Thirteen

LIVRO | Becoming

A curiosidade de ler o livro de Michelle Obama surgiu de imediato, mas fui adiando a leitura. No entanto, o desafio do The Bibliophile Club foi o empurrão perfeito para dar uma oportunidade à autobiografia da antiga primeira-dama americana. As mais de 700 páginas fizeram-me torcer o nariz, pois são poucos os livros desta dimensão que não me aborrecem em algum momento, mas não o suficiente para as ver como o impedimento.

"Becoming" está dividido em três partes, todas na primeira pessoa. A primeira fala-nos da infância e adolescência de Michelle, as problemáticas de viver no South Side de Chicago, as vantagens de ter uma família que sempre se preocupou com a educação dos filhos, as relações familiares e o seu percurso em particular. De uma forma muito divertida e sincera, é como conversar com uma amiga.

Na segunda parte do livro, "Nós", é-nos apresentado Barack Obama. A abordagem a uma história de amor realista - e que a própria Michelle tentou combater, ironicamente - é feita de uma forma muito honesta e tranquila, sem necessidade de embelezar situações. Michelle aborda vários anos da vida do casal, desde que se conheceram até aos primeiros momentos vividos no mundo da política, onde ser mulher não é, nem de perto nem de longe, uma vantagem (sobretudo sendo negra e com uma carreira bem estruturada e privilegiada).

Por fim, a parte mais curiosa: a eleição de Barack Obama como Presidente dos EUA, os anos passados na Casa Branca, a forma como educou as filhas, os problemas de não conseguir dar um passo sem a atenção dos jornalistas e do público em geral, as regras e os protocolos obrigatórios, as rotinas e o peso de viver na casa mais conhecida do mundo. 

Michelle trata todos os temas por "tu" e mantém o tom inicial - de amiga que partilha uma história enquanto bebe um chá a nosso lado - ao longo de todo o livro. Em certos momentos, desejei que o capítulo terminasse - existe alguma repetição, de vez em quando -, mas, no geral, só posso sentir uma admiração ainda maior pela mulher que nunca se deixou ser apenas um elemento de uma fotografia.

Michelle trabalhou em projetos incríveis enquanto era primeira-dama, e conseguiu, em simultâneo, manter os seus papéis de mãe, de esposa, de feminista e defensora dos Direitos Humanos. As curiosidades sobre os funcionários e a rotina da família longe das câmaras torna o livro mais transparente e ainda que refira alguns assuntos muito falados (talvez até em demasia), não deixa de ser um livro de conquistas, de superação e de alguém que fez - e continua a fazer - a diferença na vida de tanta gente. Sem floreados, Michelle revela o melhor e o pior do mundo da política (ou do mundo e da sociedade, em geral) e comprova, uma vez mais, que o trabalho, a dedicação e o esforço são essenciais para o sucesso.

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