Thirteen

ATUALIDADE | Sobre a Barbie

Nunca fui muito de bonecas, mas sempre tive a ideia de que a Barbie podia fazer tudo e que transmitia uma sensação de poder. Veterinária, médica, patinadora, vendedora de gelados, bailarina, enfermeira, editora de moda, cabeleireira, executiva, assistente de bordo, atriz, cantora, astronauta, pediatra, jogadora de futebol, piloto, presidente, ginasta, nadadora olímpica, pugilista, professora (…). A Barbie teve todas as profissões e mais algumas, viajou pelo mundo e ainda namorou (com o Ken e com a Aimee), casou (lembram-se da Barbie Noiva?), engravidou, teve filhos, adotou animais, passou a usar sapatilhas e vestiu calças quando muitas mulheres ainda olhavam de lado para essa moda. Ao longo de mais de cinquenta anos (quase sessenta!), a Barbie representou diferentes mulheres, diferentes origens, diferentes países, diferentes tipos de corpo, diferentes religiões, diferentes crenças, transmitindo um valor muito especial: "podes ser tudo aquilo que sonhares". 

A polémica que se gera frequentemente à volta da Barbie passa-me ao lado muitas vezes. Como é que um brinquedo, que mostra às crianças que não há profissões menos dignas - ou profissões apenas para homens, ou apenas para mulheres -, pode ser uma má influência? Como é que há tanta gente obcecada com o cabelo loiro, os olhos azuis e a cintura fina, quando a comunicação da Mattel demonstra a irrelevância de tudo isso?

Fiquei feliz quando, recentemente, foi lançada a coleção de bonecas com vários tipos de corpos, mas não me parece que a boneca magra e loiraça que acompanhou tantas gerações seja uma forma de diminuir as mulheres, de colocar expectativas irrealistas nas crianças ou de mostrar que ser bonita é a chave para o sucesso. Pelo contrário: a Barbie mostrou ao mundo que qualquer pessoa pode ser aquilo que deseja e que não há limite para os sonhos - que devemos sempre ir mais longe e que as pessoas devem ser homenageadas pelos seus feitos.

Agora, com a coleção que homenageia mulheres reais e que vai crescendo de ano para ano, a prova está dada. Ibtihaj Muhammad, Misty Copeland, Ava DuVernay, Eva Chen, Ashley Graham, Amelia Earhart, Frida Kahlo, Martyna Wojciechowska, Patty Jenkins, Hélène Darroze, Katherine Johnson, Yuan Yuan Tan, Sara Gama, Leyla Piedayesh, Bindi Irwin, Xiaotong Guan, Chloe Kim, Gabby Douglas, Hui Ruoqui e Nicola Adams Obe são apenas algumas das mulheres que a boneca encarnou e que vêm mostrar que a Barbie é muito mais do que a Barbie. Tudo é possível.

6 comentários:

  1. Brinquei com a Barbie desde que me lembro e sempre a achei fantástica, porque ela podia ser tudo aquilo que eu queria que ela fosse. Como era uma extensão de mim mesma, os problemas que tive com a forma como me via, nunca os associei à Barbie. Olhava para a boneca e via exactamente isso: uma boneca. E quando foi lançada a colecção com corpos de várias formas e feitios e vi as vi nas prateleiras do supermercado, fiquei encantada. Achei uma boa ideia e que também estava na altura de diversificar. Não sabia que estava para ser lançada uma nova colecção, muito menos que seria inspirada em mulheres reais! Isto é fantástico!

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  2. A Barbie fez parte da minha infância e sem dúvida que é uma imagem que vou levar para a vida! Acho uma ótima influência e realmente importa-se com a sociedade, no sentido de não discriminar ninguém!
    Beijinho, Ana Rita*
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  3. Concordo tanto com o teu post, de facto, eu também tinha a ideia de que a Barbie podia ser tudo que queria e acabava por dar sentido a certos sonhos. É mesmo aquele brinquedo que guardarei para sempre com muito carinho :)
    O facto de ser lançada com corpos de várias formas e encarnando certas personagens só demonstra mesmo que é muito mais do que uma boneca.
    Beijinhos

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  4. Carol, não tens que publicar este comentário, queria só avisar-te que escreveste obSecada e não obcecada antes de comentar o post :| Vou publicar este e comentar sobre o conteúdo eheh <3

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  5. É por reflexões como esta que eu gosto imenso de te ler e de te revisitar over and over again.
    Para mim, nunca foi polémico a Barbie ser loira e ter um mega corpaço, porque, ela era tanta coisa que eu ficava completamente embasbacada e a desejar um dia ser alguma das profissões e das pessoas que ela representava. Acho que essa polémica era apenas o povo intriguista a sê-lo com sucesso.

    De qualquer forma, claro que fico feliz por ver estas novas edições tão bem sucedidas e concebidas. Cada vez mais deixa de ser uma mera boneca e passa a ser um movimento de afirmação!
    Um beijinho.

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