Thirteen

1+3 | 5 Coisas que Aprendi com as Pessoas que Perdi

Um abraço não cura tudo, mas ajuda muito | O meu tio Júlio lutou contra o cancro durante quatro anos e, infelizmente, perdeu a batalha. Nas suas últimas duas semanas de vida, os dias foram dolorosos e difíceis, a nível físico e emocional (muito mais para ele, claro, mas neste segundo aspeto também para todos os que o rodeavam). Uma das coisas que recordo com o maior carinho é do seu abraço apertado - mesmo no dia em que foi internado, que não tinha forças para falar, esboçou um sorriso e acenou quando lhe disse que o que ele precisava "era de um abracinho". Um abraço não cura o cancro e não faz com que os órgãos regenerem, mas torna os momentos difíceis ligeiramente melhores e mostra-nos que, mesmo quando a vida é madrasta e injusta, não estamos sozinhos.

A vida é curta demais | Pode parecer um lugar-comum, mas o que mais ouvi no velório do meu amigo Belchior, que nos deixou cedo demais, foi que ele viveu à grande, que foi feliz apesar de ter tido uma vida curta e uma partida inesperada. Perder o Bel foi um choque do qual ainda não recuperei, mas deixou-me (a mim e a muitas outras pessoas, certamente) uma lição muito importante: fazer sempre o que o coração manda. No final, é preferível arrependermo-nos do que fizemos do que ficar a pensar no que aconteceria se o tivéssemos feito. Por muito cliché que possa soar, a verdade é mesmo esta: nunca sabemos quando é o último dia de alguém que nos é muito querido.

Estar informado é essencial | A minha avó não sabia escrever, mas aprendeu a ler e todos os dias lia o jornal de uma ponta a outra. Se tinha mais do que um para ler, lia-os por ordem cronológica, em vez de ignorar os mais antigos. Via as suas novelas no fim do jantar, mas durante o dia via as notícias. Estar a par daquilo que se passava no mundo era, para si, essencial, e acredito que isso a tenha mantido sã durante tanto tempo. Capaz de discutir qualquer assunto, alguns com maior detalhe do que outros, claro, mostrou-me que a sabedoria não ocupa espaço e que estar informado torna-nos pessoas melhores, mais completas e mais poderosas.

Por vezes, o amor não é suficiente | Não é propriamente uma aprendizagem por si só, pois sempre defendi esta premissa, mas uma coisa é sabê-la e outra totalmente diferente é vivê-la. Eu e o Gui estivemos juntos cinco anos e durante esse tempo ele foi excecional, acompanhou algumas das fases mais negras da minha vida e manteve-se firme enquanto eu desmoronava. Porém, há momentos em que precisamos de aceitar que, quando a vida é um caos, o amor não basta para colar os pedaços. Por vezes o amor não é suficiente e a vida leva a melhor. Mesmo quando o amor é puro, forte e grandioso.

Não é errado não acreditar em Deus | A minha avó deixou-nos em Abril deste ano. De todas as pessoas que já perdi, esta morte tem sido a mais difícil de aceitar. Falo nela todos os dias, de uma forma ou de outra, e cada vez mais tento perceber os fundamentos da religião. Durante uns meses, culpei-me por não ser capaz de acreditar em Deus - achei que o processo de luto seria mais fácil se conseguisse acreditar numa vida depois da vida como a conhecemos e fiquei zangada comigo mesma por não ser capaz de contrariar. Hoje, sei que não é errado, que não sou pior pessoa por não acreditar em Deus, que ela está comigo nas minhas memórias, nas fotografias que guardo, nas conversas que lhe dirijo mesmo sabendo (ou achando) que não me vai ouvir. Incrível como, depois de me ensinar tantas coisas ao longo destes meus 23 anos, mesmo depois daquele fatídico dia a minha avó continua a ensinar-me a encarar a vida da melhor forma.


3 comentários:

  1. Esta publicação é absolutamente linda e eu acredito que é preciso muita coragem e muita força para escrevê-la. Mesmo quando as pessoas que nos deixam, deixam connosco memórias bonitas, é sempre doloroso lembrar que já não estão connosco - por isso, acredito que tenha sido muito dificil relembrar cada uma delas e o que a sua perda te ensinou.
    Um beijinho muito grande e um abraço virtual muito apertado!
    dreamcatcherblog2.blogspot.pt

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  2. Retirar lições de acontecimentos dolorosos revela maturidade e humildade da tua parte, Carol. Esta publicação deu-me um nó no estômago e só desejo que consigas superar toda a dor por que estás a passar! Abraço gigante.

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  3. Brilhante post Carolina. Sentido do início ao fim. É bonita a forma como aprendes estas lições, mas também a forma como escreves sobre elas e nos deixas conhecer mais de ti.
    Um beijinho

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