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SAÚDE | Vamos andar um pouco mais atentos?

Os números referentes ao impacto da pandemia na saúde mental da população assustam-me. Sei o que é ter um dementor a sugar-me a energia e a felicidade, e tenho os meus próprios demónios a assombrarem-me diariamente, pelo que fico verdadeiramente preocupada por saber que muitas pessoas, que nunca tiveram que lidar com distúrbios ansiosos ou depressivos, se deparam agora com um mundo acinzentado.

A pandemia não provocou apenas uma dificuldade em atender todos os utentes que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde ou uma sobrecarga da linha Saúde 24; está a ter, também, um impacto enorme na vida de milhões de pessoas em todo o mundo. As doenças não discriminam e esta pandemia é prova disso - está na hora de olhar para as doenças mentais de forma séria e racional, antes que os estragos atinjam proporções (ainda mais) assustadoras.

Numa altura em que reduzi significativamente a minha medicação (estou, neste momento, a tomar 1/3 da dose que tomava em 2019) e não tenho tido o acompanhamento que teria noutra ocasião (a ironia das tele-consultas é que acabam por ser mais uma dificuldade no meu dia, em vez de me ajudarem da forma que seria expectável - e se não só não ajudam como me prejudicam, então não entram no meu horário), reconheço que é necessário incluir determinadas ações no meu quotidiano para conseguir aguentar mais um dia dentro de quatro paredes. Tem sido cada vez mais difícil e sei, analisando o meu percurso, que este isolamento provocou um passo atrás no meu processo terapêutico. 

Com racionalidade, é essencial que os serviços de saúde estejam preparados para a vaga de pedidos de socorro que vão surgir. Não estamos a falar só de medos que se estão a desenvolver, muitos deles relacionados com germes e doenças, mas também de ansiedade social, sentimentos de solidão e níveis de stress provocados pelas situações profissionais precárias. Em breve começaremos a regressar à normalidade (é essencial, não podemos ficar fechados em casa toda a vida!) e as desigualdades serão mais óbvias. Está na altura de colocarmos em prática o que tanto se tem vindo a apregoar nas redes sociais; está na altura de estarmos atentos aos amigos, aos vizinhos, aos familiares. Porque, por vezes, o tempo não cura tudo e não fica tudo bem.

1 comentário:

  1. Eu já sofria de Transtorno de Ansiedade antes desta pandemia e já cheguei a frequentar psicoterapia, mas agora por causa da pandemia não me é possível fazê-lo e, honestamente, dispenso fazer por videochamadas, é como tu dizes, não é a mesma coisa. Além de, no meu caso, ter pouca privacidade para fazê-lo em casa.
    É realmente preocupante, e tenho medo que isso faça com que, de início, estes serviços saturem.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

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