Thirteen

SAÚDE | Vamos parar de fingir que não é nada?

Há uns meses perdi completamente o controlo e o desfecho da situação poderia ter sido muito feio. Envergonho-me muito desse dia, sobretudo porque não me consigo lembrar do momento crítico - existe um espaço em branco na minha memória, que me assusta e me faz ter medo de perder o controlo de novo.

Não sei o que é não viver com ansiedade e por isso acredito que também seja difícil de perceber o que é, realmente, viver com ansiedade ou depressão ou uma combinação de ambas. Eu não o sei explicar, e acredito realmente que a maior parte das pessoas não o consiga compreender - gostava de não o compreender também.

Vivemos numa sociedade terrível. Numa sociedade de merda. 260 milhões de pessoas sofrem de distúrbios mentais em todo o mundo, sendo que a depressão e a ansiedade são as patologias mais frequentes e, mesmo assim, ainda é algo que se ignora, que se deixa andar, que não é levado a sério, que se resolve num estalar de dedos.

Há uns dias, a Vanessa escreveu que "o facto de alguém ter os lábios pintados não significa que não esteja mal" e referiu também que "depressão ou tristeza não tem rosto, nem maquilhagem, nem roupa" e é exatamente isto que tento transmitir quando escrevo sobre estes temas. As redes sociais mostram apenas o lado bom da vida, e quando vemos um sorriso não podemos esquecer que há muitas coisas que guardamos para nós, que os ataques de pânico, os medos e as sessões de choro não são publicadas e que a falta de ar e as doses de medicação não são partilhadas.

Sair de casa, fazer uma chamada, tocar numa campainha ou ir a uma reunião pode ser algo simples para muita gente, mas também é um tormento para tantas outras pessoas. Não é mariquice, não é mimo, não é nervosismo; é algo muito mais complexo e difícil, que não escolhe idades, géneros, nacionalidades ou cores de cabelo. Vamos parar de fingir que está tudo bem? Se estas são as doenças do século XXI, porque não são tratadas com a seriedade que merecem?

2 comentários:

  1. Ainda à pouco escrevi sobre isso num grupo de hemodiálise brasileiro onde as meninas diziam que durante o tratamento ou até mesmo no fim sofriam ataques de ansiedade e de pânico.
    Perguntei se ocupam as 4 horas de tratamento com algo, até que alguém me disse que só sabia quem sofria.
    Lá está qualquer pessoa olha para mim ou para as minha fotografias e vai pensar "ela jamais sabe o que é ansiedade ou o que quer que seja", errado sei sim, aprendi e vou aprendendo todo os dias a combater qualquer sintoma que me possa aparecer ao mínimo alarme eu tento concentrar-me e respirar fundo e acima de tudo a invocar a calma e a paciência.
    Muitas das minhas médicas e pessoas conhecidas dizem que olha para mim e que ultimamente mais do que nunca eu transmito calma, mas as mesmas que dizem isso já me viram desesperada a chorar, a suplicar que me ajudassem que não aguentava mais.
    Tomo antidepressivo e calmantes? Tomo sim, ajudam imenso, mas nada me ajuda mais do que tentar controlar-me e tentar manter-me calma é difícil mas devagarinho é possível.
    Não podemos nem devemos julgar as pessoas apenas pelo aspecto, muitas vezes ninguém imagina o que vai no pensamento, no coração e na alma de cada um.

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  2. É tão isto, Carolina. As pessoas não sabem o que está por de trás de uma foto de sorriso rasgado e a vida não é cor de rosa só porque as pessoas se continuam a levantar e a seguir a sua vida, pelo contrário e como tu referes, ninguém sabe - à excepção de quem sofre com isto - o que custa levantar e fazer todas as tarefas planeadas para aquele dia.
    Não sofro de ansiedade, mas lidei de perto com ela e acho que está mais do que na hora de parar de tratar estes problemas como algo tão leve e e de tão fácil resolução.
    Temos de continuar a fazer barulho, até ouvirem. Força, estou do teu lado <3

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