Thirteen

SOCIEDADE | Feminismo? Onde?

Sinto que, depois de tantos anos de luta - luta essa que ainda dura em muitas comunidades - para mostrar que as mulheres não devem ser obrigadas a ficarem em casa, a serem mães e a cuidarem dos filhos, entramos no extremo oposto e passamos (enquanto sociedade) a ridicularizar e a julgar as mulheres que, por uma razão ou por outra, escolhem largar os seus empregos e acompanhar os filhos nos primeiros anos de vida. 

Essa é uma realidade que, para mim, não está em cima na mesa e que, admito, não me imagino sequer a abraçar, mas que não me choca nem um bocadinho, pois reconheço que existem mulheres que se sentem, realmente, realizadas dessa forma. Estarem presentes para os filhos a tempo inteiro, enquanto, em simultâneo, cuidam do seu lar, é algo que as conforta, sossega e traz felicidade. E se assim é... porque não? Devo apelidá-las de incompetentes, machistas ou de retrógradas por não me identificar com o estilo de vida que escolheram? 

O conceito de Feminismo tem sido radicalizado ao ponto de ser visto como algo negativo. E isto acontece porque não é o seu verdadeiro significado que se apresenta nos motins e nas críticas - o feminismo radical não é Feminismo, até porque a igualdade não pode ser radicalizada.

Não deixo de ficar indignada sempre que vejo dedos apontados em direção às mulheres que escolhem cumprir papéis que não incluem percursos profissionais anteriormente ocupados por homens. Eu estou eternamente grata a todas as mulheres (e homens) que lutaram pelos Direitos que eu hoje tenho, porém a possibilidade de escolha é, precisamente, o valor pelo qual tanto se lutou durante tanto tempo - e é esse valor que deve ser valorizado. 

Fará sentido, então, julgar as mulheres que querem (ou não) casar? Fará sentido apontar o dedo a quem deseja estar totalmente disponível para a família? Fará sentido criticar as mulheres que têm gosto em cuidar da casa, que se sentem relaxadas a engomar as camisas do marido ou que preferem cozinhar todas as refeições sem ajudas? São escolhas tão válidas como quaisquer outras. A beleza de tudo isto está, precisamente, neste ponto: ninguém deve ser obrigado a adotar um estilo de vida com o qual não se identifica, apenas porque outra pessoa diz que é melhor assim. Haja respeito.

4 comentários:

  1. É precisamente por estas e por outros que me estou a deixar de identificar com o feminismo. Não falta muito para afirmar que tenho vergonha de ser feminista. Porque quando aderi ao movimento, não era isto que significava. Significava igualdade entre homens e mulheres e, sobretudo, liberdade de escolha. Além desta falta de liberdade de escolha que falaste no post, também sinto que agora o feminismo está numa de hipervalorizar as mulheres e de esquecer-se que os homens agora também estão em desvantagem em algumas coisas.
    Em suma, acho que o movimento está a precisar de uma grande reformulação para defender os seus ideais iniciais.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  2. Concordo plenamente. É algo que não se enquadra no meu estilo de vida mas respeito totalmente quem deseja viver dessa forma.

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  3. Excelente reflexão - e pertinente. Fomos do 8 ao 80, para muitas pessoas que se dizem "feministas" mas não o são, de todo. Ser feminista é lutar pela liberdade de escolha, sem julgamentos e imposições. E se vamos pelo caminho de virar tudo ao contrário, isso não é feminismo, é vingança. Quem quer usar mini-saia e maquilhagem, que use. Quem quer ver-se livre da maquilhagem, força. Quem quer trabalhar e subir na carreira, óptimo! Quem quer dedicar-se à família, óptimo também. Esta mania de que temos sempre que ter um bitaite a mandar sobre a vida dos outros é tão tóxica e desvia a luta do que verdadeiramente importa - ainda há tanto pelo que lutar...

    Jiji

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