Thirteen

1+3 | Carta para a Carolina de 5 anos

Estou no futuro e escrevo-te esta carta com a certeza de que não a vais ler daqui a 20 anos, mas que a escreverias na mesma se fosses tu a estar aqui hoje (e és, na verdade). A tua idade não importa - nunca deixes que te digam que sim, pois é isso que te vai permitir ter sucesso - e esse é apenas um dos conselhos que tenho para partilhar contigo hoje.

Vais cometer os mesmos erros e aprender estas lições por ti própria - só assim faz sentido - mas para mim (e para ti) registá-los é importante. Estas foram algumas das aprendizagens que fiz e que gostava que considerasses quando os dias forem difíceis e compridos. Como diz a Inês, "há sempre boas notícias ao virar da esquina", mesmo que as caminhadas para lá chegar sejam longas.

A vida é uma incógnita | Há um ano eu não fazia ideia que iria estar aqui, nesta fase, com estas pessoas. O que é certo é que nunca sabemos o dia de amanhã e aprendi isso à força ao longo do último ano. Foi uma lição dura, que me tirou o tapete várias vezes e que aprendi da pior forma mas que guardo com força porque me obriga a aproveitar o momento presente mais do que alguma vez aproveitei.

Os números são apenas isso: números | O peso indicado na balança, o tamanho das minhas calças ou do meu soutien, a quantidade de tratamentos que já experimentei ou o número de consultas que paguei... Nada disso tem influência no meu valor. Nada disso determina o meu sucesso, o meu futuro, a minha realização pessoal, as metas que irei atingir ou os objetivos que irei riscar da minha lista. Os números são apenas números e só têm a importância que nós escolhemos dar-lhes. Nenhum número me define. Nenhum número deve ser uma razão para me sentir inferior.

Ter liberdade para escolher o que vestir é um privilégio | De há uns anos para cá tenho vindo a aprimorar o meu estilo pessoal e tenho arriscado mais na minha forma de vestir. Já não me sinto condicionada pela opinião das pessoas que me são mais queridas, já não ligo a olhares reprovadores de amigos ou familiares. Desde que o reflexo no espelho me dê confiança suficiente para encarar o meu dia, eu sou feliz com as minhas escolhas e coordenados. E sou uma sortuda por poder escolher o que vestir. Eu sou uma privilegiada.

Um ano faz TODA a diferença | Eu sou jovem, tenho uma vida pela frente e muito para aprender, mas se há coisa que noto em mim mesma é uma evolução constante. Tenho tentado ser uma versão melhorada e limada de mim própria e a verdade é que, sempre que me olho ao espelho, encontro uma Carolina mais decidida, mais determinada, mais mulher. A cada aniversário eu consigo apontar mudanças significativas e isso vale ouro. Crescer é a maior dádiva e sentir que um só ano é capaz de me proporcionar alterações abismais (não só no meu comportamento mas também nas minhas reflexões e postura) é fantástico.

Os dias "não" devem ser aproveitados e valorizados | As coisas nem sempre correm como eu idealizo e as frustrações fazem parte da vida, porém a minha maior dificuldade até então estava relacionada com os dias menos bons. Tentava sempre contrariá-los e as tarefas acabavam por ter que ser feitas mais do que uma vez. Com vinte anos eu aprendi: os dias maus existem e não faz mal. Se é para ter um dia mau, que seja. Vou aproveitá-lo da melhor forma - normalmente com uma postura preguiçosa e mimalha - para que os seguintes sejam absolutamente maravilhosos e produtivos.

Parar é importante | Às vezes estou tão concentrada no meu trabalho e tão preocupada com as tarefas que decoram a minha lista de afazeres que me esqueço de parar. E essa é uma terrível falha que aprendi a colmatar ao longo dos últimos anos. Independentemente do caos que me rodeia e da quantidade de ocupações que preciso de concretizar, eu posso - e devo! - parar para respirar, para fazer o que gosto, para cuidar de mim, para lanchar, para aproveitar o fim-de-semana. Parar é importante. E, por vezes, em quinze minutos conseguimos recuperar a tranquilidade que havíamos perdido e aguentar mais um dia intenso e complexo. 

"Tu estás onde queres estar" | Há alturas em que questiono as minhas decisões - quem não o faz? - mas raramente coloco em causa o meu estilo de vida. Será que seria mais feliz a viajar sozinha pelo mundo? Será que devia ter dito que não àquela oportunidade de estágio? Será que, em vez da experiência e da aprendizagem, devia ter escolhido um salário fixo e um passaporte muito carimbado? Não faço ideia. Mas não equaciono sequer essas hipóteses porque as minhas decisões fizeram sentido para mim na altura em que as tomei e porque o meu estilo de vida é aquele que me permite experimentar tudo aquilo que me torna na Carolina que sou. Eu escolho as soluções para os problemas, as oportunidades que quero aproveitar e as mudanças que quero abraçar.

Escrever faz bem à alma | Mesmo quando é sobre um assunto banal ou um tema impessoal, mesmo quando são textos aleatórios que sei que nunca verão a luz do dia neste blogue. Escrever faz-me bem, ajuda-me a relaxar, promove a minha concentração e leva-me a organizar melhor as minhas ideias, opiniões e argumentos. Sobre tudo. Quando os dias são confusos ou as hipóteses se misturam, gostar de escrever é uma vantagem que prezo com o maior dos carinhos.

A organização treina-se | Agradeço à Faculdade por me ter ensinado este ponto no ano mais complicado e desesperante de todos. Sempre fui metódica e organizada mas em certos aspectos da minha vida isso não acontecia - roupa e livros são bons exemplos disso. Porém, as exigências duma etapa mais complexa obrigaram-me a alterar certos comportamentos e isso vale ouro. Ainda deixo muitas coisas para o último momento mas as minhas estratégias são mais eficazes, os meus espaços são mais agradáveis e as minhas ideias já não se perdem entre papéis aleatórios e talões de compras.

Nem toda a gente tem um fundo de bondade | Existem pessoas que não nos trazem nada de bom, que nos sugam a energia, que tentam prejudicar o nosso positivismo e que estão vivas apenas pelo prazer de destruir os outros. Deparei-me com algumas dessas pessoas e o choque inicial foi nítido, pois sempre tive uma crença inegável na bondade humana - deparar-me com pessoas de carácter tão péssimo (como nunca tinha visto até então) obrigou-me a confirmar a minha ingenuidade. Foi uma lição. Eu pensava que as pessoas não podiam ser puramente más, que todas tinham, no fundo - algumas beeeeem lá no fundo - um coração bondoso. E estava enganada. Há pessoas que não trazem nada de bom ao mundo, que são más por natureza e que nunca conseguirão lutar contra isso - porque não querem e porque são felizes assim, a maltratar e a (tentar) rebaixar os outros.

3 comentários:

  1. Este desafio é uma excelente ideia, e mostra o quão evoluímos ao longo dos anos :).
    Sem saber, que anos mais tarde, seria este o novo tema, já escrevi uma carta, mas para o meu eu de 13 anos: https://www.lifeofcherry.pt/2015/08/carta-para-o-meu-eu-de-13-anos.html.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  2. Se eu te agradeço por estes ensinamentos.. o que diria a pequena Carolina? Muito obrigada por isto, apesar de só te seguir desde os teus 19 (?) tenho adorado ver-te crescer. Hei-de escrever a minha publicação em breveee! :)

    ResponderEliminar