Thirteen

SOCIEDADE | Trabalho Remoto

Em época de pandemia têm sido muitos os países a aconselhar o trabalho remoto. Em Portugal, algumas empresas (sobretudo multinacionais, mas não só) adotaram as mesmas medidas de forma a conter a propagação do vírus que tem protagonizado as conversas das últimas semanas. Os próximos dias serão essenciais para a saúde pública, mas esta época difícil (vejamos o que aconteceu em Itália!) também servirá para testar (mesmo que sem planeamento) outros estilos de vida e algumas mudanças nas rotinas dos portugueses. 

E isto suscitou-me algumas questões sobre a nossa sociedade. Será que, a longo prazo (ainda em 2020), o trabalho à distância passará a ser uma opção? Será que Portugal está mesmo preparado para adotar o trabalho remoto depois desta crise? Será que as tarefas continuarão a ser concluídas ou será que, por outro lado, existirão mais sestas do que trabalho?

Tenho a sorte de trabalhar numa empresa onde a proatividade é incentivada e onde, regra geral, cada um faz o seu trabalho de forma autónoma e independente. Para mim - e ainda que, de vez em quando, tenha de o fazer - não faz sentido andar atrás das pessoas, pois cada um sabe as suas responsabilidades. Como não fazemos atendimento ao público e a maior parte dos projetos são trabalhados online, o trabalho em escritório acaba por ser exatamente igual ao dos dias excecionais em que, por uma razão ou outra, trabalhamos em casa.

Eu sei que, se me comprometer a trabalhar em casa, irei fazê-lo. Poderei acordar mais tarde ou fazer uma hora de almoço mais longa (ou fora de horas), mas cumprirei o número de horas de trabalho e concluirei as tarefas previstas para esse mesmo dia, tal como faço num dia normal de escritório. Nunca falhei prazos e não é o local de trabalho que muda isso. No entanto, reconheço que faço parte de um grupo que representa a exceção - sei que tenho um nível de organização e foco que me permitem trabalhar em casa sem vacilar, ainda que seja péssima noutros pontos.

Num país onde um ditado popular diz que quando "o patrão está fora, é dia santo na loja", não estará a hierarquia demasiado entranhada? Se me colocar na posição das chefias, consigo compreender a falta de confiança nos colaboradores - a mentalidade portuguesa, que acredita que estar de quarentena é o mesmo que estar de férias, provavelmente assumiria que trabalhar em casa é o mesmo que fazer um part-time. E isto é uma bola de neve. Quando é que vamos quebrar o ciclo e evoluir?

3 comentários:

  1. É um ato de boa fé que não terá forma de correr bem se o patrão não aceitar que não tem forma de conseguir controlar a 100%. Há funcionários que irão cumprir e adaptar os seus objetivos e tarefas à rotina em modo remoto e outros que irão abusar dos privilégios. Porém, não acredito que o segundo grupo consiga vingar por muito tempo sem falhar nos resultados, e também acho que este problema não é exclusivo dos trabalhos remotos. Já identificamos funcionários que mesmo ‘debaixo do nariz do chefe’ perpetuam irresponsabilidade e indolência.
    Estou confiante que a ‘inversão de risco’ pode ser benéfica. Um chefe que facilite o trabalho remoto e que declare que não vai perseguir o seu funcionário para que exerça as suas funções, está a assumir que o risco é dele e, normalmente, reverte mais respeito do funcionário pelas suas responsabilidades e pelo voto de confiança do seu chefe. Para sabermos se um ciclo se quebra, temos de ser os primeiros a não ter medo de segurar no martelo :)

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  2. Subscrevo a a opinião da Inês. Vão existir pessoas que vão cumprir maravilhosamente e outras que se vão desleixar, mas que irão acabar por perceber que assim não vão a lado nenhum.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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  3. Infelizmente existem muitas empresas que não entendem. No meu antigo trabalho, os meus colegas estão assustados porque são mais de 300 pessoas num edifico e não querem que eles trabalhem em casa.

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