Por muito que me custe escrever sobre este tema - porque custa e não vale a pena andar com falinhas mansas - sinto que este texto deve finalmente ver a luz do dia por uma razão bastante simples: talvez ajude alguém. Não vou aceitar comentários que me obriguem a lidar com algumas cicatrizes e feridas mas espero, em oposição, ser capaz de mudar alguns pontos de vista sobre o assunto em questão.
Faço parte da população mundial que sofre de ansiedade. Pronto, já disse. Acredito que fiquem chocados com a quantidade de pessoas que luta contra o mesmo - talvez até no vosso círculo de amigos - mas é algo que, para além de não ser muito simpático, custa um pouquinho a admitir. Numa sociedade onde só os braços partidos e as dores de barriga são motivo para preocupação, sentir a respiração pesada e um nó no estômago sem razão aparente é um filme difícil de explicar porque é sempre fita.
A ansiedade não é um nervoso miudinho nem tão pouco se traduz pela vontade de fazer algo de bom rapidamente. A ansiedade, no seu verdadeiro sentido, é um estado físico que deriva da emoção do medo. Manifesta-se através de sintomas (físicos!) como a fadiga, a insónia, a sensação de falta de ar, as "picadas" nas mãos e nos pés, o nó na garganta, as dificuldades em relaxar ou dormir, as tonturas, as vertigens, os vómitos, a sensação de impotência, a confusão, a sensação de desmaio, as dores no peito, os arrepios, os suores e as mãos húmidas, os tremores, as dores musculares, os nós no estômago e por aí em diante. Não acontecem todos ao mesmo tempo - podendo variar de pessoa para pessoa - mas condicionam quem os experimenta e não são, de forma alguma, agradáveis.
No meu caso, a ansiedade traduz-se pela sensação de nó na garganta e pela dificuldade em respirar mas, se evolui, provoca-me dores de cabeça, enjoos, sensação de falta de ar e, em casos extremos, tonturas, desmaio e incapacidade de dormir. No caso do ataque de pânico - que não é mais do que a ansiedade no seu clímax - os sintomas passam a ser muito mais intensos, muito mais físicos e muito mais difíceis de controlar. Aliás, quando a ansiedade chega a esse ponto torna-se completamente inexplicável e irracional, com tendência a piorar exactamente porque "não faz sentido nenhum".
Mas sendo a ansiedade uma exposição de medo, os sintomas supracitados também podem derivar da insegurança ou do desconforto que todos sentimos em algum ponto do nosso dia. Pensem nas situações que vos deixam naturalmente ansiosos - porque é saudável sentir alguma coisa perante um problema! - e multipliquem a sensação por dez ou por vinte. É isso que eu sinto. Ambientes muito escuros e desconhecidos, sítios muito fechados e abafados, gritos excessivos e multidões, preocupações a mais, stress, falta de confiança, incertezas, pressão... Todos estes factores podem ser determinantes para a existência de ansiedade dependendo das circunstâncias em que estão inseridos. Por exemplo, um concerto - onde existem quase todos estes pontos - não me faz confusão nenhuma mas uma situação diferente onde existem os mesmos factores poderá fazer. É sempre uma incógnita.
Agora que me conheço melhor - porque o crescimento e o acompanhamento também têm destas coisas - a questão é mais simples de controlar. A minha ansiedade não desapareceu totalmente mas lido com ela de forma distinta e recuso-me a deixá-la condicionar-me. Continuo a fazer as coisas que sempre fiz, continuo a ter vontade de experimentar locais novos. Se me sentir mal, arranjo forma de resolver o problema. Em último caso, vou embora. Mas recuso-me a não ir para sítio X ou a festa Y só porque "há a possibilidade de eu não me sentir bem".
Se é chato? Muito. Se me torna pessimista? Não. Se é o fim do mundo? Parece mas não é (e eu tento convencer-me disso também). Porque a ansiedade não passa com raios de sol, sorrisos ou sugestões óbvias mas minimiza-se através de boas distrações, bons amigos, dias de praia, projectos, mergulhos na piscina e conhecimento. Ocupações. Não desaparece só porque queremos muito que desapareça mas vai desaparecendo se trabalharmos para isso e se não fingirmos que não existe ou que os sintomas não estão lá. Relembro: ignorá-los só nos traz complicações (e eu falho muitas vezes neste aspecto também).
Conheço várias pessoas que não entram em centros comerciais, que não são capazes de ir a uma discoteca ou a um concerto, que só se sentem bem em casa, isolados do mundo. Chama-se fita a isso? Não. É grave. Nunca cheguei a esse ponto - porque isto de ser demasiado racional também tem as suas vantagens - mas sei que isso só acontece porque a questão não foi abordada a tempo, porque a fase de negação por vezes é superior ao que seria aceitável. Porque sentir ansiedade ou reagir tão intensamente "é coisa de maluco".
E a frase mais absurda que se pode dizer a alguém que tem problemas de ansiedade ou ataques de pânico - são coisas diferentes apesar de estarem relacionadas! - é: "tens de ter calma". A ansiedade está aliada à gestão das emoções por isso "ter calma" seria realmente o antídoto. Mas é absurdo sugeri-lo. Acreditem: não há ninguém que goste de não ter calma, de se enervar, de sentir os sintomas que supracitei. Se o indíviduo em questão soubesse como conseguir ter calma, seria a pessoa mais zen e despreocupada da história. Assim, pedir a alguém que sofre de ansiedade para ter calma e respirar fundo não ajuda. Se não souberem o que dizer, não digam nada.
É preciso começar a ver estes problemas como algo sério, sem vergonhas, sem nos sentirmos malucos, sem dificuldades em admitir. O mundo em que vivemos não ajuda mas, pelo nosso bem - e pelo bem de quem nos rodeia - precisamos realmente de encarar a ansiedade como algo que não é normal mas que pode ser resolvido. Eu não consigo sempre (e ainda me acho absurda por reagir tão intensamente perante determinadas situações) mas estou a tentar, pelo menos. E tem funcionado. Não se negligenciem.
A ansiedade não é um nervoso miudinho nem tão pouco se traduz pela vontade de fazer algo de bom rapidamente. A ansiedade, no seu verdadeiro sentido, é um estado físico que deriva da emoção do medo. Manifesta-se através de sintomas (físicos!) como a fadiga, a insónia, a sensação de falta de ar, as "picadas" nas mãos e nos pés, o nó na garganta, as dificuldades em relaxar ou dormir, as tonturas, as vertigens, os vómitos, a sensação de impotência, a confusão, a sensação de desmaio, as dores no peito, os arrepios, os suores e as mãos húmidas, os tremores, as dores musculares, os nós no estômago e por aí em diante. Não acontecem todos ao mesmo tempo - podendo variar de pessoa para pessoa - mas condicionam quem os experimenta e não são, de forma alguma, agradáveis.
No meu caso, a ansiedade traduz-se pela sensação de nó na garganta e pela dificuldade em respirar mas, se evolui, provoca-me dores de cabeça, enjoos, sensação de falta de ar e, em casos extremos, tonturas, desmaio e incapacidade de dormir. No caso do ataque de pânico - que não é mais do que a ansiedade no seu clímax - os sintomas passam a ser muito mais intensos, muito mais físicos e muito mais difíceis de controlar. Aliás, quando a ansiedade chega a esse ponto torna-se completamente inexplicável e irracional, com tendência a piorar exactamente porque "não faz sentido nenhum".
Mas sendo a ansiedade uma exposição de medo, os sintomas supracitados também podem derivar da insegurança ou do desconforto que todos sentimos em algum ponto do nosso dia. Pensem nas situações que vos deixam naturalmente ansiosos - porque é saudável sentir alguma coisa perante um problema! - e multipliquem a sensação por dez ou por vinte. É isso que eu sinto. Ambientes muito escuros e desconhecidos, sítios muito fechados e abafados, gritos excessivos e multidões, preocupações a mais, stress, falta de confiança, incertezas, pressão... Todos estes factores podem ser determinantes para a existência de ansiedade dependendo das circunstâncias em que estão inseridos. Por exemplo, um concerto - onde existem quase todos estes pontos - não me faz confusão nenhuma mas uma situação diferente onde existem os mesmos factores poderá fazer. É sempre uma incógnita.
Agora que me conheço melhor - porque o crescimento e o acompanhamento também têm destas coisas - a questão é mais simples de controlar. A minha ansiedade não desapareceu totalmente mas lido com ela de forma distinta e recuso-me a deixá-la condicionar-me. Continuo a fazer as coisas que sempre fiz, continuo a ter vontade de experimentar locais novos. Se me sentir mal, arranjo forma de resolver o problema. Em último caso, vou embora. Mas recuso-me a não ir para sítio X ou a festa Y só porque "há a possibilidade de eu não me sentir bem".
Se é chato? Muito. Se me torna pessimista? Não. Se é o fim do mundo? Parece mas não é (e eu tento convencer-me disso também). Porque a ansiedade não passa com raios de sol, sorrisos ou sugestões óbvias mas minimiza-se através de boas distrações, bons amigos, dias de praia, projectos, mergulhos na piscina e conhecimento. Ocupações. Não desaparece só porque queremos muito que desapareça mas vai desaparecendo se trabalharmos para isso e se não fingirmos que não existe ou que os sintomas não estão lá. Relembro: ignorá-los só nos traz complicações (e eu falho muitas vezes neste aspecto também).
Conheço várias pessoas que não entram em centros comerciais, que não são capazes de ir a uma discoteca ou a um concerto, que só se sentem bem em casa, isolados do mundo. Chama-se fita a isso? Não. É grave. Nunca cheguei a esse ponto - porque isto de ser demasiado racional também tem as suas vantagens - mas sei que isso só acontece porque a questão não foi abordada a tempo, porque a fase de negação por vezes é superior ao que seria aceitável. Porque sentir ansiedade ou reagir tão intensamente "é coisa de maluco".
E a frase mais absurda que se pode dizer a alguém que tem problemas de ansiedade ou ataques de pânico - são coisas diferentes apesar de estarem relacionadas! - é: "tens de ter calma". A ansiedade está aliada à gestão das emoções por isso "ter calma" seria realmente o antídoto. Mas é absurdo sugeri-lo. Acreditem: não há ninguém que goste de não ter calma, de se enervar, de sentir os sintomas que supracitei. Se o indíviduo em questão soubesse como conseguir ter calma, seria a pessoa mais zen e despreocupada da história. Assim, pedir a alguém que sofre de ansiedade para ter calma e respirar fundo não ajuda. Se não souberem o que dizer, não digam nada.
É preciso começar a ver estes problemas como algo sério, sem vergonhas, sem nos sentirmos malucos, sem dificuldades em admitir. O mundo em que vivemos não ajuda mas, pelo nosso bem - e pelo bem de quem nos rodeia - precisamos realmente de encarar a ansiedade como algo que não é normal mas que pode ser resolvido. Eu não consigo sempre (e ainda me acho absurda por reagir tão intensamente perante determinadas situações) mas estou a tentar, pelo menos. E tem funcionado. Não se negligenciem.


