Thirteen

LIVRO | O Farmacêutico de Auschwitz

Já li muita coisa sobre a II Guerra Mundial mas é incrível - não necessariamente bom, mas inacreditável - como há tanta coisa para descobrir sobre esta época tão negra. Não tendo acontecido há tanto tempo assim, seria de esperar que os factos fossem mais concretos, que as informações não andassem escondidas por aí e, principalmente, que os culpados fossem punidos pelos crimes que cometeram. Infelizmente, "O Farmacêutico de Auschwitz" é mais uma prova de que não foi feita justiça.

Por muito que leia sobre a II Guerra Mundial, fico sempre surpreendida com as atrocidades que foram praticadas nos campos de concentração (e não só), mas quando li "O Farmacêutico de Auschwitz"  não só fiquei surpreendida como também senti uma enorme revolta durante o momento de leitura. Esta não é uma leitura difícil, mas é uma leitura pesada a nível emocional.

"O Farmacêutico de Auschwitz" não é um livro qualquer, é um relato real - chocante e arrepiante - que nos mostra o outro lado dos campos de concentração: o das grandes empresas, o dos gigantes que beneficiavam com o radicalismo nazi e que enriqueciam com as mortes dos prisioneiros. Esta é a história de um homem (que nem sequer era alemão) que escolheu ficar do lado errado da História e que nunca demonstrou uma pinga de arrependimento. O livro é o resultado de uma investigação minuciosa sobre a vida de Victor Capesius, um representante da Bayer que deliberadamente se tornou cúmplice da monstruosidade que todos conhecemos.

Patricia Posner, de uma forma muito realista e sem floreados, explora como farmacêuticos, médicos e enfermeiros deitaram ao lixo o Juramento de Hipócrates para fazerem parte de uma máquina de tortura e de morte. É através de um relato detalhado, com muitas referências bibliográficas, que a autora nos confronta com situações que nos revoltam. Enquanto lia, dei por mim a acenar com a cabeça em jeito de desaprovação perante as atitudes de Capesius, a cerrar os punhos perante a posição da Bayer (a multinacional farmacêutica que ainda hoje existe) e a ter que fazer pausas para que a revolta não se apoderasse de mim.

"O Farmacêutico de Auschwitz" é duro por descrever os campos de concentração e o que ali se viveu, mas é igualmente revoltante por focar a parte do pós-guerra e os julgamentos que não deram em nada, que não colocaram causa nem uma décima das atrocidades cometidas. Capesius passou metade da sua vida a fingir que não foi uma das peças-chave da máquina da morte... e não foi o único. "O Farmacêutico de Auschwitz" é um murro no estômago e não tem nada de bonito - não é um romance, é um pedaço de História que fica esquecido vezes demais.

5 comentários:

  1. De todos os livros sobre a II Guerra, todos eles me arrepiaram de tudo o que acontecia. Certamente, este não será diferente, já que entro para a minha lista de livros a ler!

    Beijinhos,
    Ella Morgan
    https://moonlightfelicitydestin.blogspot.com

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  2. Olha fiquei muito curiosa com a tua opinião, realmente nunca pensei no lado dos farmacêuticos e médicos que nunca impediram o que viam... Vou acrescentar à minha lista!

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  3. Já tinha ouvido falar desta "polémica" com a Bayer e o Holocausto mas desconhecia que envolvesse intervenções directas da empresa nos prisioneiros dos campos. As experiências médicas do Holocausto sempre foi um assunto que me despertou interesse mas sobre o qual nunca li - obrigada por esta dica :)

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  4. O último livro que li sobre a II Guerra Mundial foi "O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz". Compreensivelmente os relatos de crueldade foram aligeirados mas, na minha opinião, é uma obra magnífica. Não conheço "O Farmacêutico de Auschwitz" mas parece-me, pela tua partilha, uma obra mais dura e forte. Na minha opinião, mesmo com toda a crueldade, é importante ler e recordar para não esquecer nem repetir os mesmos erros. É, sem dúvida, uma obra que vai para a minha lista de leitura.

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    1. Comprei "O Rapaz que Seguiu o Pai para Auschwitz" no mesmo dia, mas ainda não o li. Quando o tema é assim tão pesado, não consigo ler dois seguidos, sobretudo depois de ter visitado Auschwitz. Recomendo muito que leias este, apesar de ser duro.

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