Thirteen

LIVRO | O Rouxinol

Cheguei ao escritório e tinha este livro em cima da minha secretária. Perguntei de quem era e a Rita respondeu-me que o tinha trazido para mim porque achou que eu ia gostar dele. "Lê um bocadinho, se não estiveres a gostar passas para outro e trazes de volta - não precisas de o ler por obrigação" - disse-me ela. Veio a calhar, até porque o estilo literário de Fevereiro no "The Bibliophile Club" é o Romance, e eu provavelmente não iria escolher um com facilidade.

"O Rouxinol" foi o primeiro livro que li de Kristin Hannah, mas fiquei fã da sua escrita apesar de ter achado que alguns capítulos poderiam facilmente ser eliminados sem perdermos o fio à meada. É um livro pertinente, que nos proporciona uma leitura absorvente e intensa ao retratar o papel das mulheres durante a II Guerra Mundial, a ocupação Nazi e todas as regras impostas pelos alemães comandados por Hitler.

À medida que o livro vai avançando, ganhamos carinho pelas personagens, revoltamo-nos com elas, damos-lhes razão, sentimos a injustiça. Na verdade, é uma perspetiva nova por ser focada nas mulheres que lutaram o mais que puderam para, em plena guerra, cuidar das suas casas e dos seus filhos, e inda que seja uma história inventada, não deixa de se basear em factos históricos e acontecimentos reais. Os capítulos não me fizeram chorar (para quem é mais sensível neste aspeto, mais vale comprarem uma embalagem de lenços juntamente com o livro), mas fizeram-me sentir orgulho nas personagens, fizeram-me torcer pelo final feliz das duas irmãs, e fizeram-me ficar angustiada pelo que estas e tantas outras mulheres passaram em França; é inevitável aquele murro no estômago e a raiva quando conhecemos, através da narrativa, violações, traições, fomes e dores vividas exatamente assim em muitas famílias durante a II Guerra Mundial.

Contudo, é também inacreditável como no meio de tanta mágoa e tanto lixo humano, percebemos que o amor é sempre o sentimento mais forte, e aquele que nos dá mais força para ultrapassar aquilo que nos impede de viver em pleno; como as pessoas arranjam sempre mais coragem e força do que aquela que acreditavam ter. Em tempos de guerra, vê-se o pior do ser humano, mas também há quem faça sobressair o que há de melhor na Humanidade.

"O Rouxinol" é mais um livro que nos faz pensar na sorte que vivemos, que nos faz valorizar o bem mais precioso que temos: a Liberdade. Num mundo que parece não ter aprendido rigorosamente nada com o passado... este acaba por ser mais um livro obrigatório; é mais um abre-olhos. Mesmo em tempos de mágoa e guerra, não temos de esquecer os nossos valores mais puros e as nossas crenças. Temos sempre uma escolha - e ajudar os outros pode sempre ser uma opção.

2 comentários:

  1. Fiquei com curiosidade... obrigada pela partilha.

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  2. Parece-me uma boa escolha. Estou com alguma dificuldade em escolher um livro de romance.

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