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CINEMA | Hidden Figures [2016]

Passado nos anos 60, numa época de grande discriminação, "Hidden Figures" é uma ode à igualdade e um símbolo de justiça. Denunciar preconceitos - que são mais atuais do que aquilo que se pensa - é necessário e este nomeado para os Prémios da Academia comprova-o.

Apresentando-nos os problemas e desafios que as minorias enfrentaram na época em que pretos e brancos utilizavam casas-de-banho separadas e se sentavam em diferentes zonas do autocarro, "Hidden Figures" tem um elenco extraordinário e uma história inspiradora contra o preconceito. Esta é a história de três mulheres negras que trabalharam na NASA e que lutaram para receber o respeito que mereciam enquanto contribuíam para um momento importante na História dos Estados Unidos e da Humanidade.

Seria fácil criar vítimas mas a verdade é que esta longa metragem se destaca por não apostar nessa faceta. Ao longo do filme conhecemos melhor a vida de três mulheres fortes, inteligentes (autênticos prodígios!) e determinadas: Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson foram capazes de fazer a diferença na NASA, abriram caminho para que outras mulheres pudessem seguir os seus sonhos e venceram preconceitos por terem lutado pelos valores que ainda hoje devem ser relembrados diariamente.

E embora o argumento seja particularmente focado em Katherine, o filme consegue ser muito mais do que isso, combinando dois tipos de preconceitos nas personagens principais, ângulos de filmagem muito interessantes e personagens extremamente carismáticas.

"Hidden Figures" faz-nos refletir: a História da Humanidade repete-se e é muito importante não deixarmos que os mesmos erros sejam cometidos. Sobretudo numa altura em que a misoginia e o racismo são defendidos por líderes mundiais.

CINEMA | Jackie [2016]

Inteiramente focado nos pensamentos, ambiguidades, decisões e sentimentos da primeira-dama, "Jackie" retrata uma Jackeline Kennedy de luto após o terrível assassinato de John Fitzgerald Kennedy, na cidade de Dallas, no dia 22 de Novembro de 1963.

Com ângulos de filmagem, cenários, figurinos e uma fotografia absolutamente fascinantes, "Jackie" é uma obra onde Pablo Larraín, o realizador, amplia um momento importante da História dos Estados Unidos colocando tudo o resto num papel secundário - como se a vida de uma pessoa pudesse ser contada através de analepses e prolepses tendo como ponto de partida um único dia.

"Jackie" é um filme atípico e brilhante ao mesmo tempo pela prestação de Natalie Portman e pela conjugação de conversas que nos proporciona em simultâneo: a conversa com o jornalista que acabou por publicar a grande entrevista (devidamente editada na altura), a conversa com o padre e a conversa que nos leva a conhecer a decoração e os espaços da Casa Branca. É um filme calmo e intenso que nos revela um outro lado da História americana sem atacar ou defender a personagem principal.

CINEMA | La La Land [2016]

Foi no fim de uma tarde de domingo que decidimos, espontaneamente, ir ao cinema para ver "La La Land" - o primeiro da lista de nomeados para os Prémios da Academia. Tínhamos apenas quinze minutos para sair de casa, arranjar lugar para estacionar, comprar os bilhetes e entrar na grande sala mas decidimos arriscar e terminar o dia com um filme. Surpresa? Chegamos com antecedência e tivemos ainda tempo para espreitar a FNAC antes do filme e sonhar com uma coleção de discos de vinil.

Ambas tínhamos a mesma curiosidade em ver "La La Land" mas, ao mesmo tempo, ambas entrámos na sala às cegas - não tínhamos lido críticas, não tínhamos visto o trailer. Tudo o que sabíamos era que se tratava de um musical moderno protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling - e isso bastou-nos.

"La La Land" é muiiiiito mais do que um musical moderno. É uma viagem feliz pelo mundo do Jazz, uma ode aos apaixonados, aos lutadores, aos sonhadores. Com um final que nos surpreende e que nos parte o coração (a sério, alguém esperava aquele twist demoníaco?!), La La Land mostra que ainda não sabemos tudo sobre amor (ou sobre cinema) e que é possível amar mais do que uma vez mas nunca amar da mesma forma duas vezes.

Percebo todas as nomeações técnicas desta longa metragem - algo me diz que sairá vencedora de muitas categorias! - e estou perdidamente apaixonada pela banda sonora e pelos momentos em que os protagonistas se focam apenas naquilo que os une e apaixona, esquecendo tudo o que está à sua volta (mais alguém associou estes momentos aos clássicos Disney?).

Os contrastes, as silhuetas, o guarda-roupa, a felicidade de um filme que não tem um final feliz... "La La Land" é um musical dedicado aos sonhadores que nunca esquecem que também precisam de ter  os pés bem assentes na terra para concretizar os seus objetivos - e isso, combinado com a banda sonora perfeita, foi suficiente para me fazer sorrir de início ao fim.

CINEMA | Dior & I [2014]

As grandes marcas fascinam-me pela sua história, pela sua preocupação com o detalhe e pela sua capacidade de inovar sem perder os valores que vão passando de geração em geração. Há milhares de processos escondidos atrás de uma peça de roupa, há toda uma equipa dedicada, disposta a trabalhar intensivamente.

Não sou a maior fã de desfiles, reconheço, mas adoro perder-me entre documentários, livros e reportagens sobre o assunto. Os editoriais, as coleções, a escolha das cores, a inspiração para o conceito, a confeção de cada peça, a seleção dos modelos, e, por outro lado, as dificuldades, os erros, os "isso não está bem, começa de novo" (...). Tudo faz parte e eu aproveito todas as oportunidades para ter um vislumbre do backstage. Todas as marcas são criadas por pessoas que determinam o seu sucesso ou fracasso e o lado humano de cada uma delas inspira-me a batalhar contra os monstros que se atravessam no meu caminho.

"Dior & I" é um documentário que foca um período decisivo para a Casa Dior: as oito semanas que passaram desde a chegada de Raf Simons até à apresentação da sua primeira coleção enquanto diretor criativo da marca. Tendo como principal referência os diários de Christian Dior, "Dior & I" convida-nos a regressar ao passado e a reparar nos detalhes que ainda hoje são privilegiados nas passerelles.

De uma forma muito humana e verdadeira, o documentário retrata fidedignamente o processo de preparação de uma coleção determinante para a carreira de Raf e mostra-nos todos os seus receios, conquistas, lágrimas e preocupações. "Dior & I" é um documentário obrigatório para quem, assim como eu, fica fascinado com o backstage das grandes marcas de luxo.

CINEMA | London Has Fallen [2016]

"London Has Fallen" - "Assalto a Londres", em português - é a continuação de "Olympus Has Fallen" - "Assalto à Casa Branca", em português - e foca a dificuldade do principal segurança do Presidente dos Estados Unidos da América em defendê-lo.

Desta vez, os problemas surgem durante uma viagem de última hora até Londres para o funeral do Primeiro Ministro Britânico, que é morto estrategicamente para reunir todos os líderes mundiais naquele local. Objetivo: matar o presidente dos Estados Unidos. Dificuldade: Mike Banning.

"London Has Fallen" é, inegavelmente, um filme de ação no seu formato mais puro. Porém, ao mesmo tempo, consegue manter o lado humano, os dilemas pessoais de alguém que adora o que faz mas que vai ser pai em breve, os valores da amizade. Com alguns momentos de humor estrategicamente colocados nos diálogos e diversos momentos mais fortes e tensos, "London Has Fallen" é uma boa escolha para quem gosta de explosões. Com um bónus: Morgan Freeman também entra nesta longa metragem (e não faz o papel de Deus).


Podem participar no passatempo em parceria com a Oh! Não até dia 18 de Dezembro.

CINEMA | The Ides Of March [2011]

"The Ides of March", realizado por George Clooney - que é também um dos protagonistas -, é um filme que, através de um ponto de vista crítico, nos mostra o que acontece nos bastidores das corridas eleitorais americanas.

Os jogos estratégicos e as ações que desprezamos, o cinismo, o poder do dinheiro, a confiança, os ideais democratas, a dependência do petróleo, a preparação e o decorrer da campanha, as reações instantâneas, a gestão de conflitos, a defesa da imagem... podemos observar tudo isso em "The Ides of March" e, com um elenco de excelência (no qual destaco George Clooney e Ryan Gosling), este é um filme para ver com atenção e um sentido crítico apurado - até porque o próprio nome representa uma curiosidade que nos mostra que todos os pormenores e diálogos foram pensados com rigor de modo a representar algo maior.

"The Ides of March" apresenta-nos, através da transformação do personagem principal (que é acompanhada de uma forma brilhante pelos efeitos de imagem, que passam de cenários luminosos e românticos para outros mais escuros e sombrios), um forte retrato da política moderna. Nem todas as conversas e ações são claras mas todos percebemos quais as consequências de cada cena e eu acho isso fantástico (sobretudo porque leva a diferentes interpretações que podem mais tarde ser discutidas).

Confesso que nunca tinha visto um filme realizado por Clooney - e fiquei de pé atrás - mas reconheço: ele não só é bom actor como pode perfeitamente enveredar pela carreira da realização se assim desejar. Os planos foram perfeitamente pensados, o elenco e a equipa técnica foram nitidamente escolhidos a dedo, as críticas ao mundo político e à corrupção são fortes. Clooney retrata as coisas como elas são num mundo onde o aliciante e o sombrio andam de mãos dadas e faz um excelente trabalho em ambos os lados da lente.

CINEMA | Fantastic Beasts and Where to Find Them [2016]

"Fantastic Beasts and Where to Find Them" era um dos filmes mais aguardados do ano mas eu não quis agarrar-me à ideia de que seria mais um filme de Harry Potter porque a verdade é só uma: não poderia sê-lo. E, mesmo assim, J.K. Rowling foi capaz de criar todo um universo novo com referências inteligentes à saga que a tornou popular sem nunca comprometer o fascínio dos novos espectadores, que não viram Harry Potter mas que escolheram entrar nas salas de cinema para ver "Fantastic Beasts and Where to Find Them". 

O universo de Harry Potter não regressou neste primeiro filme - nem faria sentido dessa forma - mas as referências estão lá e servem para matar saudades da saga que nos acompanhou enquanto crescíamos. Com um bónus: para além dos feitiços e regras que já conhecíamos e dos valores que sempre nos foram apresentados - amor, amizade, entreajuda, solidariedade... - há momentos de humor estrategicamente pensados e uma maturidade diferente no argumento (talvez por causa da idade das personagens e da experiência dos actores escolhidos) que nos dá uma perspetiva diferente perante o mundo da feitiçaria.

"Fantastic Beasts and Where to Find Them" é um filme com muitas reviravoltas e surpresas que não deixam ninguém indiferente (como poderíamos adivinhar que o verdadeiro rosto do vilão seria aquele?). E ainda que não tenha sido o filme do meu ano - porque, no fundo, em alguns momentos, eu esperava mais - foi fantástico rever os detalhes que foram incluídos nesta longa metragem, ter a honra de assistir ao papelão de Eddie Redmayne e sentir aquele arrepio na espinha graças à banda sonora que nos acompanha ao longo de duas horas.

CINEMA | Before The Flood [2016]

Before the Flood cativou-me logo nos primeiros minutos. A comparação do mundo real com "O Jardim das Delícias Terrenas" de Hieronymus Bosch foi um ponto de partida inteligente e as referências à obra foram o gatilho para me prender de imediato. Before the Flood obriga-nos a pensar e desperta-nos para uma polémica que nem sempre está presente no nosso quotidiano - a das alterações climáticas - sem nos proporcionar uma lavagem cerebral.

Tinha grandes expectativas para este documentário e não fiquei desiludida. Before the Flood mantém as linhas gerais de um documentário National Geographic - com suporte científico - mas ao mesmo tempo envolve-nos de uma forma mais pessoal e pertinente. Não é apenas um documentário sobre o Planeta Terra, é um documentário sobre todos nós.

Leonardo DiCaprio, Mensageiro da Paz da ONU desde 2014, viajou durante dois anos para perceber o verdadeiro impacto das alterações climáticas. Recolheu testemunhos de líderes internacionais, visitou as zonas mais afetadas do planeta e protagonizou um documentário com produção executiva de Martin Scorsese que nos mostra os dois grandes lados da situação - o lado económico e o lado ambiental - sem esquecer aquilo que todos podemos mudar no nosso quotidiano e aquilo que os líderes mundiais devem não só ambicionar mas realizar (agora!).

Na minha opinião, os documentários ambientais recorrem muitas vezes às ações irrealistas que a população ainda não está preparada para aceitar e Before the Flood mostra-nos os factos e apresenta-nos soluções nada fundamentalistas que podemos verdadeiramente aplicar (sim, estou a falar da questão da carne).

Before the Flood é um abre-olhos e, mais do que isso, é um documentário brilhante com testemunhos interessantes, factos muito curiosos, imagens surpreendentes e uma linha condutora muito bem estruturada. Palmas.

CINEMA | The Secret Life Of Pets [2016]

A premissa de "The Secret Life Of Pets" é simples: afinal, o que fazem os nossos animais de estimação quando nós saímos de casa? Será que dormem? Será que dançam? Será que ficam sentados à porta? Será que procuram bolachas? Será que vêem televisão?

"The Secret Life Of Pets" apresenta-nos os estereótipos que imediatamente associamos aos diferentes animais e raças e garante gargalhadas em família graças aos hábitos e comportamentos diários de cada um dos protagonistas. A temática já tinha sido abordada no mundo do cinema porém ainda não tinha sido explorada com detalhe no que diz respeito ao mundo animal e este filme de animação veio colmatar essa falha - revelou-se uma excelente e inteligente aposta. Original e criativa, esta é uma longa metragem animada que, na sua versão original, reúne as vozes de grandes e conhecidos atores. Há um elenco de excelência nesta produção da Illumination e ouvir o coelhinho branco na voz do gigante Kevin Hart é a cereja no topo do bolo.

No entanto, senti que a minha concentração foi diminuindo com o avançar da história porque o argumento principal do filme se perdeu a certa altura, não tendo sido substituído por outro igualmente criativo. A ideia-base desta longa metragem é brilhante (e o início e o fim do filme comprovam-no) mas, a meio, "The Secret Life Of Pets" torna-se previsível e, não desvalorizando as personagens fabulosas - e rebeldes - que vão sendo incluídas na história, acaba por seguir o caminho típico (que não vou referir por respeito a quem ainda não viu o filme). Tendo em conta a qualidade inegável das personagens, a relação que conseguem criar entre elas e a premissa original do filme, eu esperava uma abordagem diferente e um desenvolvimento mais criativo.

"The Secret Life Of Pets" é um filme engraçado que reúne animais extremamente carismáticos e divertidos mas, ao mesmo tempo, é um daqueles filmes de animação que facilmente serão esquecidos. Enquanto espectadora senti que podiam ter explorado melhor o argumento de "The Secret Life Of Pets" e percebi que esta minha falta de concentração não estava apenas associada a cansaço quando a minha prima mais novinha me disse que não gostou do filme e que, apesar de ter apreciado alguns detalhes e personagens, o achou aborrecido.

CINEMA | Definitely, Maybe [2008]

Normalmente associamos os filmes leves e as comédias românticas a obras cinematográficas sem qualidade mas, assim como o último que partilhei convosco - "The Devil Wears Prada" -, "Definitely, Maybe" entretém-nos e é suportado por uma história simples e bonita que, pela forma como é contada, se diferencia de todas as outras que já conhecemos. "Definitely, Maybe" não é uma obra-prima mas é um bom filme de domingo.

No fundo, "Definitely, Maybe" é um enorme flashback que nos apresenta a vida de Will, um homem que acredita na política, que se muda para Nova Iorque para trabalhar na campanha de Bill Clinton e que, ao longo dos anos, se relaciona com três mulheres. Já adulto e pai de uma miúda de 10 anos, Will está a passar pelo processo de divórcio e a sua filha pede-lhe que partilhe a história de como conheceu a sua mãe pois acredita que, se ele for capaz de lhe explicar o que o levou a apaixonar-se por ela, o amor deixará de ser tão complicado como aparenta. Will aceita o desafio porém muda os nomes das personagens intervenientes para que Maya descubra qual delas é a sua mãe - uma espécie de jogo que dá ao filme uma perspetiva cativante e menos óbvia. 

"Definitely, Maybe" foca, de uma forma leve e despretensiosa, algo que digo tantas vezes: não há dois amores iguais mas é possível amar verdadeiramente duas vezes - ou três, neste caso. É um filme tranquilo, bonito, sereno. Transporta-nos para uma relação maravilhosa entre pai e filha, envolve-nos na história que está a ser contada a Maya, leva-nos a viajar até à maravilhosa cidade de Nova Iorque (palmas para os cenários e ângulos escolhidos - é raro esta ser uma preocupação em filmes deste género) e, muito importante, não inclui piadas absurdas. Não é uma produção ambiciosa mas é um daqueles filmes que nos deixam felizes e inspirados e isso basta para ser uma produção vencedora. Se precisarem de mais uma razão para ver "Definitely, Maybe", o protagonista é o Ryan Reynolds.

CINEMA | The Devil Wears Prada [2006]

Um filme leve não é necessariamente um filme vazio e "The Devil Wears Prada" comprova-o. Não tenciona promover grandes reflexões mas entretém na medida certa e, para além de ser protagonizado por um elenco de luxo, foca duma forma diferente e interessante um tema que estamos fartinhos de ver. Meryl Streep e Anne Hathaway unem forças nos papéis principais, Emily Blunt, Simon Baker, Gisele Bündchen e outras caras conhecidas aparecem em papéis secundários e o resultado não poderia ser mais agradável. "The Devil Wears Prada" é um filme despretensioso que não se assume como a comédia fácil. Pelo contrário: é uma comédia elegante graças aos atores escolhidos para interpretar cada uma das personagens.

"The Devil Wears Prada" não é o filme do ano - nem o foi em 2006 -, não é inovador e não conta uma história imperdível mas resulta e não só é inspirador como também é divertido sem ser parvo. É o género de filme que me encanta por todas as peças de roupa que me fazem sonhar, pelos dramas estereotipados, pela subtileza de algumas atitudes, pela ausência de imbecilidade, pelos risos que me proporciona. É o verdadeiro filme de fim-de-semana que não perde pontos por ser o que é, que assume todas as suas qualidades e que não pretende ser mais do que aquilo que demonstra. 

As expressões, as posturas, as intenções, as analogias, as tarefas infinitas, a dedicação, as relações falhadas, as mudanças, a gestão de tempo, os detalhes... Tudo isso é abordado de forma magnífica em "The Devil Wears Prada" e a ideia do primeiro emprego, da miúda independente e da adaptação a um mundo novo numa cidade tão fabulosa como Nova Iorque (assim como a dificuldade em lidar com personalidades complicadas, corações de gelo e elites) fascina-me. Como disse inicialmente, um filme leve não é necessariamente um filme vazio e "The Devil Wears Prada" comprova-o.

CINEMA | He Named Me Malala [2015]

No Dia Internacional da Mulher, que sentido teria escrever sobre outro filme ou documentário que não aquele que foi transmitido pela FOX Life há dois dias atrás? Nenhum. No Dia Internacional da Mulher, só faz sentido escrever sobre uma Mulher que se destaca apesar da tenra idade, que converge em si os valores de Humanidade mais puros e que, para além de ter sido considerada uma das "100 Personalidades Mais Influentes do Mundo" pela revista Times, venceu justamente o Prémio Nobel da Paz em 2014.

Malala Yousafzai foi baleada pelos talibãs por defender que todas as crianças deveriam ir à escola, independentemente do seu sexo. E o documentário sobre esta ativista paquistanesa e a sua vida - primeiro no Paquistão e, atualmente, em Inglaterra - acorda-nos para uma realidade diferente ainda que já tenhamos consciência dela. 

"He Named Me Malala" é um documentário linear que nos cativa pelos depoimentos, pelas reconstituições e pelas animações e ilustrações - tão bonitas! - representativas do passado. As narrações, o poder da educação e da informação, a sorte de ter uma família compreensiva que nos incentiva a lutar por aquilo em que acreditamos, as dificuldades que nós - portugueses/europeus - nem sequer pomos em causa nas nossas rotinas... Tudo isso está presente em "He Named Me Malala" e é incrível como a história nos é contada duma forma muito inocente e bondosa sem nunca perder a atrocidade dos factos. Somos constantemente surpreendidos com detalhes inspiradores e todo o documentário é bastante realista. Malala é uma rapariga normal com uma personalidade vincada - e vontade de bater nos irmãos - mas também é muito mais do que isso; mais do que uma rapariga normal, Malala é uma Mulher corajosa, lutadora e sem maldade no coração.

Em "He Named Me Malala", para além de nos ser explicado o porquê de Malala ter este nome - daí o título escolhido -, acompanhamos o seu apreço pela escola, a sua vontade de mudar o mundo, o apoio familiar, os acontecimentos trágicos no Paquistão - e não só - e a vontade de fazer a diferença e de regressar ao país de origem. Com momentos de humor inseridos em cenas estratégicas e uma calma atípica, "He Named Me Malala" trouxe-me algumas novidades e encantou-me sem nunca me deixar esquecer o seu objetivo principal.

"He Named Me Malala" tem um caráter emocional forte. Obriga-nos a reflectir sobre a sociedade em que nos inserimos, sobre a sorte que possuímos, sobre o mundo no qual vivemos. No Dia Internacional da Mulher, que sentido faria não escrever sobre alguém que luta pela educação de todas as Mulheres do planeta? Aplausos.


Publicação escrita em parceria com a FOX Life Portugal.

CINEMA | Spotlight [2015]

Aplausos para um filme que aborda um escândalo sem nunca entrar em caminhos políticos. "Spotlight" foca a importância e a relevância do jornalismo independente e assume-se como uma obra cinematográfica pertinente, precisa e bem explorada com um nome pouco óbvio que nos direciona para uma equipa do jornal "The Boston Globe" e para os seus trabalhos de investigação detalhados e demorados.

"Spotlight" baseia-se em factos verídicos e destaca uma investigação jornalística que permitiu provar aquilo que tanta gente desconfiava mas não tinha coragem - ou maneira - de afirmar: os crimes de pedofilia no seio da Igreja Católica. A equipa de jornalistas de Boston trabalhou meses e meses neste caso, investigou pormenorizadamente cada uma das pistas que surgiram, elaborou um trabalho meticuloso e, apesar da pausa forçada no meio de acontecimentos que fizeram o mundo parar pela atrocidade e pelo choque - refiro-me aos atentados de 11 de Setembro, é claro - os factos apareceram de forma bastante equilibrada, realista e gradual. "Spotlight" não é um documentário mas não foge muito à realidade e apresenta-nos um caso difícil, delicado e complexo duma forma bastante dinâmica, sólida, cativante e talentosa.

Acredito que "Spotlight" tenha vencido o "Prémio de Melhor Filme" ontem à noite pela pertinência do tema. A concorrência era forte e eu confesso que não acreditei nesta atribuição até ela efetivamente acontecer mas, apesar de ter ficado fascinada com outros nomeados, consigo perceber (ao contrário de algumas pessoas, pelo que li durante esta segunda-feira) porque "Spotlight" venceu. O filme não nos choca mas explora a dificuldade do trabalho dos jornalistas e, mais importante, explora a sua importância sem se basear em temáticas gastas. "Spotlight" foca os envolvidos - e respetivas reações - duma forma intensa sem cair no erro de dar o protagonismo aos indivíduos que ocupam cargos de alto poder. Não, a polémica está presente durante todo o filme mas o foco está na equipa de jornalistas e isso oferece-nos uma perspetiva completamente diferente do habitual.

O elenco é extremamente talentoso, o cineasta está de parabéns e a narrativa é-nos apresentada da forma mais correta: sem falinhas mansas e, ao mesmo tempo, sem seguir caminhos pretensiosos. O jornalismo  de investigação independente é uma mais-valia no mundo em que vivemos e, depois de vermos "Spotlight", ficam as questões: Onde estão estas equipas agora? Onde está o jornalismo que vive da paixão e da vontade de melhorar o mundo e a sociedade? Onde estão os jornalistas íntegros que não se deixam corromper pelo dinheiro e pelas coscuvilhices, que se importam realmente com a pertinência dos temas investigados e publicados, com um trabalho de excelência?

CINEMA | I Am Sam [2001]

Apesar de ser um filme totalmente irrealista e previsível com uma história que nunca terminaria assim no mundo em que vivemos, "I Am Sam" é um filme bonito e esperançoso. Procura facilmente a lágrima do espectador em alguns momentos mas também nos diverte e encanta com uma banda sonora cuidada que encaixa perfeitamente em cada uma das cenas apresentadas.

"I Am Sam" conta a história de um homem mentalmente incapacitado que, apesar de autónomo, tem a inteligência de um miúdo de sete anos. Sam - interpretado de forma soberba por Sean Penn (com todos os tiques e linguagem específica) - é pai solteiro mas essa custódia é seguida de perto pela proteção de menores que, a certo ponto, decide que o protagonista, apesar do seu empenho, carinho e dedicação, não tem condições nem capacidades para educar uma criança.

O filme retrata todas as aprendizagens, audiências de tribunal, pressões, dificuldades e lutas entre advogados mas consegue, simultaneamente, focar tarefas simples do quotidiano e não dispensa uma mensagem forte que se alia a meia dúzia de momentos cómicos e amorosos: apesar das suas limitações, os deficientes mentais são capazes de grandes feitos e conseguem ter um trabalho e uma vida independentes.

Como disse inicialmente, este é um filme irrealista que não deixa de transmitir esperança ao espectador. E é isso que o torna num bom filme. A moral da história reúne um conjunto de valores bonitos e equilibra-se com uma fantasia cinematográfica mas a mensagem não deixa de ser poderosa, sobretudo porque foca questões que vão para além da discriminação e das doenças mentais: a família, a traição, a amizade, o trabalho, a carreira, a atenção, a sociedade, as decisões. Este é um filme que nos mostra que por vezes não existe um lado bom e um lado mau mas sim um lado certo e um lado errado. Vale pela intenção, pelas interpretações brilhantes, pela banda sonora, pela reflexão que nos provoca: será que, na vida real, a história teria o mesmo fim? Ou será que a forma certa e justa de lidar com a situação seria, na verdade, a mais custosa e complexa?


Os interessados poderão ver o filme ainda esta tarde, na Fox Life Portugal.

Publicação escrita em parceria com a FOX Life Portugal.

CINEMA | The Danish Girl [2015]

Apesar dos ângulos certeiros e das paisagens fabulosas em "The Revenant", eu sinto que "The Danish Girl" (também?) merecia ser nomeado e quem sabe ganhar o prémio de "Melhor Cenografia". A fotografia focada nos detalhes e na arquitectura, as cores, as simetrias, o jogo de luzes, as (des)focagens que direcionam o nosso olhar para uma área particular do ecrã... Foi uma característica que me cativou logo nos primeiros segundos de filme e que me marcou de forma significativa ao longo das suas duas horas. Os dois filmes não só estão renhidos para o Prémio de "Melhor Actor" (num duelo fabuloso entre Leonardo DiCaprio e Eddie Redmayne) mas também poderiam ser rivais nesta categoria técnica.

"The Danish Girl" não era uma obra que me suscitava particular interesse - talvez por causa de todo o falatório que a envolvia - mas era um filme que, ao mesmo tempo, me despertava curiosidade por representar um marco importante na História da Medicina. Paradoxal, certo? Reconheço que sim. Porém, os filmes baseados em factos verídicos estão, habitualmente, no topo da minha lista e "The Danish Girl" ganhou um lugar de destaque graças a esse critério. Se é para fazer uma maratona de filmes nomeados, não podia deixar de ver este. E não fazia sentido não partilhar a minha opinião convosco.

"The Danish Girl" é um filme intenso e emotivo. "The Revenant" também o é (oh, se é!) mas "The Danish Girl" reúne essas características duma forma diferente, duma forma muito mais pura, tranquila e subjetiva. O filme não nos choca mas também não nos deixa indiferentes e, como se não bastasse, foca questões pertinentes tais como a falta identificação com o género de nascimento, a traição, o amor, a personalidade, a moda, a negação, a aceitação, o altruísmo e a arte numa época frenética - os anos 20. Os figurinos completam a história, as personagens principais são fabulosas - e interpretadas por um elenco de luxo - e ainda que as personagens secundárias não desempenhem um papel significativo ou particularmente relevante, o argumento é suficientemente complexo e nada confuso. Eu sei que "The Danish Girl" é um filme sobre transexualidade mas, para mim, o argumento principal é uma história de amor muito (muito!) complicada e surreal.

A obra poderia ter sido ainda mais marcante se focasse a interpretação da sociedade e se o final escolhido não fosse insípido (não pela situação trágica - que não poderia ser alterada - mas sim pela forma como chega até nós). No entanto, ao mesmo tempo, "The Danish Girl" é um produto que nos cativa pela força da narrativa, pela sensibilidade das personagens, pelos papéis complexos que foram interpretados pelos melhores (para além de Eddie, aplausos para Alicia Vikander!) e que resultaram na perfeição. A questão atual e pertinente, a empatia que provoca no espectador, a conjugação de cores, luz e focos (não me canso de referir...!), a sequência de cenas e planos, a inspiração, a dificuldade... Há algumas falhas que impedem "The Danish Girl" de ser o filme do ano aos meus olhos mas não deixa de ser uma obra fantástica.

CINEMA | The Revenant [2015]

"The Revenant" é um filme tão horrível, cru e intenso que acaba por ser fantástico, incrível e marcante. Acredito que tenha sido uma das melhores produções cinematográficas do ano passado e compreendo agora todo o burburinho que acabou por envolver tanto o seu realizador como o seu protagonista (algo me diz que é desta que o DiCaprio arrecada o Oscar!).

O filme não tem um argumento complexo ou confuso. De todo. Insere-se até num estilo que não costumo aplaudir e, como se não fosse suficiente, não é uma obra fácil de digerir. Mas converge em si a fórmula perfeita - uma fotografia de babar, uma história de sobrevivência, superação e vingança, um conjunto infinito de paisagens fabulosas, um leque de personagens maduras e uma música que ajuda a construir com intensidade grande parte das emoções que vamos experimentando ao longo das duas horas e meia de filme - e não deixa ninguém indiferente. "The Revenant" incomodou-me do início ao fim. Não pelas mortes humanas ou sangue a jorrar mas por todas as emoções ambíguas que despoletou em mim, pela crueldade de várias cenas e pela sensação de coração preso, impotência e respiração pesada. E isso é bom! A imagem, a música, os actores, os detalhes, os sussurros, a linguagem... O filme funciona como um todo e resulta magnificamente bem.

A sala de cinema em pleno Dia dos Namorados não estava cheia mas, para além da ausência de conversas durante o filme, ninguém se mexeu quando o ecrã ficou negro. As luzes acenderam e ninguém se levantou. Ficámos todos ali, em silêncio, estupefactos. E se isso não significa que o filme é realmente fascinante, então não conheço os critérios para tal elogio. Para mim, ir ao cinema ainda é um privilégio - porque não é algo que tenha disponibilidade para fazer regularmente - e sinto que esta obra vale cada cêntimo. Aliás, digo-vos mais: se puderem, vejam "The Revenant" no cinema. Há muito tempo que um filme não me marcava tanto e, agora sim, compreendo todas as críticas e nomeações. É um candidato exímio aos Prémios da Academia.

CINEMA | Burnt [2015]

Os filmes resultam quando existe uma boa ideia, um argumento interessante, um protagonista forte e uma equipa de produção maravilhosa. É um facto. Porém, quando a esta fórmula acrescentam uma dose industrial de frases feitas e momentos óbvios, o brilhantismo do filme acaba por se perder entre histórias de amor previsíveis e conquistas aguardadas. E foi isso que aconteceu com "Burnt". Apesar de ser um bom filme e de ter características muito fortes que cativam, "Burnt" não surpreende.

Deixando de parte os clichés assumidos pela longa metragem e focando os pontos positivos, destaco Bradley Cooper - que carrega o filme às costas com competência e profissionalismo e que dá vida  ao grande ecrã através da personagem magnética e fascinante que consegue criar a cada passo - e a dinâmica de cada uma das cenas - que se desenvolvem entre tachos, panelas e aventais e ingredientes que se transformam entre discussões. "Burnt" foca o mundo da culinária duma forma crua - com zangas, dívidas, competitividade, dependências, vinganças, muita pressão, ansiedade e palavrões (Gordon Ramsay, és tu?) - mas também se desenvolve entre beijos apaixonados, críticas realistas, amizades e um bolo de aniversário amoroso.

Acredito que as personagens secundárias poderiam ter dado um encanto diferente ao filme se as suas vidas tivessem sido aprofundadas (e nem precisavam de ocupar uma parte significativa da obra cinematográfica) mas tal não acontece e por isso "Burnt" é um filme previsível. Se é bom? É. Mas não tem um argumento por aí além e o brilhantismo de Adam Jones (o chef) é limitado pelo teor da história.

Há pratos maravilhosos a desfilar em frente às câmaras, a fotografia cativa e Londres foi uma boa escolha (o que há para não gostar nesta cidade?) mas apesar de tudo isto, "Burnt" não tem uma história poderosa e se retirarmos o perfeccionismo, a magia do simples acto de cozinhar (e toda a paixão que tal gesto exige), a dedicação e a exploração das emoções, ficamos com pouca coisa. "Burnt" é uma longa metragem leve que resulta de diferentes formas porque faz com que o espectador sinta empatia com as personagens e porque foca a superação pessoal e a perseguição dos sonhos mas é um filme de fim-de-semana e, nesse sentido, não podemos ter padrões de exigência muito elevados. Se assistirmos de forma descontraída e tendo em mente estes pontos, não ficamos desiludidos. Eu, apesar da previsibilidade que lhe está associada, gostei bastante.

CINEMA | The Martian [2015]

Um astronauta dado como morto em Marte e deixado para trás após uma tempestade poderia resultar numa de duas coisas: uma história cativante ou um projeto aborrecido. E, felizmente, "The Martian" encaixa-se na primeira opção graças à sua fórmula. Eu confesso: este foi um filme que me surpreendeu positivamente. Eu não dava uma caixa de fósforos por ele e agora dou a mão à palmatória: gostei muito e percebo perfeitamente as nomeações que me puxaram para lhe dar uma oportunidade.

A combinação entre ficção científica, sobrevivência, criatividade, drama e comédia resulta na perfeição e Matt Damon está de parabéns pela sua prestação - assim como todas as outras caras conhecidas que abraçam papéis secundários com distinção apesar de não lhes ser dado grande destaque. Ainda que este seja um filme baseado na ciência, as explicações científicas nem sempre são tão científicas assim mas tudo isso é perdoado pela competência e ligeireza apresentada em "The Martian". As atitudes criativas que permitem ao protagonista lutar pela sobrevivência são fantasiosas e os planos de salvamento elaborados pela NASA são irrealistas - aliás, um astronauta sobreviver sozinho durante anos num planeta muito pouco explorado e sem reservas de água e alimentação é absolutamente ilusório - mas "The Martian" ganha imensos pontos porque, para além das reviravoltas constantes que criam empatia com o protagonista, não é um filme pretensioso. O humor é privilegiado a cada etapa e o filme entretém-nos graças a Matt Damon, que trabalha com profissionalismo e que dá vida a uma personagem divertida mas igualmente inteligente e emocional, sem cair no exagero.

Numa vertente mais técnica, a banda sonora disco inesperada torna o filme ainda mais divertido e "The Martian" é um filme delicioso cuja nomeação para Melhor Cenografia não me surpreende. Como ainda não vi os restantes nomeados não consigo precisar se "The Martian" sairá vitorioso nessa categoria no próximo mês mas a nomeação é completamente válida pois todo o trabalho de "backstage" faz a diferença em cada cena. Duvido que Matt Damon ganhe o Oscar para Melhor Actor - como disse, ainda não avaliei a concorrência e parece-me que a corrida está renhida - mas não podemos dizer que a nomeação não é justa porque é a sua prestação que dá vida ao filme. Gostei muito.

CINEMA | Saving Mr. Banks [2013]

"Saving Mr. Banks" é amor. A sério. É um filme simpático, daqueles que nos trazem recordações bonitas e nos deixam com um sorriso no rosto. "Saving Mr. Banks" é um filme para ver em família e cantar em uníssono. Tem todos os elementos dum verdadeiro filme Disney - fantasia na medida certa, uma boa banda sonora e uma moral relacionada com o amor, a superação e a amizade - e funciona. As histórias relacionadas com os bastidores do mundo do cinema fascinam-me mas parece-me que "Saving Mr. Banks" pegou nesse fascínio e levou-o para um patamar inocente e ainda mais bonito.

"Saving Mr. Banks" conta-nos a história da venda dos direitos cinematográficos de Mary Poppins a Walt Disney e o argumento da longa metragem segue uma linha muito específica, com duas histórias complementares - separadas por uns bons anos - contadas em simultâneo. Ao contrário de muita gente, não senti que a analepse provocasse qualquer tipo de confusão no espectador e achei até que conferia uma dinâmica interessante ao filme uma vez que as mudanças de cena e de época são abruptas.

"Saving Mr. Banks" é construído por personagens fortes e um argumento sólido que nos marca pela positiva. O elenco é brilhante (Emma Thompson e Tom Hanks são a dupla ideal) e ainda que algumas personagens não tenham sido suficientemente desenvolvidas (como é o caso de Walt Disney - que com certeza não era apenas sonhador e lutador e que obviamente foi retratado duma forma muito mais branda do que aquilo que seria se o filme tivesse sido feito por outra empresa que não aquela que utiliza o seu nome), "Saving Mr. Banks" resulta porque reúne tudo aquilo que é defendido pela marca dos parques temáticos: diversão, positivismo, felicidade, genuinidade. Todo o filme se desenvolve em redor das cedências e exigências que a dupla de protagonistas vai fazendo com humor, elegância e uma postura quase intemporal e a apresentação final é verdadeiramente inspiradora.

Ir buscar uma história icónica com quase vinte anos foi um risco mas, ao mesmo tempo, foi um passo inteligente. Abordar um livro e um filme que fizeram parte da infância de diferentes gerações e explorá-los duma forma inovadora foi uma boa estratégia. Eu fiquei tão encantada com as questões técnicas e com os pormenores de referência à fabulosa Mary Poppins que nem me preocupei com os diálogos ou as transições de cenas menos agradáveis. Os detalhes valem ouro neste filme e "Saving Mr. Banks" é uma longa metragem com muita luz e muitas mensagens bonitas.

"Saving Mr. Banks" apresenta-nos uma nova versão duma história que já conhecemos tão bem. Não concordo que seja um filme biográfico e também não concordo que seja um filme pobre, vazio em conteúdo. De todo. Talvez Mary Poppins merecesse um argumento mais trabalhado - com destaque especial para alguns pormenores - mas parece-me que, caso tal acontecesse, todo o objetivo do filme se perderia. "Saving Mr. Banks" é uma lufada de ar fresco. É um filme para recordar a infância entre papagaios de papel e uma mala florida.

CINEMA | Joy [2015]

Depois de entregar um trabalho já perto das 23h, comecei a cumprir a tradição de Janeiro ao lado do meu pai: ver os (possíveis) filmes nomeados para os Prémios da Academia e registar opiniões antes da Cerimónia. O primeiro? "JOY" - uma longa metragem que volta a juntar Jennifer Lawrence, Bradley Cooper e Robert De Niro (os preferidos de David O. Russell) numa obra que repete a fórmula infalível para o sucesso do realizador.

A criação mais recente de O. Russell não apresenta um argumento por aí além mas retrata a invenção de uma esfregona revolucionária e foca questões relacionadas com a depressão, o empreendedorismo, a luta, a amizade, o feminismo, a flexibilidade financeira, a família e a determinação obrigando-nos a criar empatia com as personagens de forma quase instantânea e fazendo-nos reflectir sobre os nossos próprios sonhos, objetivos e metas. As personagens são interessantes, o elenco é brilhante, a banda sonora encaixa, a fotografia cativa e ainda que não haja nada de realmente surpreendente (sobretudo no final escolhido), "Joy" retrata uma história de vida inspiradora.

"Joy" apresenta-nos uma Jennifer Lawrence mais contida - que, apesar da aparência demasiado jovem, consegue convencer o espectador tanto nas cenas mais determinadas e empreendedoras como nas situações de maior dificuldade, preocupação e sofrimento - e leva-nos a viajar pelo mundo dos negócios numa época em que as televendas determinam o sucesso dos produtos e dos próprios investidores. Baseado em factos reais, assume-se como o típico filme nomeado para os Prémios da Academia e apesar de não ser revolucionário ou significativo para a História do cinema, é um bom filme que vale pela lição de vida.