Thirteen

1 + 3 | Os Líderes de Hoje

Tenho ouvido e lido muitos argumentos sobre a necessidade de haver mais mulheres em cargos de chefia, mas para choque de muitos - sobretudo para aqueles que não conhecem bem o significado da palavra "feminista" - discordo plenamente dessa afirmação. Não me interpretem mal: observo com clareza um mundo nitidamente dominado por homens e onde as mulheres ainda são, em muitos países e em muitas situações, discriminadas por terem nascido mulheres. Condeno essa atitude sem pensar duas vezes. Porém, da mesma forma como acredito que ser homem não deve ser motivo para se ser considerado superior, também acredito que ter nascido mulher não pode ser um cartão de livre-trânsito rumo a um determinado cargo ou emprego.

O preenchimento de quotas nunca me agradou. Compreendo a ideia basilar dessa regulamentação, mas em termos práticos não me parece correta. Nós não precisamos de mais mulheres - ou de mais homens - em cargos de chefia. Nós precisamos de pessoas competentes. Seja numa dimensão mais pequena como a da entrada de uma nova marca no mercado, ou numa dimensão mais alargada como a da liderança de um país inteiro, é de esquecer as balanças e as percentagens. Precisamos de pessoas que cumpram os critérios e as exigências, que tenham capacidade para resolverem os problemas que as tarefas que têm em mãos provocam e que façam o seu trabalho de forma clara, coesa e ilustre. O mundo precisa de pessoas com garra, que arregaçam as mangas e que criam estratégias. De pessoas com vontade de aprender e de concretizar sonhos (os seus ou os dos outros).

O género é absolutamente irrelevante quando acreditamos que o que está em jogo é maior do que aquilo que não controlamos. Se lutamos para que ter nascido mulher não seja imediatamente um obstáculo na nossa corrida... fará sentido obrigar uma sociedade a ter equipas baseadas em percentagens e não em competências?


BRAGA, PORTUGAL | Museu D. Diogo de Sousa

O Museu D. Diogo de Sousa, criado em 1918 e nomeado assim graças àquele que foi o arcebispo de Braga entre 1505 e 1532, é uma referência na área da Arqueologia. 

O acervo do Museu inclui coleções de arqueologia de toda a região Norte de Portugal e dá a conhecer a história de Bracara Augusta, desde a época Paleolítica até à Medieval. Entre peças de cerâmica, jóias, utensílios cuidadosamente recuperados, moedas do Alto Império e até um mosaico romano, o Museu possui aquela que é considerada a “melhor coleção de miliários da Europa” (visível na última sala da exposição, e reunida pelo próprio D. Diogo de Sousa) e dá a conhecer a vida dos nossos antepassados através de maquetes que ilustram o dia-a-dia na cidade.

A visita inicia-se com uma breve abordagem à história do Museu e, posteriormente, quatro salas dividem as peças expostas cronologicamente. Aqui viajamos no tempo sem dar conta da passagem das horas e, para os que gostam particularmente de história, esta é uma viagem imperdível. Recomendamos a visita guiada para uma experiência ainda mais especial.

Para além disto, o Museu possui ainda um laboratório de restauro e serviços técnicos especializados. Não está aberta ao público mas esta sua área tem sido responsável pela preservação do património arqueológico local e regional.


INSTAGRAM | @andreiamoutinho

Sempre que vejo uma fotografia da Andreia - @andreiamoutinho - no Instagram, fico com ainda mais vontade de conhecer o mundo, de adicionar mais um elemento ao apartamento, de explorar lugares diferentes e de arriscar mais no meu quotidiano, na minha marca, no meu blogue. Não sou tão fotogénica como a Andreia, é certo, mas revejo-me na sua vontade de ser feliz, independente e culta.

Cada fotografia é sempre mais do que uma fotografia e que cada momento é sempre mais do que aquilo que um clique retratou. Entre azulejos, mantinhas, pequenos-almoços, piscinas, monumentos de sonho e a maravilhosa luz de Lisboa, o perfil da Andreia é daqueles que vale a pena visitar dia após dia, com a certeza de que seremos sempre contagiados pela felicidade e tranquilidade que ela nos transmite.

LIVRO | O Tatuador de Auschwitz

Por ter lido "O Tatuador de Auschwitz" durante a minha viagem por países bastante afetados pela Segunda Guerra Mundial, este foi um livro que me marcou profundamente. Apesar de ser uma leitura fluída, o tema é arrepiante e quando combinamos isso com uma visita aos locais abordados nas páginas que lemos, o peso dos parágrafos aumenta.

"O Tatuador de Auschwitz" conta-nos a história de dois prisioneiros que sobreviveram aos terrores da Alemanha Nazi e que se apaixonaram para nunca mais se afastarem um do outro. Lale, o protagonista (que certamente preferia não o ser), decidiu contar a sua história em 2003. Heather Morris entrevistou-o ao longo de três anos num processo longo e difícil de confiança e memórias negras. Segundo a autora, “este homem, o tatuador do mais infame dos campos de concentração, manteve o seu segredo seguro por acreditar, erradamente, que tinha algo a esconder” e só decidiu que o mundo merecia saber a verdade após o falecimento da sua esposa, que protegeu no campo de concentração quando ainda mal a conhecia e que continuou a proteger até ao fim dos seus dias.

"O Tatuador de Auschwitz" mostra-nos o melhor e o pior do ser humano nas condições mais terríveis e nas piores circunstâncias e marca-nos por ser fiel aos acontecimentos sem se tornar demasiado descritivo - até porque não precisamos disso para termos noção do horror que se vivia diariamente e das atrocidades que perseguiam os prisioneiros. Este é um livro para se ler num par de dias (ou nem tanto) e, mais do que um livro, é a prova de que as pessoas não são (nem podem ser) números.

É difícil distanciar o livro da minha visita a Auschwitz-Birkenau, e creio que ninguém conseguiria fazê-lo, mas não vejo este entrançado como algo negativo. Afinal, "O Tatuador de Auschwitz" é a realidade de um momento negro que durou tempo a mais e não seria correto fingir que não aconteceu - "precisamos de conhecer o nosso passado para que não cometamos os mesmos erros no futuro".

BERLIM, ALEMANHA | A Estadia

Um Inter Rail é uma viagem bastante versátil, adaptável a qualquer tipo de turista. E se por um lado há quem prefira viajar sem estadia marcada, dormir em estações de comboio (ou no hostel que encontra quando anoitece), desenrascar-se consoante o que vai aparecendo e partir à descoberta (quase) sem rumo, por outro há quem prefira ter um maior controlo das coisas, fazer reservas e planear (pelo menos) o básico. Nós inserimo-nos no segundo grupo. 

Em Berlim, ficámos neste apartamento. Localizado numa rua calma na parte oriental da cidade - onde muitas culturas se misturam -, foi renovado recentemente e tem uma estação de metro a poucos passos de distância. Não é um apartamento central mas tem uma boa rede de transportes à sua volta e, para além de ser extremamente confortável e seguro, permitiu-nos ter uma noção diferente da cidade (uma área que provavelmente não conheceríamos se ficássemos alojados noutra parte de Berlim).

O preço foi o menos simpático. A estadia em Berlim foi a mais cara e o preço das três noites neste apartamento ficou-nos por 543,97€ (108,79€ por pessoa) - ainda assim, foi uma boa escolha tendo em conta as restantes casas que vimos e que, para além de mais caras, não tinham as mesmas comodidades.