Thirteen

SAÚDE | Último dia!

Ainda é cedo para dizer que estou livre de medicação, mas hoje tomei o último comprimido - depois de 8 meses a fazer redução - e alcançar isso num ano tão estranho e atípico é, para mim, motivo de orgulho. 

Há (mais de) quatro anos que a medicação faz parte do meu dia-a-dia e confesso que, em plena pandemia, pensei que iria lidar muito pior com a redução da medicação, sobretudo porque ainda tenho algumas cicatrizes por curar e o período de confinamento agravou algumas delas. No entanto, os medicamentos foram reduzindo e eu fui lidando com as situações na mesma - há um ano eu não tinha sido capaz, especialmente sem voluntariado, sem ginásio e no meio de grandes responsabilidades profissionais. 

Viver com ansiedade e depressão não é fácil, mas - e aqui falo por experiência própria - é pior ainda quando não conseguimos deixar de recorrer a medicação para sermos, simplesmente, normais. A nossa saúde mental precisa da ajuda dos fármacos, mas o facto de precisarmos desse apoio faz-nos sentir incapazes e partidos. É uma gestão difícil e muito frustrante.

Os próximos dois meses serão cruciais para a decisão de retomar os medicamentos (ainda que na dose mais baixa) ou abandoná-los definitivamente. Este era um dos meus objetivos para 2020 (depois de já o ter sido em 2019), por isso... Fingers crossed!

LIVRO | Uma Questão de Conveniência

Conquistada pela capa, adicionei "Uma Questão de Conveniência" ao meu carrinho de compras e fiquei a conhecer Keiko, uma mulher japonesa de 36 anos, que trabalha numa loja de conveniência desde os 18 e que, sem marido, namorado ou filhos, lida com a insensibilidade e a preocupação dos seus familiares e amigos, esforçando-se por se enquadrar nos padrões da sociedade. 

A história, passada no Japão, aborda o papel da mulher e acaba por funcionar como uma chamada de atenção para todas as expectativas que são depositadas em cada um de nós (sem sequer nos apercebermos disso). O romance é curto e leve, mas é suficiente para apresentar Keiko, a personagem principal, de uma maneira muito crua e realista, assim como as suas tarefas profissionais (bastante simples e robóticas). 

Sayaka Murata, a autora, criou um romance repleto de sentimentos, dúvidas e drama, mas fê-lo de uma forma muito imprevisível e cómica. Esta é, sem qualquer dúvida, uma leitura muito caricata (e até um pouco bizarra), mas com uma reviravolta surpreendente (demasiado, talvez!) e perfeita para quando não queremos debruçar-nos em livros pesados e histórias que deixam um nó na garganta e o coração apertado.

"Uma Questão de Conveniência" lê-se num instante e, infelizmente, pareceu-me que algumas partes da história foram apressadas, mas a curiosidade não nos deixa largar Keiko, a mulher tímida e introvertida, por vezes com traços de uma depressão pouco mencionada, que procura sempre uma solução para tudo. 

No final, fiquei com a sensação de que Murata pretendia criar uma crítica social que fosse, em simultâneo, divertida e séria, mas a verdade é que o livro é muito mais do que isso e apenas peca pelo seu tamanho reduzido. Existem algumas pontas soltas e capítulos que precisavam, na minha opinião, de uma exploração mais profunda, mas "Uma Questão de Conveniência" não deixa de ser uma leitura leve, cómica e, acima de tudo, original e diferente. Ideal para um serão depois de um dia de trabalho!


Instagram: @carolinanelas

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LIVROS | Como organizo o meu Goodreads

Aderi ao Goodreads em maio de 2019 e, desde então, tenho registado as minhas leituras nesta rede social dedicada à literatura. Na minha conta estão registados mais de 600 livros (sendo que a maior parte está na estante das obras que me despertaram curiosidade e que quero ler) e tem sido maravilhoso descobrir, com facilidade, as histórias que melhor se enquadram nos meus gostos.

É verdade que, quando criei a minha conta, achei que esta era uma rede social confusa, com um design péssimo (aqui, o conteúdo literário é o que realmente importa) e muito pouco intuitivo, mas à medida que fui adicionando livros e utilizando a aplicação (para mim, mais amigável do que o website), acabei por criar um perfil único, que me ajuda na hora de escolher a próxima leitura e que reúne as minhas opiniões mais sinceras. Hoje partilho convosco como decidi organizar as estantes (nome dado às etiquetas que aplicamos a cada livro e que nos permitem classificá-los) do meu Goodreads:

Want to Read | Neste momento, esta estante tem 526 livros. Sempre que vejo algo que me parece interessante, adiciono-o a esta lista com a intenção de, um dia mais tarde, o ler. Aqui incluo tudo e mais alguma coisa, não fazendo diferenciação entre géneros ou idiomas. Os livros infantis convivem alegremente com os livros científicos e a nossa maravilhosa Língua Portuguesa mistura-se com a Inglesa sem dramas. 

Next | Estes são os livros que já comprei, que me ofereceram ou emprestaram. Neste momento, são 13 (coincidências bonitas!) e farão parte dos meus dias ao longo dos próximos meses. Esta estante foi criada por mim para me ajudar a perceber 1) que não preciso de comprar mais livros e 2) qual será a minha próxima leitura. Para mim, faz todo o sentido.

Currently Reading | Apenas leio um livro de cada vez, pelo que esta estante é a mais simples de todas. No entanto, continuo a utilizá-la pois permite-me registar o progresso da minha leitura e registar as datas em que me debrucei sobre uma determinada obra. Para quem gosta de ler vários livros em simultâneo, esta também pode ser uma estante útil na hora de organizar leituras e ideias.

Read | Os livros que li, obviamente. Já registei 75 no meu perfil e faço questão de utilizar a funcionalidade da pontuação quando termino, pois isto ajuda o algoritmo da plataforma a sugerir-me outros livros considerados relevantes ou interessantes para mim. Sempre que possível, também coloco uma review em cada um deles (normalmente a mesma que escrevo para o blogue) para ajudar futuros leitores a decidirem se aquele é, realmente, o livro que procuram.

Josefinas' Book Club | Quando leio um livro que se enquadra no conceito do Clube de Leitura da Josefinas, pelo qual estou responsável a nível profissional, coloco-o nesta estante. Na Josefinas não recomendamos livros sem que (pelo menos) uma de nós os tenha lido, pelo que é importante assegurar uma lista de sugestões que cumpram os critérios deste Clube de Leitura. Todos os meses são sugeridos dois livros nas redes sociais e no blogue da marca e esta lista permite que o Clube de Leitura não funcione apenas nos meses em que temos disponibilidade para ler mais do que uma obra.

LIVRO | O Pequeno Caderno das Grandes Verdades

"O Pequeno Caderno das Grandes Verdades" começa com uma questão - o que aconteceria se todos disséssemos a verdade? - e faz-nos questionar, de uma forma muito natural e quase automática, a nossa própria vida, as nossas escolhas e as nossas relações. 

Nesta obra, Claire Pooley apresenta-nos seis personagens, aparentemente aleatórias, que se cruzam nas histórias umas das outras apenas porque Julian, de 79 anos, decide que está na hora de começar a dizer a verdade e cria "O Projeto da Autenticidade".

Para mim, este livro revelou uma leitura tão boa, querida e surpreendente que me faltam palavras para explicar exatamente como me senti ao lê-lo. A forma como Claire Pooley cria personagens tão diferentes umas das outras (mas tão complexas e semelhantes em simultâneo) deixou-me encantada e esta leitura foi uma lufada de ar fresco em pleno verão. 

"O Pequeno Caderno das Grandes Verdades" é, ironicamente, uma história repleta de mentiras e aparências, mas é precisamente isso que o torna especial. Quando achamos que está tudo revelado... a autora atira-nos mais uma novidade pela qual não esperávamos. E no meio de encontros e desencontros (mais ou menos) planeados, há tempo para abordar assuntos tão sérios como o papel da mulher na sociedade, os vícios, a pressão das redes sociais ou a solidão (que é, na verdade, o que une as seis personagens). Um livro pertinente que encantará muitos de vocês, de certeza!


Acompanhem as minhas leituras no Instagram, através de #ABibliotecaDaCarolina.

 

Um destes já é meu!

Fotografia: Alice&Co