Thirteen

LIVRO | A Elizabeth Desapareceu

Este foi mais um livro que comprei pela capa e que pouco me dizia nos primeiros parágrafos. No entanto, "A Elizabeth Desapareceu" revelou ser uma história envolvente e muito pertinente - este livro aborda o Alzheimer na primeira pessoa de uma forma única e intensa.

O livro destaca um dos meus maiores medos: tornar-me totalmente dependente de alguém, perder as minhas capacidades mentais, perder a minha essência e não ser capaz de me lembrar das pessoas que amo. E "A Elizabeth Desapareceu" relembrou-me como devo estar grata por ser saudável e por nunca ter tido a necessidade de acompanhar de perto um ente querido com estas dificuldades.

As rotinas de Maud, a personagem principal, já conheceram melhores dias e, na casa dos oitenta anos, recebe as cuidadoras que a ajudam e vai registando aquilo que lhe parece importante em papéis coloridos que espalha pela casa - mesmo que, posteriormente, não se lembre do contexto. As suas decisões são baseadas em suposições, pois a sua memória a curto prazo não cumpre o seu propósito.

Um dos papéis que traz sempre consigo refere o nome de uma amiga: Elizabeth. Maud está certa de que algo se terá passado, uma vez que Elizabeth não se encontra em casa e não consegue encontrar informações sobre o seu paradeiro. O livro acompanha, então, a busca da octogenária enquanto, em simultâneo, recua cerca de duas décadas e recorda o desaparecimento da sua irmã durante a II Guerra Mundial. "A Elizabeth Desapareceu" não é propriamente um romance, mas também não é um policial - talvez seja, na verdade, uma combinação destes dois estilos, caracterizando-se, essencialmente, pelo mistério.

"A Elizabeth Desapareceu" é uma sugestão invulgar, que me cativou. Gostava que alguns detalhes tivessem sido esclarecidos ao longo da leitura, para que toda a narrativa fosse mais rica e interessante, mas a autora optou por não o fazer. A certa altura, a história estagna, entre desmaios e recordações confusas, mas a vontade de saber o que aconteceu faz-nos continuar a leitura. Sem divulgar demasiado, o livro lembra-nos que as pessoas com lesões ao nível frontal precisam de ajuda e que nem sempre é fácil (sobretudo para os seus entes queridos) lidar diariamente com os comportamentos repetitivos, incoerentes e até perigosos. E, na verdade, esta é a mensagem mais importante.

2 comentários:

  1. Quando vi o livro pelo teu Instagram também foi isso que me atraiu, a capa xD.
    Parece-me que vou ter mesmo que ler esse, um dos meus maiores medos também é vir a sofrer dessa doença. Não há mesmo nada mais horrível do que esquecermos aqueles que amamos :(.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  2. Pela descrição parece ser excelente, vou colocar na minha lisat ;)
    Obrigada

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