Thirteen

INSTAGRAM | Junho 2017

Hesitei antes de escrever esta reflexão, confesso. Apesar de Junho ter começado bem e de ter terminado com grandes vitórias profissionais, a verdade é que o seu maior foco vai para os dias cansativos, passados entre a empresa e o hospital, com um sentimento de impotência enorme. E por muito que quisesse distanciar-me disso nesta publicação, a família vem sempre em primeiro lugar e está sempre no topo das minhas preocupações - só assim faz sentido, para mim.

Nos primeiros quinze dias de Junho eu celebrei o aniversário do meu pai e da Rita, passeei entre Braga e Porto, fui ao Estádio do Dragão e ao Serralves em Festa, cumpri promessas, festejei dias especiais, escrevi muito para o blogue e marquei as minhas férias de Verão. No entanto, a segunda metade do mês fica marcada pelo choque, pela sensação de impotência, pela preocupação constante. Por agora, só posso desejar um Julho mais tranquilo e menos doloroso para os meus. De preferência, um Julho musical com muito sol, uma nova chave na mão e o crescimento dos meus projetos do coração (a nível pessoal e profissional, é claro!).

AMOR | O que aconteceu aos encontros?

Sinto-me grata por muitas coisas na nossa relação mas uma das que mais me orgulho é a de termos sido capazes de nos conhecermos um ao outro à moda antiga. Sem redes sociais, sem fotografias de fases de vida que tinham terminado, sem ecrãs a transformarem-nos em seres humanos mais corajosos do que aquilo que somos na verdade.

Nós conhecemo-nos entre frases sobre nós próprios enquanto comíamos gelados no carro com vista para as luzes da cidade. Nós descobrimos os gostos um do outro entre filmes, passeios, cafés e concursos de fotografia. Nós percebemos que tínhamos personalidades compatíveis graças a conversas longas, histórias engraçadas e jogos de perguntas. Sem darmos conta, deixámos as redes sociais de lado e vivemos o momento como ele deve ser vivido: naturalmente. 

Com quantos casais isto ainda acontece? Quantas pessoas conhecemos do zero, sem recurso a redes sociais? Quantas relações evoluem graças ao romantismo dos encontros, dos lugares novos, dos piqueniques, do fogo-de-artifício e das surpresas? É quando penso nestas pequeninas grandes coisas que percebo: eu sou uma sortuda.


Já a pensar na semana de férias e de praia, este macacão veio morar comigo.

QUERIDO PAI NATAL | Caixa com Flores da Uterqüe

Podia dizer-vos que não sou fã da Uterqüe mas a verdade é que só não choramingo mais vezes para as suas montras porque a loja fica no centro comercial. Os produtos da marca têm uma qualidade excepcional, o design das peças é feminino, elegante e clássico sem ser aborrecido e o atendimento é sempre excelente. 

Na semana passada, o meu coração viajou uma vez mais para dezenas de acessórios e peças de vestuário da nova coleção mas houve uma carteira que me encantou particularmente (entre muitas que poderiam perfeitamente vir morar comigo): uma carteira preta em formato de caixa, decorada com pedraria multicolor que forma um conjunto de flores. Pai Natal?


CORPO | Small Boobs? Big Boobs? Healthy Boobs!

Durante muito tempo eu senti-me mal comigo mesma por causa do tamanho do meu soutien. Durante anos recusei-me a usar soutiens sem aro, vivi enfiada em soutiens push-up e detestava comprar biquínis porque saía sempre frustrada dos provadores. Não fui abençoada com umas mamas grandes e, durante muito tempo, isso incomodou-me.

Durante muito tempo senti-me menos mulher por não vestir uma copa C - ou maior. Porque "uma mulher real tem curvas" (na parte da frente e na parte de trás, de preferência). Porque até as mulheres magras das revistas têm mamas e rabo. Porque não vestir - no mínimo! - uma copa C "é parecer um rapazinho". E quando ouvimos estes comentários muitas vezes, começamos a acreditar neles.

Aos poucos, esqueci-me de gostar do meu corpo e de tirar o melhor partido dele através daquilo que vestia e da atitude que assumia; interiorizei a ideia de que havia realmente algo de errado em mim (e nunca coloquei em cima da mesa a hipótese de que o erro poderia estar, na verdade, nos padrões que a sociedade foi definindo ao longo das décadas).

Hoje, em paz comigo mesma, vario mais nos modelos de soutien e reconheço uma data de vantagens neste antigo-problema de ter pouco peito: posso usar roupas com decotes nas costas sem me preocupar com a falta que o soutien me faz, posso usar qualquer decote sem ter medo que uma mama salte ou saia do sítio, posso dormir de barriga para baixo sem incómodos e, melhor ainda, posso escolher não usar soutien quando a peça de roupa e a ocasião mo permitem (com a garantia de que não ficarei com dores de costas no final do dia).

Hoje, em paz comigo mesma e com os meus soutiens sem aro e/ou sem enchimento, sei que o tamanho do meu peito não define a minha sensualidade nem tão pouco define se sou mais ou menos mulher. Não uso uma copa D, é verdade, mas tenho um corpo proporcional que só faz sentido assim. Se às vezes gostava de ter umas mamas maiores? Sim. Se isso ainda me faz confusão? Não. As minhas mamas são pequenas, é verdade... e muito saudáveis também!