Thirteen

TELEVISÃO | The Witcher

O teaser não me cativou, mas o Gui desafiou-me a ver a série e eu alinhei, mesmo sabendo que não se enquadraria no meu estilo de eleição. "The Witcher" é difícil de descrever, até porque os seus oito episódios (lançados em dezembro de 2019) incluem histórias e períodos temporais que se cruzam e nos deixam um pouco perdidos. A seu tempo, tudo bate certo - penso que foi isso que me fascinou.

A premissa da série é, por si só, complexa. Inclui magia, criaturas perigosas, famílias disfuncionais e uma quantidade absurda de sangue. Não é todos os dias que vejo (e tenho vontade de continuar a ver) uma série que nos remete para um mundo sobrenatural, com mutantes estranhos e mortes frequentes, mas "The Witcher" deixou-me com vontade de acompanhar a segunda temporada na mesma companhia.

A primeira parte da saga revisita a origem deste mundo (e conseguimos compreender o sucesso de "The Witcher" na literatura e no mundo dos videojogos). Em cada episódio surgem novidades (não há como ficar aborrecido) e cada capítulo exige que o vejamos de início ao fim com atenção - aparecem novas personagens, situações, problemas e lugares, e facilmente nos perdemos se houver uma distração. A primeira temporada é intensa e rica, fazendo com que tentemos adivinhar os espaços em branco da história e que tenhamos vontade de acompanhar os capítulos seguintes - uma fórmula vencedora para cativar espectadores.

Com humor, personalidades vincadas e atuações brilhantes (sobretudo do ator principal, que usa a ironia e a falta de expressividade de Geralt de Rivia a seu favor), "The Witcher" apresenta-nos a essência de cada personagem ao revelar muito pouco de cada vez. As histórias não se misturam da forma como imaginamos, mas quando percebemos as ligações compreendemos, também, que não poderia ser de outra forma. Os cenários são um ponto forte e, se esquecermos a quantidade de sangue, reconhecemos que é muito mais do que uma série sobre magia. 

As mensagens e os valores associados a "The Witcher" fazem-nos refletir e o facto de se tratarem de criaturas mágicas em nada impede que sejamos capazes de nos relacionar com os seus dilemas e questões internas. "The Witcher", em conclusão, tem saldo positivo. Não é uma série que eu escolhesse à partida - e por isso nada sabia sobre ela quando vi os primeiros episódios -, mas traz elementos muito singulares e tem uma voz própria. O facto de entrelaçar contos sem referências escritas cria uma estrutura bastante dinâmica (rara neste tipo de produções) e dá destaque às personagens - são elas que criam a história. Há traições, amor, seres macabros e mortes precoces… tudo para que cada um dos intervenientes cumpra o seu destino (que só na altura devida percebemos qual é). Ao contrário do que tenho lido, não acredito que esteja a tentar ser uma "Game of Thrones" - até porque o foco é completamente diferente.

3 comentários:

  1. Confesso que não consegui acompanhar. Ainda vi os primeiros episódios mas como estava a trabalhar em simultâneo não lhe prestei a devida atenção e, talvez por isso, não me cativou. Já o meu irmão adorou e já encomendou o livro. Do que vi, não tem qualquer comparação com Game of Thrones (nem sei onde é que as pessoas foram buscar essa ideia...). Estou a ver que vou ter de lhe dar uma nova oportunidade e, desta vez, prestar mais atenção ;)

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  2. Podia ter sido eu a escrever este texto - é exactamente a mesma opinião que tenho. Comecei a ver numa de fazer companhia ao Zé e acabei por ser eu a querer ver "só mais um episódio". Bem conseguida!

    Jiji

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  3. Esta review ajudou-me imenso a decidir se ia ou não dar uma oportunidade à série: agora talvez veja :). Sou como tu, não me atrai mortes contínuas em episódios nem demasiados elementos sobrenaturais, e outra coisa que também me causou alguma hesitação foi o facto de compararem "The Witcher" ao "The Game of Thrones". Mas sendo assim, vou espreitar :).
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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