer malas e consigo enfiar o mundo e um par de botas numa mala de cabine (Londres, no Inverno, foi um bom desafio!), mas este tipo de viagem exige cuidados diferentes. Para quinze dias, optámos por uma mochila com capacidade de 40L. Mais do que isso pareceu-nos excessivo mas menos do que 30L também nos parecia pouco. Optámos pela de 40L (e comprámos as últimas três da loja!) com a certeza de que mais vale viajar com uma mochila de 40L folgada do que com uma de 30L a abarrotar.

Relação preço/qualidade | Não sei quando vou voltar a precisar de uma mochila de campismo e apesar dos critérios exigirem uma mochila de qualidade - não quero que se desfaça a meio da viagem! - não queria gastar mais de cinquenta euros na mochila. Sim, vai ficar guardada num local seguro para qualquer eventualidade - e espero que seja usada mais vezes nos próximos anos! - mas não será, certamente, algo de uso frequente. Sem ligar às cores (até porque não havia grandes opções), acabámos por comprar este modelo. E assim começaram as compras para a viagem!


Instagram: @carolinanelas

WANDERLUST | Hello, World!

Mal o avião aterrou em Mumbai percebi que aquela viagem ia mudar a minha vida. Quinze dias na Índia, numa aldeia do estado de Telangana, fizeram-me regressar uma pessoa diferente. A mesma essência mas com uma perspetiva muito diferente do mundo.

Conto-vos isto antes sequer de me apresentar porque foi aí que decidi tatuar a palavra Wanderlust no ombro, essa palavra que dá nome a este cantinho que me foi oferecido. O meu nome é Ana e sou a irmã mais velha da Carolina. Para além disso, sou muitas outras coisas, dependendo do dia, da hora, do momento, há sempre algo diferente que me define. Desde pequena que tive dificuldade em escolher “o que quero ser quando for grande” - e acho que essa resposta nunca chegará, porque o Mundo é demasiado fantástico para nos contentarmos com uma parte tão ínfima dele.

Não sei se "tenho em mim todos os sonhos do mundo", mas nos meus sonhos cabe o mundo todo.

De mim, podem esperar histórias de viagens - vividas, lidas ou sonhadas - e banalidades do mundo e da obsessão com a organização que não me larga (nem eu a ela). O resto… logo se vê. 


Artigo de Ana Nelas.

Estou dividida entre quatro coisas neste momento: trabalho, Thirteen Studio, apartamento e Inter Rail.

1+3 | Coragem

Numa aula da Faculdade, uma professora - Professora Doutora, com um currículo invejável e respeitada na comunidade académica, como gosta de ser conhecida - decidiu insultar-me no silêncio de uma sala repleta de alunos universitários concentrados nos exercícios. "Afinal a menina é muito organizada...! E eu que pensava que era uma grandessíssima galdéria!?" - disse ela, com um sorriso nos lábios e um tom implacável que mostrava que não era bem aquele adjetivo que pretendia usar (noutro contexto usaria uma palavra ainda mais feia, com certeza).

Eu, apanhada de surpresa no meio de uma aula em que estava totalmente concentrada no que escrevia, olhei-a nos olhos e ignorei-a, continuando o meu trabalho enquanto me controlava para 1) não lhe responder na mesma moeda, 2) não sair da sala até terminar a aula e 3) não lhe bater. Acredito que a minha reação tenha estado mais relacionada com a minha incredulidade do que com o meu auto-controlo mas, se fosse hoje, fazia os possíveis para agir da mesma forma. Ela não merecia uma resposta da minha parte; não merecia ouvir a minha voz, sequer. 

Esta professora tinha o hábito de insultar gratuitamente os seus alunos e tinha (ou tem) um cadastro de situações desagradáveis e discriminação contra alunas. Contudo, até chegar a minha vez, ninguém lhe tinha feito frente. Ninguém tinha feito queixa dela - e sem queixas, depoimentos e testemunhas, pouca coisa poderia ser feita para evitar repetições e outras faltas de respeito. 

Na hierarquia académica, esta professora estava numa posição premium e podia forçar qualquer pessoa a gastar rios de dinheiro em exames, recursos e propinas e, ainda assim, não lhe garantir o certificado de Licenciado; podia dizer o que queria sem sofrer qualquer consequência pois tinha na mão o futuro de dezenas de alunos. Como não sentir essa intimidação? Como não ter medo de agir? Como não ficar calado? Também eu pensei milhões de vezes na possibilidade de ter uma cadeira pendente por vingança. 

Eu tinha 19 anos e nunca tinha falado com ela fora do contexto de aula. O que lhe dava poder para me insultar? Ela não sabia absolutamente nada sobre mim ou sobre a minha vida mas chamou-me galdéria porque lhe apeteceu. Assim. Numa aula. Numa Universidade. À frente de tantos outros alunos que podiam, ou não, conhecer-me. A ousadia dela não teve qualquer impacto na forma como os meus colegas me viam mas rebaixou-me de uma forma que eu não merecia. Nem eu, nem ninguém. Porque mesmo que eu fosse uma galdéria - que não sou -, esse seria um problema meu e ela só tinha que me avaliar enquanto aluna. A minha vida social ou a lista de homens com quem eu me relacionava não lhe dizia respeito. De todo. 

Decidi agir. Decidi fazer tudo o que estava ao meu alcance para que ela percebesse que o seu estatuto não lhe permitia denegrir a imagem de outras pessoas. Não consegui ficar quieta nem calada. Aquela pessoa não tinha o direito de me rebaixar, de me intimidar, de me fazer sentir mal, de me fazer ter medo de ir às aulas e de ser novamente envergonhada à frente de todos os meus colegas.

Depois de queixas na Direção, semanas terríveis para o meu bem-estar e um apoio extraordinário dos meus colegas (que presenciaram a situação e/ou que decidiram falar sobre acontecimentos semelhantes), a professora deixou de dar aulas no nosso curso e eu senti um alívio impagável. Senti que tinha feito o que estava correto. Por mim, pelos meus colegas de turma, pelos alunos mais novos e por todos aqueles que eventualmente assistiriam àquelas aulas nos anos vindouros.

Hoje, e com a situação ainda entalada na garganta, consigo reconhecer que devo estar orgulhosa por ter mantido a postura no momento crucial que me poderia fazer perder a razão e por ter sido capaz de mudar a vida de muita gente - não só no que às unidades curriculares diz respeito mas também às revoltas pessoais e emocionais que ações deste calibre conseguem provocar.

Acredito que o mundo acaba por castigar quem não tem uma conduta ética e profissional. Acredito que o estatuto não é uma bolha de proteção e que, quando a maldade está entranhada na pele de quem age, essa pessoa irá sofrer as devidas consequências. Escolher não ficar calada foi uma das decisões mais difíceis que tomei na minha vida mas foi também uma das mais corretas e importantes.

Não se deixem pisar - vamos sempre ter coragem para lutar pela nossa dignidade e pelos nossos Direitos.