Thirteen

1 + 3 | Os Líderes de Hoje

Tenho ouvido e lido muitos argumentos sobre a necessidade de haver mais mulheres em cargos de chefia, mas para choque de muitos - sobretudo para aqueles que não conhecem bem o significado da palavra "feminista" - discordo plenamente dessa afirmação. Não me interpretem mal: observo com clareza um mundo nitidamente dominado por homens e onde as mulheres ainda são, em muitos países e em muitas situações, discriminadas por terem nascido mulheres. Condeno essa atitude sem pensar duas vezes. Porém, da mesma forma como acredito que ser homem não deve ser motivo para se ser considerado superior, também acredito que ter nascido mulher não pode ser um cartão de livre-trânsito rumo a um determinado cargo ou emprego.

O preenchimento de quotas nunca me agradou. Compreendo a ideia basilar dessa regulamentação, mas em termos práticos não me parece correta. Nós não precisamos de mais mulheres - ou de mais homens - em cargos de chefia. Nós precisamos de pessoas competentes. Seja numa dimensão mais pequena como a da entrada de uma nova marca no mercado, ou numa dimensão mais alargada como a da liderança de um país inteiro, temos de esquecer as balanças e as percentagens. Precisamos de pessoas que cumpram os critérios e as exigências, que tenham capacidade para resolverem os problemas que as tarefas que têm em mãos provocam e que façam o seu trabalho de forma clara, coesa e ilustre. O mundo precisa de pessoas com garra, que arregaçam as mangas e que criam estratégias. De pessoas com vontade de aprender e de concretizar sonhos (os seus ou os dos outros).

O género é absolutamente irrelevante quando acreditamos que o que está em jogo é maior do que aquilo que não controlamos. Se lutamos para que ter nascido mulher não seja imediatamente um obstáculo na nossa corrida... fará sentido obrigar uma sociedade a ter equipas baseadas em percentagens e não em competências?


4 comentários:

  1. Concordo contigo a 100%. Vejo na existência de quotas um "mal necessário" que contraria o status quo, mas odeio-as e espero que desapareçam rapidamente. A existência de "lugares reservados" a mulheres rouba-nos da nossa competência - por muito competentes que sejamos, seremos sempre "mais uma para preencher as quotas". A mesma coisa com os espaços e cargos reservados só a mulheres. Só nos prejudicam. E, no entanto, não sei se sem as quotas não continuaríamos sem sair da cepa torta...é um pau de dois bicos.

    Jiji

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  2. Percebo perfeitamente o que queres dizer. No outro dia quando foi anunciada a nova procuradora geral da República ouvi uma pessoa dizer que estava feliz por ser uma mulher. Não sabia se era competente, se foi por mérito, apenas o sexo da senhora em questão.
    No entanto, é sempre difícil ver que, havendo uma hipótese de 50% de se nascer mulher, a nossa representatividade na liderança (política ou de outras áreas) não está assim tão perto dessa percentagem. Quero acreditar que um dia vai estar mais heterogéneo, quer em termos de género como de orientação sexual, religião raça ou etnia, tal como a população. E quando assim for, que seja exactamente como dizes, pela competência e capacidade das pessoas, independentemente das suas características físicas.
    Beijinho!

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  3. "Nós não precisamos de mais mulheres - ou de mais homens - em cargos de chefia. Nós precisamos de pessoas competentes." - é isto! Partilho muito desta opinião.

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  4. Concordo e assino por baixo. Eu por exemplo odeio mandar, nao e que para se ser lider seja necessario, mas eu nao me sinto bem em cargos de chefia... talvez por preferir trabalhar individualmente, mesmo sabendo ser necessario a partilha de ideias para executarmos melhor as nossas tarefas...
    https://matildeferreira.co.uk/

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