Thirteen

CINEMA | Rocketman [2019]

"Rocketman" retrata a vida de Reginald Kenneth Dwight. Não é um filme que irá agradar todos os públicos - e prova disso é o facto de ter sido censurado na Rússia, no Egipto e nas Ilhas Samoa -, mas está longe de ser uma longa-metragem redutora ou de se apresentar como um simples e monótono auto-elogio. "Rocketman" é mais do que uma página da Wikipédia e está associado à criatividade de Elton John em todos os momentos.

Elton John é, ainda hoje, um artista irreverente. Marcou diferentes gerações através do seu trabalho e as polémicas em que esteve envolvido foram gatilhos importantes para que diversos assuntos fossem discutidos por muitas comunidades. Em 2019, "Rocketman" aborda com criatividade esses temas delicados - a toxicodependência, a homossexualidade e a depressão - levando-nos numa viagem pela vida extravagante do artista, pelos problemas familiares, pela necessidade de se agarrar a algo, pelos amores e desamores, pela dificuldade de lidar com a fama.

Através da analepse, Elton John abraça os traumas, os excessos, as inseguranças e a desconfiança. Porém, não o faz de uma forma pesada ou depressiva; "Rocketman" é um filme colorido, com uma energia contagiante, momentos de fantasia e uma verdadeira representação da perspetiva de Elton John perante a vida. O ator principal, Targon Egerton, fez um ótimo trabalho (e não deve ter sido nada fácil interpretar o artista sabendo que este o veria no grande ecrã!) e o restante elenco acompanha-o sem hesitações dando vida às canções que todos os espectadores sabem de cor (eu incluída).

"Rocketman" é desafiador, ousado e cru. Não é apenas um musical que retrata a vida difícil de um artista que se deixa levar pelas festas, pelo álcool e pelas drogas; é uma longa-metragem forte, exagerada, barulhenta, decorada com lantejoulas, uma coleção invejável de óculos de sol e purpurinas, tal como a vida de Elton John foi (e continua a ser, ainda que de uma forma  muito mais moderada e consciente). Não é o filme de uma vida (ainda que, ironicamente, o seja para o protagonista na vida real), mas passa por locais que Hollywood costuma evitar e merece ser aplaudido.

1 comentário:

  1. Eu gostei. Mesmo, e mesmo muito. Cru e criativo, e a interpretação do Taron Egerton estava tão viva que era impossível não viver a história com ele. Also, a banda sonora é do melhor que se podia pedir.

    Jiji

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