Thirteen

CINEMA | Enola [2020]

"Enola" é baseado no livro de Nancy Springer: "Os Mistérios de Enola Holmes – O Caso do Marquês Desaparecido" e conta-nos a história de Enola Holmes, que, no seu 16º aniversário, percebe que a sua mãe desapareceu e tenta descobrir o seu paradeiro. Com um detalhe: o mistério corre nas veias da família, ou não fosse Enola irmã do famosíssimo Sherlock.

Selecionei este filme por impulso, dando uma hipótese à sugestão da plataforma, e Enola - que ao contrário se lê Alone - cativou-me de imediato. A longa-metragem foge ao formato clássico dos filmes de época e apresenta-se com uma modernidade surpreendente (que poderia afastar os espectadores, mas que, na minha opinião, funciona muito bem): Millie Bobby Brown não só é a personagem principal, como também narra a história, dirigindo-se diretamente aos espectadores.

Sherlock Holmes, o famoso detetive, e Mycroft, o seu irmão mais velho, aparecem várias vezes ao longo do filme, mas nunca roubam o protagonismo a Enola, que nos leva em aventuras e recorda com carinho os momentos passados com a mãe, que tanto lhe ensinou e que a educou para ser independente, ter uma voz e algo a dizer. Na verdade, é esse o ponto forte do filme: a protagonista é uma miúda irreverente e o argumento de "Enola" inclui o tema do feminismo de uma forma muito atual, ainda que com recurso ao contexto em que se insere, abordando o papel da mulher em 1880 e a necessidade de educar as meninas para encontrarem bons maridos e serem senhoras de poucas palavras. Mesmo que tudo o resto tivesse falhado - e não foi o que aconteceu - a mensagem está lá e é muito pertinente.

"Enola" assumiu as diferenças e não tentou enquadrar-se em tudo o que já foi feito sobre Sherlock Holmes - para mim, uma jogada vencedora. No entanto, senti que o filme foi criado a pensar numa sequela e essa é a maior falha que lhe aponto. Deixar algumas pontas soltas e alguns detalhes sem explicação pode ter sido uma jogada estratégica, mas fez-me sentir defraudada e desapontada.

Seja como for, "Enola", que se apresenta numa longa metragem que faz jus a essa designação (com cerca de 2h00, o que me pareceu exagerado) acabou por se revelar um bom filme de fim-de-semana. Não me surpreenderia se a Netflix continuasse a apostar nesta jovem detetive. A mistura de humor, bons figurinos e mistério pode conter a receita ideal para fugir às comédias românticas e às piadas sexuais que parecem ocupar o horário nobre das nossas televisões. 

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