Thirteen

CINEMA | Variações [2019]

"Variações" era, provavelmente, o filme português mais esperado do ano e a minha primeira semana de férias foi o pretexto perfeito para o ver no grande ecrã. Um momento especial, não só porque o partilhei com os meus pais mas também porque foi a primeira vez que vi uma produção nacional no cinema. Foi uma boa estreia, devo dizer.

O filme de João Maia chega depois de produções cinematográficas dedicadas a outras lendas da música como Freddie Mercury e Elton John, que referi particularmente AQUI e AQUI, e ganha algum destaque graças à tendência dos filmes biográficos que temos vindo a apreciar no último ano. "Variações" não é inesquecível, não está ao nível de "Bohemian Rhapsody" (até porque os recursos não terão sido os mesmos, certamente) e não revela muito sobre o impacto do artista na sociedade (o que, a meu ver, é uma falha), mas é um filme que merece ser visto - não apenas por ser uma produção nacional, mas por homenagear uma figura icónica do país.

A família Ribeiro vivia em Amares e o enredo revela o contexto religioso em que cresceu, a sua paixão pelo talento de Amália Rodrigues e a sua vontade de ser mais do que um miúdo que trabalhava numa fábrica de colheres de pau, de ir para Lisboa e de aprender mais sobre o mundo da música. Pormenores como a sua atenção ao rádio quando este lhe presenteia um fado a meio do dia ou o momento em que o seu pai lhe ensina a tocar cavaquinho são pormenores importantes, que nos explicam as origens do cantor e o seu percurso. A longa metragem tem cerca de duas horas, mas não oferece momentos desnecessários.

O foco de "Variações" está entre 1977 e 1981, revelando as dificuldades do cantor, a divisão do seu tempo entre a barbearia e a música e as pessoas que fizeram a diferença no seu percurso como músico e homem. Curiosamente, a sua homossexualidade não é muito explorada pois, ainda que seja revelada uma história de amor, não é relevante para a sua carreira (isso não foi propriamente um entrave, mesmo que tenha lidado com o preconceito a nível pessoal). António foi irreverente e era um homem à frente do seu tempo, que foi capaz de se inspirar no folclore minhoto e no fado de Amália para criar o seu próprio estilo e as suas canções, cheias de alma e significado.

Esta é uma história de tentativas, de erros, de escolhas, de descobertas. Uma história que não termina num palco como o do Live Aid mas que também mostra uma vida que termina cedo demais devido à SIDA. O destaque vai para a prestação de Sérgio Praia, que canta e encanta os espectadores e que homenageia António Variações da melhor forma possível.

2 comentários:

  1. Já não vou ao cinema há 2 ou 3 anos, mas estou prestes a quebrar isso para ir ver "Variações". É um artista que aprecio bastante, por influência da minha avó materna, pois era o favorito.
    Tenho ouvido muitas críticas positivas! 😊

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  2. Já tive a oportunidade de ver este filme e também gostei imenso!

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