Thirteen

TELEVISÃO | Príncipes do Nada: Refugiados

Às terças-feiras à noite, a seguir ao Telejornal, a Catarina Furtado dá-nos um murro no estômago com o seu "Príncipes do Nada", uma série documental que leva a apresentadora portuguesa aos campos de refugiados e que nos alerta para a crise humanitária que se vive atualmente.

A temporada que está a ser transmitida na RTP1 (desde o dia 9 de junho) foi gravada em vários países (da Colômbia ao Líbano, passando pela Grécia e pelo Bangladesh, entre outros). Cada um dos episódios reporta as histórias de vida das pessoas que, em contextos adversos, foram forçadas a sair das suas casas e dos seus países e a procurar asilo noutros locais, contando apenas com a solidariedade de muitos voluntários que tentam, acima de tudo, oferecer condições dignas àqueles que se viram numa situação de vida ou de morte. 

Infelizmente, a luta pela sobrevivência falou mais alto nos países onde a guerra é rotineira, e os campos de refugiados espalhados por muitos países são agora uma constante. O objetivo para os refugiados é simples: conseguir uma vida melhor. No entanto, as burocracias, a falta de planeamento, a densidade populacional e os flagelos do racismo, da xenofobia e da discriminação originam situações absolutamente deploráveis. Os Direitos Humanos, que deveriam ser uma prioridade, não são cumpridos.

É esta a viagem que Catarina Furtado faz, entre lágrimas e conversas que nos mostram crianças gratas por terem um lápis um pedaço de papel, pais que só querem que os filhos possam dormir uma noite sem sons de bombeamentos e histórias que nos despedaçam o coração e que nos mostram o quão sortudos somos. "Príncipes do Nada", nesta temporada dedicada à crise dos refugiados, abrange temas como a dificuldade em aceder aos cuidados de saúde e à educação, o trabalho infantil, a desigualdade de género e a violência contra as mulheres. 

Os episódios são curtos mas muito pertinentes e esta quinta temporada de "Príncipes do Nada" não podia ter chegado em melhor altura. Num ano em que tanto nos queixamos por vermos a nossa vontade condicionada, só podemos mesmo sentir-nos privilegiados quando vemos o quão desumana pode ser a vida depois de se fugir à morte certa.

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