Thirteen

SWEET CAROLINE | Vou morrer e não o aceito.

A única garantia que temos na vida é a de que vamos morrer. Não sabemos quando, onde ou como... e eu não sou capaz de aceitar essa imprevisibilidade. O meu funcionamento ansioso pede-me que tenha controlo sobre tudo e, ironicamente, não há nada que fuja mais do meu controlo do que a morte.

Tenho um medo terrível da morte, das doenças fatais, das catástrofes naturais, do terrorismo, dos acidentes de viação. Tenho fobia da morte - e agora sei que se chama tanatofobia - e isso condiciona-me mais do que aquilo que eu gostaria. Vivo em alerta e carrego um peso emocional obscuro, dia após dia. Conscientemente, eu sei que vou morrer, que terei de enfrentar momentos sozinha, que vou falhar, que vou errar, que as pessoas que me rodeiam também vão morrer, que os acidentes ocorrem e, infelizmente, que o terrorismo existe. No entanto, não sou (ainda) capaz de o aceitar.

Com o falecimento do meu amigo, o internamento da minha avó e o monstro que o meu pai carrega às costas, esse medo intensificou-se. Aliás, tornou-se mais próximo de mim e uniu-se àquilo que senti noutras épocas. As imagens do 11 de Setembro, os vídeos do tsunami que ocorreu na Indonésia em 2004, o falecimento dos meus tios, os diagnósticos das pessoas que me são mais queridas, os tiroteios que aparecem diariamente nas notícias... tudo isso me deixa sem chão.

Questiono-me muitas vezes sobre esta questão da aceitação da morte. Aceitamos que vamos perder os que mais estimamos? Aceitamos que um parvo vai beber demais e espetar-se contra nós na estrada? Aceitamos que os ataques terroristas fazem parte do mundo em que vivemos? Aceitamos que "o que tiver que ser, será" e que não podemos fazer nada para evitar mais dores? Como assim?

6 comentários:

  1. Já sofri desse problema, embora agora pense bastante menos nisso. Houve uma fase em que eu tinha pânico de multidões, locais públicos e de visitar grandes cidades devido a um medo enorme do terrorismo, que me afetou durante uma grande viagem... Acho que ter medo da morte é natural, mas torna-se um problema que temos de tratar quando nos paralisa :/

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  2. Percebo o que dizes... também me custa saber que um dia todos nos vamos morrer e é por isso que tento aproveitar cada momento e torná-lo único, para que no final, tudo tenha valido a pena!

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  3. Oh Carolina, percebo-te bem. Talvez não pense tanto nisso, mas também me pergunto, algumas vezes, por que é que simplesmente temos de aceitar que há um fim... A realidade, é que, por mais que custe, é mesmo assim e apenas nos resta mesmo aceitar e fazer por viver o máximo possível em todos os "agoras" que vivemos. É cliché, mas é a nossa única certeza, daí termos de fazer por estar com os nossos, por fazê-los saber o que sentimos e por irmos alcançando os nossos objetivos.
    Ter medo da morte, da nossa e da dos nossos, é válido, mas, infelizmente, não podemos deixar que isso nos impeça de andar.
    Força <3

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  4. Engraçado pensava que era uma paranóia minha. Eu tenho um medo que não consigo controlar de duas coisas: ficar só e morrer, com a agravante de envelhercer. Nâo é o envelhecer por si mas é o perder as falências e o risco de me dar qualquer coisa e virar para o outro lado que me assusta. Eu ponho me a pensar em coisas estupidas como "se calhar a partir de certa idade é melhor mesmo não ter mais animais e se morro?" coisas do género. O que eu faço para tentar esquecer é pensar que, é a morada garantida para todos, e que não vale a pena lutar contra isso. Como dizem no filme "Meet Joe Black" só há dois coisas que não consegues resolver neste mundo: impostos e morte. Então o que eu quero e faço é esquecer isso. Já perco muito tempo a pensar no que não devo e então vou mas é aproveitar o máximo que posso porque quando chegar a essa época pelo menos sei que vou sem medo de me arrepender :)

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  5. Compreendo esse teu medo que também me assombra muitas vezes. Por um lado o meu "eu racional" diz-me que a vida é mesmo assim e que a aceitação é essencial para chegarmos a uma certa tranquilidade que nos permita viver e não sobreviver. Por outro lado o meu "eu emocional" deixa-me cheia de medo desses momentos. Acho que temos mesmo que encontrar um equilíbrio e não podemos deixar que isso condicione negativamente a nossa vida.

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  6. Eu não penso muito sobre a morte e falo sobre ela com alguma leveza mas também me assusta o facto de amanhã eu poder já não estar cá ou, pior ainda, estar agora na Islândia e acontecer algo aos meus pais e ao meu irmão e amigos mais próximos.

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