Thirteen

LIVRO | Tudo o que Sei Sobre o Amor

Não sei nada sobre o amor e detestei o início do livro. Pode ser uma crítica difícil de compreender tendo em conta tudo o que se tem vindo a dizer sobre o livro de Dolly Alderton, mas a verdade é que não fui capaz de me identificar nem um pouco com a personagem principal. Tenho 23 anos e não me revi nem um pouco na perspetiva de Dolly. Uma vida regada a álcool, com múltiplos parceiros, palavrões e relações fugazes, só para ver no que dá, não é para mim.

Numa fase inicial da leitura, "Tudo o que Sei Sobre o Amor" revela-nos a juventude da autora ao lado das suas amigas, que a acompanham pelos dramas de adolescente, as paixões assolapadas e as situações que fluem de forma leve e despreocupada. Amores, desamores, conversas, álcool, drogas, sexo, encontros descomprometidos… não sei se sou eu que fujo à regra (não me parece, sinceramente) ou se as práticas reforçadas por Dolly são comuns, mas aquilo que fez tanta gente gostar deste livro - o sentimento de compreensão e o facto do leitor ser capaz de se rever nas histórias da protagonista - não me despertou a mesma curiosidade. No entanto, por outro lado, queria ver no que dava e continuei a ler, até porque o facto de não me estar a identificar não era suficientemente grave.

Felizmente, continuei a ler. "Tudo o que Sei Sobre o Amor" não é o livro de uma vida (não da minha, pelo menos) e gostava de o ler daqui a uns 10 ou 15 anos para perceber o que mudou na minha forma de ver a vida. "Tudo o que Sei Sobre o Amor" é um livro sobre amores e desamores, mas também é uma boa chamada de atenção para aquilo que nos rodeia: as amizades, os sentimentos das pessoas que fazem parte da nossa vida, as decisões que afetam mais do que a nossa própria vida.

Dolly passou muitos anos perdida. Passou por um pouco de tudo e encontrou sempre uma nova força, uma nova energia. Entre as recordações nostálgicas e festas, os caminhos foram sendo marcados com a certeza de que uma miúda cheia de personalidade estava prestes a pisá-los. O livro vai avançando de uma forma muito leve e fluída e ainda que não seja um livro que proporciona empatia imediata (a não ser que tenham histórias semelhantes), as memórias seguem uma linha muito característica. Com o avançar da história, compreendemos que não se trata de uma glorificação dos excessos, mas sim uma preparação para as aprendizagens que daí surgiram. Em tudo, por muito parvo que seja, existe um lado bom, e ainda que a vida não corra como planeamos (se é que conseguimos fazer planos), raramente é o fim do mundo. O amor é muita coisa… e tanto pode ser um pedido de casamento no aeroporto como uma receita de ovos mexidos.

Com sentido de humor (muito próprio, diga-se!) e um tom muito descontraído que se ajusta ao relato dos excessos sem cabeça, "Tudo o que Sei Sobre o Amor" acaba por evoluir com a idade da personagem principal e acaba por gerar compaixão e empatia ao longo dos capítulos. Este não é um livro que prende desde o primeiro capítulo, mas está cheio de lições e questões que todos os leitores irão interpretar de uma forma singular. Percebi que não sei mesmo nada sobre o amor, mas que isso não é muito importante. Afinal, pouca gente sabe… e não faz mal. O saldo é positivo. "Tudo o que Sei Sobre o Amor" é um livro de verão.


Instagram: @carolinanelas

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