Thirteen

QUOTIDIANO | A Nova Normalidade

Foi apenas durante um dia, mas foi o suficiente para me mostrar que a "nova normalidade" exigirá um grande esforço por parte de todos e que, até existir uma vacina e as coisas acalmarem realmente, o trabalho presencial em equipa ficará bastante condicionado - e não me refiro apenas à obrigatoriedade de utilização de máscara em espaços fechados ou à necessidade das empresas reservarem uma parte do orçamento para gel desinfetante. A forma como nos relacionamos está limitada e ainda que não tenha existido grande alteração nos postos de trabalho propriamente ditos, há uma nova preocupação nas deslocações casa-trabalho-casa e nos momentos de pausa, que exigem que se redefinam rotinas. 

Pessoalmente, posso dizer que esta primeira ida ao escritório me causou ansiedade. Não propriamente pelo escritório ou por voltar a estar com colegas, mas pelas deslocações, pela possibilidade de infeção, pelo medo de me esquecer de algum passo essencial nesta nova realidade e, sobretudo, por saber que, no regresso a caso, teria (e terei) de ficar mais duas semanas isolada, por precaução. Estive em casa dois meses, sem sair (nem mesmo para ir ao supermercado) e os sentimentos ambíguos são agora constantes: por um lado, a segurança de casa, por outro, a vontade de sair e de retomar uma vida em sociedade. 

Em breve retomaremos as nossas tarefas como se o vírus não existisse e, honestamente, sinto que ninguém sabe muito bem como lidar com isso - não dar abraços, não passear pela cidade, lavar as mãos 50 vezes por dia, usar máscara, manter o distanciamento, não fazer visitas a amigos ou a familiares. Durante dois meses, acredito que não seja tão difícil assim de cumprir (por muito que as saudades apertem), mas não vamos todos andar meios hipocondríacos e, ao mesmo tempo, com vontade de mandar as regras dar uma volta (ainda que não o façamos)?

2 comentários:

  1. Só de pensar que tenho de ir a Lisboa de transportes já me deixa ansiosa...

    ResponderEliminar
  2. Temo, de certa maneira, este "retorno" à normalidade. Felizmente consigo estudar em casa e conseguirei concluir o semestre, no entanto, continua a custar ouvir o que se passa lá fora, ver amigos aflitos por terem de voltar à escola ao terem familiares de risco. Custa não ver os sorrisos das pessoas e mais do que tudo, não conseguir estar com os nossos e não os poder abraçar, para além das histórias de terror que se vivem em ambiente hospitalar. Mas acredito que tudo se resolverá, haja esperança em tempos complicados..!

    ResponderEliminar