Thirteen

LIVRO | A Bailarina de Auschwitz

Sabendo que iria ter uma perceção diferente de todos os testemunhos que lesse ou ouvisse depois da minha viagem à Polónia, precisei de algum tempo para me predispor a enfrentar novamente o tema do Holocausto - tive que esperar alguns meses antes de voltar a pegar em livros relacionados com a II Guerra Mundial. Visitar os campos de concentração foi um murro no estômago e, para ser sincera, não sabia ao certo como iria lidar com essa parte da História depois da viagem. "A Bailarina de Auschwitz" pôs-me à prova.

Emprestado pela minha irmã, este foi o livro que escolhi para iniciar o "Uma Dúzia de Livros". O tema de Janeiro é "Um livro escrito por uma mulher" e esta obra, escrito por Edith Eger, sobrevivente do Holocausto, pareceu-me uma boa desculpa para voltar a ler sobre esta temática. Para além de ser escrito por uma mulher, é escrito por uma sobrevivente; por uma bailarina. Senti que poderia aprender com ela nesta fase mais complicada (apesar de as nossas vidas pouco ou nada terem em comum).

Confesso que esperava um relato mais longo sobre o tempo passado nos campos da morte, pois os livros do género focam-se essencialmente nessa experiência traumatica, mas a verdade é que "A Bailarina de Auschwitz" é mais do que um testemunho do Holocausto. Edith tornou-se psicóloga depois de sobreviver às filas de seleção e usa tudo o que aprendeu enquanto prisioneira para ajudar outras pessoas. Ao longo do livro, a autora vai partilhando casos de pacientes que ajudou e explica não só como superou o seu próprio trauma mas também como as fases negativas da sua vida (em diferentes escalas) a ajudaram a aceitar-se e a ser uma pessoa positiva, apaixonada pela vida, com uma mente forte e delicada em simultâneo.

Admito que me senti um bocado otária enquanto lia a história de Edith. Tinha à minha frente o testemunho de uma pessoa extraordinária que sobreviveu aos campos de concentração, que viu o pior lado da Humanidade e da História e que mesmo assim observa tudo com um positivismo surpreendente e uma vontade de viver absolutamente destemida e carismática. Mesmo sabendo que as dores não se comparam, senti-me uma parva por passar tantos dias e tantas noites a chorar sem saber ao certo porquê. Afinal, como pode uma pessoa em pleno campo de concentração ter uma vontade enorme de viver e eu, que estou segura e que tenho uma vida tranquila, ter tantas vezes o desejo de desaparecer? É absurdo - e talvez tenha sido um livro tão marcante precisamente prlas reflexões mais profundas sobre a minha própria sorte, adicionadas ao que vi durante a minha viagem.

Também achei que, em alguns momentos, o distanciamento necessário para escrever o livro levaram Edith a romantizar a sua atitude pós-guerra, mas não posso deixar de aplaudir a sua capacidade intelectual, a sua perseverança, a sua determinação, a sua força. Edith é, sem dúvida alguma, um exemplo enquanto ser humano, enquanto mulher, enquanto profissional. E é também a prova de que nós somos aquilo que a nossa mente deixa que nós sejamos (mente essa que nós próprios controlamos).

Este é um livro que devem ler com alguma maturidade e espaço para introspeção. Recomendo sobretudo a quem está numa fase mais difícil da vida (a lutar contra uma depressão, um distúrbio alimentar, um período mais ansioso ou instável…). "A Bailarina de Auschwitz" é uma mensagem de superação e um verdadeiro abre-olhos.


Surpresa! Este será o livro que irei oferecer no próximo passatempo. Já me seguem no Instagram?

2 comentários:

  1. Parece muito interessante! Talvez seja uma das próximas compras.

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  2. Eu acho que não conseguia visitar um campo de concentração, não sei só de pensar ficou arrepiada. Eu nunca li esse livro, mas quando leio sobre o holocausto penso no mesmo. É espantoso como nos estamos sempre a queixar, mas as pessoas que passaram por isto quando escrevem, escrevem com positividade e uma paz de alma incrível.

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