"Quando
eu era pequena, se me perguntassem o que eu queria ser quando fosse
grande, eu rapidamente respondia que queria ser engenheira e que queria
estudar na FEUP (provavelmente por influência do meu tio que estudava aí
quando eu era criança e das horas que eu passava a ver Discovery
Channel). Eu queria fazer robôs. À medida que fui crescendo comecei-me a
aperceber do quanto gostava de matemática e física, no entanto sempre
tive de ouvir coisas do género "Gostas de Matemática? Isso é porque ainda
não viste o que é matemática a sério. Vais ver quando chegares ao
secundário". Tal nunca aconteceu. No entanto, isto não agradava nada à
minha família.
Eu
sempre tive boas notas, ou seja, sempre tive aquela pressão de ir para
medicina. Graças a isso não me deixaram inscrever em Geometria
Descritiva e obrigaram-me a escolher Biologia e Geologia, disciplina que
eu odiava com todas as minhas forças. Isto chegou a um ponto tão mau
que eu deixava perguntas por fazer nos testes, para assim poder baixar a
minha média e, quando fosse altura, não ter nota para me candidatar. Na
minha cabeça de adolescente isso ia resolver o problema. E foi o que
aconteceu, mais ou menos. A minha família deixou de me chatear com
medicina e passou a ser dentária ou farmácia. Chateavam-me tanto com
isso que eu estava quase a ir para farmácia. No entanto, no dia em que
fiz a candidatura, não sei bem que me deu, pus farmácia na 3ª opção e no resto engenharias. Acho que não vale a pena referir o rebuliço que
foi em minha casa no dia seguinte. Mas foi a melhor coisa que fiz. Acabei
por entrar no Mestrado Integrado em Engenharia Eletrotécnica e de
Computadores na Faculdade de Engenharia do Porto. Estava nas minhas sete
quintas.
O
primeiro ano é um pouco teórico. Tem-se muita matemática, física e
programação. As vezes torna-se um pouco frustrante já que é o ano todo
da mesma coisa mas a verdade é que um engenheiro tem de ter boas bases
nestas cadeiras mas simples. Elas ensinam-nos a pensar da maneira
correcta, por nós próprios, a sermos nós a arranjar uma forma de nos
desenrascar, a arranjar maneiras diferentes de fazer as coisas.
No
segundo ano começamos a ter cadeiras mais práticas. É mais divertido,
não se pode negar. É muito melhor fazer coisas do que apenas projetá-las
num papel. Podem ser coisas muito simples como ligar uma luz ou uma
campainha mas fazendo tu o circuito em vez apenas desenhá-lo. Durante este
ano aprende-se a ter respeito pela Eletricidade. Ao início eu tinha sempre
medo de me eletrocutar em alguma coisa mas aprendi que desde que se
tenha cuidado e se respeitem as regras nada de mal nos vai acontecer.
No
final do segundo ano escolhemos a área em que gostaríamos de fazer o
nosso mestrado. Pode-se escolher “Telecomunicações, Electrónica e
Computadores” onde se faz um pouco de tudo, desde Microeletrónica a
Comunicações Multimédia, “Energia” onde se aprende sobre a rede
elétrica, mercados e energias renováveis ou então “Automação”, que é
aquela onde eu espero entrar e onde se aprende a fazer robôs, entre
outras coisas, como por exemplo gestão ou sistemas industriais. Sim, o
meu sonho ainda é fazer robôs.
Como
podem ver, ao entrar para este curso não significa que se trabalhe com
circuitos a vida inteira. A verdade é que um engenheiro pode acabar a
fazer qualquer coisa. Ao longo do curso temos tantas cadeiras de tantas
áreas diferentes que no final estamos classificados para fazer de tudo um
pouco, tal como se espera de um engenheiro.
Quanto às notas, elas não são boas mas claro que há cadeiras e cadeiras. No
geral, em engenharia há más notas e rezam as lendas que o meu curso é o
pior a esse nível. Quando temos mais de 10 num exame é realmente motivo
para festa. Professores
há de todos os tipos. Há aqueles que realmente se importam e tiram
dúvidas e depois há aqueles que, se fores falar com eles com uma dúvida
sobre a cadeira eles são capazes de responder que o trabalho deles não é
ensinar. Isto acontece pois para alguém trabalhar em projectos na
faculdade também tem de dar aulas. Muitos sabem muito sobre o assunto que
estão a dar, simplesmente não são capazes de transmitir essa informação.
Em
relação à Praxe, posso dizer-vos que na FEUP é muito divertida. Não há a
pressão de ir a todas as actividades e os doutores estão lá para vos
ajudar. Nos primeiros dias, não tenham medo de perguntar por alguma
sala, como se arranja casa ou qualquer género de duvida. Vão ser
ajudados. Eu sei que isto é um pouco intimidante mas o melhor conselho
que posso dar é para experimentarem. Comecem a pensar por vós próprios.
Este
é um curso em que muita gente desiste a meio, é um curso com poucas
raparigas. Ser a única rapariga numa sala de aula é normal. Por isso
alguns dos professores não nos levam a sério. Já me aconselharam a
trocar de curso, já que este não era um curso para meninas organizadas.
Mas sabem que mais? Não se deixam levar por essas pessoas. Eu adoro este
curso. Aconselho-o a toda a gente que goste de matemática e física e que não se imagine a tirar nenhum curso muito teórico."
TheMaria, Aluna do Segundo Ano do Mestrado Integrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores na Universidade do Porto.
[Se tiverem dúvidas ou questões podem deixá-las na caixa de comentários. A TheMaria irá responder às vossas perguntas no mesmo espaço assim que possível.]
eu sou da FEUP e posso afirmar (pelo que sei) que este é um ótimo curso :)
ResponderEliminarNunca mais chega a opinião de Tradução, estou mega ansiosa!
ResponderEliminarAinda não a recebi, Olívia...
EliminarAinda não? Ohh.... Espero que recebas brevemente!
EliminarVais ter algum artigo deste estilo sobre gestão hoteleira ou gestão turística?
ResponderEliminarObrigada por nos dares a conhecer um bocadinho do universo universitário que se faz esconder por parte de quem se candidata.
Por agora não está nos planos porque ainda não contactei ninguém nesse curso (nem conheço). De qualquer forma vou continuar à procura até porque acho interessante mostrar as diferenças desses cursos quando comparados com o meu (Turismo, que já abordei).
EliminarAinda bem que está a ser útil (:
Tenho um grande amigo a tirar este curso em Lisboa :)
ResponderEliminarO meu irmão está a tirar este curso em Coimbra :)
ResponderEliminarHá 1 ano e tal a Maria falou-me do curso dela, via-se bem a motivação desta rapariga!
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