O filme cativou-me pelo nome. Serendipity é, na minha opinião, uma das palavras mais poderosas da língua inglesa; uma palavra que não pode ser traduzida à letra - mais ou menos como a nossa "Saudade" - mas que significa um feliz acaso, uma conjugação de acontecimentos que provocam uma consequência agradável, eventos aleatórios que nos levam a algo de positivo. E um filme baseado nas artimanhas do destino pode ser duas coisas - muito bom ou muito mau - mas aquele que vi hoje - "Escrito nas Estrelas", em Português - não é nem uma coisa nem outra.
Na verdade, passei o filme indignada. Não suporto traições, vidas duplas ou gestos aparentemente inocentes que acarretam segundas intenções. E este filme retrata exactamente isso: uma traição que não chega a acontecer aos olhos da maioria mas que já o era aos meus. Dois estranhos que se encontram entre compras de Natal e que não se esquecem. Dois estranhos que querem mais do que isso, que sentem que merecem mais, que sonham em construir uma história diferente um com o outro apesar de ambos terem relações com outras pessoas. E o filme gira em redor desse argumento pobre e previsível tendo como pano de fundo a fabulosa cidade de Nova Iorque. Só.
Era suposto ser uma comédia romântica onde tudo acaba bem mas, na verdade, é só uma longa metragem que foca aquilo que eu mais abomino neste planeta: uma traição em dose dupla que já o era antes de o ser realmente. E as críticas que li sobre este "Serendipity" - críticas essas que defendiam "uma bonita história de amor" - só vêm provar aquilo que eu referi nesta publicação: a definição de traição varia de pessoa para pessoa.

