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ATUALIDADE | Os influenciadores não são solidários?

A proposta do Rebel Asian era simples: convidar influenciadores portugueses a fazerem refeições no restaurante e a doarem o valor da refeição a uma instituição à escolha. No entanto, dois meses depois de ter sido lançada a campanha, nenhum influenciador aderiu à iniciativa, os meios de comunicação noticiaram-no e as caixas de comentários encheram-se de raiva e insultos (nada de novo), desta vez direcionados aos produtores de conteúdo.

Sei que esta pode ser uma opinião controversa, mas parece-me que a história não está bem contada. A meu ver, a ideia não foi explorada corretamente e aquela que poderia ser uma excelente iniciativa solidária acabou por ser apenas uma estratégia para colocar o nome do restaurante nas bocas do mundo (e resultou!). Não sou contra estratégias de comunicação ou publicidade, como é óbvio, mas quando falamos de ações solidárias é importante que estas tenham, realmente, um propósito. Por uma questão de ética, a finalidade da ação solidária não pode ser a promoção da marca ou da empresa, ainda que a divulgação possa ser feita com esse objetivo.

Trabalho com vários projetos e todos os dias recebo pedidos de pessoas que procuram borlas. Sei como é frustrante analisar pedidos de parcerias de quem não cria conteúdo de qualidade, não demonstra influência e não apresenta uma proposta de valor interessante. Há muita gente que não se dedica, que não apresenta vantagens, que se engana no nome do projeto que está a contactar e que não faz qualquer pesquisa para perceber se o seu conteúdo, público e ideia se adequam à empresa que contacta. A realidade é esta: há muita gente que pensa que as marcas podem (ou querem) fazer ofertas à toa.

No entanto, se o Rebel Asian quisesse mesmo promover uma ação solidária, não teria sido mais eficaz estender a iniciativa ao público em geral ou  criar uma campanha junto de influenciadores selecionados, para que outros lhes seguissem o mesmo exemplo? É óbvio que um restaurante não pode ficar sem rendimentos e é claro que o Rebel Asian não poderia doar o valor de todas as refeições a instituições, mas parece-me que falta aqui alguma sinergia entre as duas partes - uma percentagem da refeição poderia ser, realmente, transformada num donativo, e o restante valor pertenceria ao restaurante, que não vive de boas intenções. Seria um valor menor por cada refeição, mas o impacto seria maior (certamente que o restaurante tem mais clientes do que pedidos de influenciadores).

Esta informação pode estar errada, salvaguardo, mas em nenhuma notícia que li é mencionado que foi feito um convite direto a criadores de conteúdo com uma comunidade significativa, mas sim que a iniciativa foi enviada em resposta às propostas comerciais que este recebia, para além de ter sido anunciada numa publicação. A ser verdade, nunca saberemos se essas pessoas poderiam ser consideradas, realmente, influenciadoras com uma proposta vantajosa para ambas as partes, ou se estavam só à procura de uma borla, tal como fazem nas filas para brindes nos festivais de verão. 

Assim de repente, consigo lembrar-me de duas ou três pessoas, com conteúdo relevante, influência e uma comunidade fiel, que alinhariam no desafio e que teriam todo o gosto em divulgar o restaurante e a iniciativa se esta lhes tivesse sido proposta diretamente, mas que nem sequer tiveram conhecimento da ação até surgirem estas notícias mais polémicas.

1 comentário:

  1. Também li a notícia e acabei por nem falar sobre isso no blogue porque me parece um pouco estranho.

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