Thirteen

LIVRO | Quem não sonha voar, Alice?

Acredito que precisamos, mais do que nunca, de sugestões que nos façam sorrir. Felizmente, as livrarias online continuam a funcionar e nós continuamos a poder viajar através das histórias - é o que me tem ajudado a passar o tempo livre, quando o horário profissional chega ao fim e tento não ficar perdida nos meus pensamentos.

Tinha o "Quem não sonha voar, Alice?" há algum tempo na minha estante, à espera de ser lido, e não podia ter feito uma escolha mais acertada nestes dias em que me debrucei sobre ele. O Frank e a Alice, que protagonizam a história de Julia Claiborne Johnson, foram uma companhia peculiar, mas muito engraçada - perfeita para desanuviar nesta fase difícil em que nos encontramos. 

Mimi Banning é uma escritora bestseller que vive há anos em reclusão numa mansão de Bel-Air. Depois de várias décadas sem publicar uma única obra, percebe que tem de o fazer para manter a sua estabilidade financeira. Misteriosa, mãe solteira e discreta, Mimi coloca mãos à obra e a editora (representada por um dos seus melhores amigos) atribui-lhe uma assistente pessoal para a ajudar durante este período de criação - Alice, que chega à casa de vidro para tratar das lides domésticas, das refeições e da transcrição do livro (pois Mimi apenas utiliza uma máquina de escrever), fica também responsável por cuidar de Frank, o filho de 9 anos da autora. E é assim que tudo começa.

Frank é uma verdadeira personagem (em todos os sentidos), mas é precisamente isso que torna a leitura tão agradável. Com uma inteligência acima da média (como ele tanto gosta de dizer), Frank não é convencido ou arrogante - é um verdadeiro génio, com dificuldades de socialização e com poucas coisas em comum com os seus colegas de escola (a começar pelas suas roupas formais e a terminar no seu entendimento do mundo). 

"Quem não sonha voar, Alice?" é aquele livro que nos aquece o coração. Personagens bem construídas, citações hilariantes, reviravoltas na medida certa... Frank pode ser um miúdo solitário, mas também é, sem margem para dúvidas, sensível e adorável. Por muito solitário que seja, este miúdo foi a companhia que eu precisava durante um fim-de-semana mais triste, pelo que só posso estar grata por tê-lo descoberto. 

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